12.8.13

O que é que a recomenda?


 


No domingo à noite, por entre línguas de gato, Marcelo aflorou a hipótese de a actual presidente da Assembleia da República ser uma putativa candidata a Belém em 2016. Parece que António Barreto também consta deste friso e, quem sabe, a minha padeira. Assunção Esteves apareceu em São Bento deputada e, de um dia para o outro, tapou o buraco Fernando Nobre. Não fosse a mesa do Parlamento, e um ou outro vice-presidente com experiência, Assunção ainda hoje teria apenas uma vaga ideia do que é dirigir um plenário ou ter de tomar de decisões finais que vinculem a casa. Uma delas, lembro-me agora, foi aquela brilhante de deixar aos tribunais a decisão sobre as candidaturas autárquicas sujeitas a limitação de mandatos. Assunção até apareceu, sozinha, a explicar por que é que tinha de ser assim, usando algum do jargão que aprendeu no Tribunal Constitucional. Uma linda decisão, como se tem visto. Assunção, apesar da sua não provecta idade, está reformada precisamente do TC onde trabalhou o tempo mínimo para alcançar a dita reforma. Abdicou do vencimento como segunda figura do Estado - mas evidentemente não abdicou do estatuto inerente à segunda figura do Estado - e manteve a pensão do TC com os abonos que decorrrem da função. O mesmo, aliás, tinha feito o PR. Um certo sentido republicano do exercício de funções políticas, e do interesse público, recomendaria que as pesssoas contingentemente investidas em altos cargos de representação da soberania nacional não ganhassem nem mais nem menos do que está previsto na lei para o efeito. Sobretudo quando não há uma única luminária "liberal" que não sugira a pura eliminação dos "direitos adquiridos": de facto eliminados consoante os "beneficiários" e a equação "quanto mais pequenos, mais elimináveis". Por consequência, não descortino, a não ser para "minar" o terreno presidenciável do centro-direita, o menor interesse numa candidatura de Assunção Esteves cuja "densidade" política (e republicana no sentido apontado), certamente por defeito meu, não avisto.

7 comentários:

Maria Alice disse...

"Assunção, apesar da sua não provecta idade, está reformada precisamente do TC onde trabalhou (?)...".

Pois é:
aos 42 anos está na "reforma"; o Paulinho das feiras não gosta de "exercer" (trabalhar?!) na formação para a qual a sua Licenciatura (em Direito) o "qualifica"!!! Preferirá" exercer vendas de submarinos?;
o PM "consegue" (aos 40 anos!) concluir uma Licenciatura na "melhor" universidade do mundo (Lusíada, de Lisboa);
a mim (reformado da FP) querem "roubam" 10% da minha parca aposentação 881,00€.

É "isto" JUSTO?

José Pedro disse...

Não ligue. Para o professor não há nenhum português (e não sei se estrangeiro) com mais de 45 anos (também não sei se é esta a idade mínima ou, se mesmo os mais novos não serão perigosos concorrentes) que não seja potencial candidato a PR. Por mim, conservo do senhor prudente distancia, não vá o diabo tecê-las.

jsp disse...

Um exemplo bem concreto do conceito "tolinha".

francisco cruz disse...

Eu não tenho dito? O despeito, quase ódio, está entranhado. Vai moer, e moer, e moer antes de o autor do blog perceber que não é coisa boa. Desejo, apesar de tudo as suas melhoras.

João Gonçalves disse...

Tem bom remédio, não leia.

C Vidal disse...

Em relação a esta Warhola (para me referir a um artista que muito me interessa por várias razões, e que esta personagem copia no penteado "em si"), esta imitação sem nexo, uma coisa: não deve haver criatura mais medíocre, vazia e oportunista na chamada política portuguesa. Que se candidate pois. Agora tenho de acompanhar este post! É a vida.

Justiniano disse...

Pois...meu caríssimo Vidal!! Estas páginas, aqui do caro J. Gonçalves, fazem-me, por vezes, lembrar um jornal diário que, diariamente, lia! Insistia em lê-lo!! O Público, comprava-o instintivamente e sempre com a secreta esperança de que, nesse dia, duraria mais do que a folheadela habitual, em ritmo de fuga, impaciente!! Que por lá me pudesse louvar nalgum escrito ou descrito...Mas, nada. Ritual insano!! Desisti dele há uns dez anos, já nada ali me comovia e o hábito perdera-se!!
Um bem haja para si e aqui para o caro J. Gonçalves