Rui Machete deu-me aulas de direito administrativo em 1981. Recordo o gentleman que se passeava à nossa frente (nunca se sentava) e que dissertava intervaladamente em português e em alemão. Insistia em duas ou três coisas sobre os quais tinha escrito para o Dicionário da Administração Pública (boas) e para a Enciclopédia Luso-Brasileira da Verbo, particularmente o verbete "Portaria". Chamava vagamente a atenção se estávamos a falar mais alto ou a ler jornais na aula, mas permitia que trocássemos impressões sobre a indecifrável frequência com que nos brindou. Até um hoje ilustre professor catedrático da FDL obteve um absurdo nove (9) nessa frequência sobre matéria que viria a leccionar e a escrever abundantemente. Machete era cordial e pouco maçador nas orais. Costumava perguntar se um sinal de trânsito equivalia a um acto administrativo. Uns escassos anos passados sobre isto, Machete presidia ao PSD e era vice PM de Mário Soares no "bloco central". Cavaco, já então "dono" do partido, mandou-o assinar, nos Jerónimos, em Junho de 1985, o tratado de adesão a seguir a Soares. Decorreu este tempo todo e, sem que nada o fizesses esperar a não ser o alegado "dever patriótico" murmurado no Palácio de Belém, Machete aceitou regressar ao governo para ser o MNE de Passos e de Portas, não necessariamente por esta ordem. Não tinha ninguém na véspera de tomar posse e, segundo consta, "escolheram-lhe" praticamente toda a gente salvo a secretária pessoal. Ontem, a despropósito, fez saber que, afinal, não tinha adquirido umas acções ao preço x mas, sim, ao preço y como quem diz "não se esqueçam de mim apesar da Síria". Não terá, evidentemente, sossego. Para quê?
Sem comentários:
Enviar um comentário