«O despedimento de Álvaro (enfim, toca a muitos...) mostra o que é o Governo e o ambiente político português. Foi o único ministro dedicado às decantadas "reformas estruturais". No meio de muita tralha, fez, apesar de tudo, a mais importante reforma laboral desde 1975 e tentou desafiar poderes rentistas (como na electricidade), tudo coisas com real importância para a competitividade. Pois foi a única vítima do "novo ciclo", curiosamente dedicado ao "crescimento". Os comentários à sua partida foram depreciativos, amarfanhantes mesmo. No jornal ‘Expresso’, por exemplo, num daqueles sítios de seta para cima e para baixo, foi visto como o "patinho feio" que "não deixa saudades". Mas recorde-se a verdadeira moral da fábula: o patinho feio era, afinal, um belo cisne. Bem, não é fácil ver Álvaro encarnar num belo cisne, mas ajuda compará-lo com os tristes patinhos que ficaram. Álvaro foi despromovido, ou terá antes sido promovido para fora do Governo?»

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