25.8.13

In memoriam António Borges


 


Morreu o dr. António Borges. Quando pertenceu à direcção política do PSD de Ferreira Leite, algumas vezes denotei aqui que nunca cheguei bem a perceber (mea culpa) o que é que o levou para lá e o que é por lá fazia pois não tinha qualquer lastro da política corriqueira doméstica que o recomendasse para tamanho sarilho. Depois, o acaso da mesma política fez com que tivesse contactado de perto com ele, sobretudo no verão passado, quando se discutia no Governo o modelo de gestão da RTP. António Borges, já muito debilitado fisicamente mas com uma vivacidade intelectual estimulante e uma coragem inexcedível perante a doença, nunca falhou com a sua presença em nenhuma das reuniões a que se comprometeu, envolvendo a  tutela representada por Miguel Relvas, a administração da RTP e os assessores jurídicos, técnicos e financeiros da empresa. A última vez que o vi aconteceu em S. Bento aquando da apresentação dos vários modelos alternativos ao ainda primeiro-ministro e aos então ministros de Estado. A lembrança que retenho de António Borges é a de um homem civilizado, cordato, estudioso e sinceramente interessado pelo futuro do país, sem que tivéssemos de estar sempre de acordo com ele ou ele connosco. Cada vez que emitia a sua opinião fosse sobre o que fosse, caía-lhe meio mundo em cima (a começar por algum teoricamente perto dele) porque em Portugal é proibido pensar sem ser em modo estritamente amanuense. Borges foi uma personalidade pública polémica e, para mim, isso basta. Curvo-me, neste domingo ainda mais triste do que os meus domingos costumam ser, perante a sua memória.

3 comentários:

Alblopes disse...

João:o facto de já ter saido de assessor do ministro da economia,não lhe dá o direito de fazer afirmações como a que aqui escreveu:"ao ainda primeiro ministro"!Há um ditaro velho que diz:"não cuspas na mão que te deu o pão"!

Cumprimentos!

João Gonçalves disse...

O "ainda" deve-se às confusões de Julho. É para termos a certeza semântica e, por arrasto, a da presença físico-política do citado no cargo. E já trabalho, por sinal, há 25 anos fora a tropa.

Alblopes disse...

Eu também trabalhei durante cerca de 40 anos num banco. Até posso dizer o nome:o Banco Pinto & Sotto Mayor.Que,infelizmene,foi "acrescentado" ao BCP!E ainda hoje tenho saudades do que ali passei,desde a minha entrada, em 1961,que consegui ajudar a que aquela Casa Bancária se transformasse no melhor banco da praça em poucos anos!E fui ali bem tratado!Já no BCP as coisas mudaram um pouco. Mas,também ali,não fui desleal, apesar de tudo!E continuo a não "cuspir na sopa"!
Quanto à sua resposta,confesso que fiquei baralhado. Porque,talvez por culpa minha,não o entendi bem!Mas,volto a repetir:já não basta a demagogia dos que continuam a dizer que o que é bom é o que nos trouxe até aqui,como ainda as pessoas,como o João,capazes de interpretar o que se passou,ainda venham para aqui a criticar os esforços do 1º.ministro. Não sei se o João conhece bem a "vida"do Passos Coelho e dos seus familiares. Mas eu lhe direi:trata-se de uma família HONESTA, com vários problemas,sobretudo a nível de saude num dos irmãos do Passos e que toda a vida se tem dedicado a fazer o bem. O Dr.António é um autêntico João Semana!Coisa que o João porventura desconhece!Não posso é admitir que subrepticiamente critique o Dr.Passos Coelho,com esse inacreditável "ainda"!Afinal o João quer lá novamente o sócrates? Ou o seguro?Ou os dois ao mesmo tempo?E ajudados pelo soares?