O dr. Lomba, secretário de Estado adjunto do prof. Maduro, brinda os leitores do Público de domingo com uma bonita redacção sobre "uma agenda para a imigração". Apesar de recorrer ao português acordográfico presumivelmente em homenagem a tão vasta "agenda" que ele jamais deve ter sonhado que um dia lhe ia cair em cima. E que nos diz Lomba acerca disto? Desde logo que existe (como não?) «um importante consenso político na sociedade portuguesa» em matéria de imigração. Desde, aliás, os anos 90 quando «o modelo de entradas representou precisamente o modelo de desenvolvimento assente em obras públicas, que criaram um efeito de chamada para muitos imigrantes indiferenciados», para além de «a instabilidade política e social nos países de língua portuguesa» ter aliciado «muitos imigrantes à procura de uma vida melhor no nosso país.» E tudo daí em diante correu em ambiente pastoral como se sabe frequentando a velha Porcalhota ou a Cova da Moura: «Portugal soube responder a estes fenómenos com uma política de imigração ambiciosa e socialmente pacificadora. Essa política, cruzando diferentes governos, deu frutos.» Mas eis que chegaram as "mudanças" com "a globalização, as crises financeiras, a recomposição económica entre o Norte e o Sul" e o dr. Lomba, atento a elas um pouco por todo o lado, incluindo as ocorridas nos países de origem, explica que «estas mudanças exigem políticas de imigração em sintonia com novas lógicas de mobilidade internacional e inter-regional» que «torna, pois, necessária uma política ativa de imigração que procure identificar e captar a imigração de grande valor acrescentado para o nosso país, ao mesmo tempo que persista no investimento social e profissional dos filhos dos imigrantes que já nasceram e cresceram em Portugal.» Mais. «Portugal enfrenta a mais baixa pressão migratória desde abril de 1974. Se temos hoje as mesmas preocupações de integração dos nossos imigrantes, esta é também a altura para adoptar outras estratégias de captação. Uma nova política de imigração passa por identificar o novo perfil migratório do país, definindo os melhores incentivos para a sua fixação e sensibilizando atores públicos e privados para esta realidade. E passa por organizar uma estrutura orgânica e operacional que, a partir da armadura institucional já existente, dê concretização a estes propósitos. A crise do país não será resolvida com soluções meramente nacionais. Ninguém pode acreditar nisso. Portugal precisa de quem nos abra o "espaço" que não temos e as oportunidades que nos faltam. Pensada e desenvolvida como política integrada, a nova imigração pode ser uma saída criativa e eficaz.» Isto inclui, de novo em modo pastoral pseudo-cosmopolita, «investigadores e estudantes internacionais de elevado potencial que trabalham em rede e buscam cada vez mais centros de excelência mundiais onde encontrem as condições certas para desenvolver o seu trabalho, em parceria com outros investigadores» e «residentes de longa duração e reformados de todo o mundo que podem encontrar na amenidade do país as condições certas para poderem desfrutar do tempo e dos rendimentos acumulados.» O novo léxico do secretário de Estado não consola os antigos leitores do cronista e bloguista Pedro Lomba que escreve tão bem, e com um módico de senso, em português. Imagino que nem sequer o deve consolar a ele.
8 comentários:
O conceito de imigração "de grande valor acrescentado" vai decerto ficar na História do consulado Lomba. As piedosas teses integracionistas do artiguelho nada ficam a dever às do Doutor Salazar. O cómico almoço no Pabe pode ter influído gravemente nos eflúvios cerebrais lombares.
Em tempos idos , o Camilo referiu fenómono semelhante com um nativo de Caçarelhos...
:)
Mais um vendido. Se fosse só ele estávamos bem.
... mas vomecês ainda passam cartuxo a esta miudagem ? eles são simplesmente doutores, nada mais !
Que pobreza este governozito magarefe de fraca figura...
Espero que os portugueses saiam da letargia pelo voto no final de setembro...
Ana, perdoe a "provocação", mas não se esqueça de que sou troglodita...
Cpmts.
Este tipo poe os de casa para fora e os de fora ca para dentro com uma simples ideia de os pagar a 100 euros por mes
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