Segundo o Tribunal de Contas, o Estado uma vez mais falhou a sua própria reforma. A sua propriamente dita e a do chamado "Estado paralelo", esse maravilhoso universo de institutos, empresas públicas e equiparadas e, até, de bancos que continuam indemnes a prosseguir a sua nobre função de "centros de emprego" especiais. De dentro do Estado só avisto "tomadas de posse" e concursos, pressurosos ou atrasados, para cargos de direcção. O Tribunal explica: «o universo inicial estava sobreavaliado, originando uma meta de redução de 27%, a qual, na realidade, nunca será atingida, podendo alcançar-se no máximo 19%.» Mais. «A redução de estruturas e de cargos dirigentes preconizada pelo PREMAC por si só não assegura uma restruturação da administração central do Estado, configurando-se mais como um processo de fusão de organismos mantendo, de um forma geral, as mesmas competências e atribuições, distribuídas por um número inferior de estruturas.» Aparentemente quem manda apenas está interessado em "mobilizar" trabalhadores para o olho da rua - uma das conclusões da leitura do trabalho do TC é mesmo essa: "sobem" os dirigentes e "diminuem" os trabalhadores -, independentemeente do expediente utilizado, do que em "reformar" o Estado e seus derivados. O "ajustamento", ou seja, a remuneração dos trabalhadores investidos em funções públicas que permanecem no activo ou aposentados em escudos, apesar de formalmente em euros, é a única coisa alcançada como sublinhou gravemente o senhor PM na sua entrevista. Triste vitória.
1 comentário:
""sobem" os dirigentes e "diminuem" os trabalhadores"
JG, o Portugal moderno, da racionalização e da especialização, tem sido assim, mesmo na parte privada. Em tempos era comum ver, até nos pasquins, tantos cargos de estrutura como carne para canhão depois sujeita e despedimento colectivo para emagrecer a arraia miúda.
Nenhuma originalidade, nenhum avanço nem civilizacional nem económico-financeiro e de product placement.
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