19.12.13

A deriva estratégica nacional


 


«Certamente que hoje e amanhã, no Conselho Europeu que está a decorrer em Bruxelas, se perceberá se há ou não sinais de mudança - ela joga-se no dossiê da união bancária, que visa colocar sob a supervisão do BCE as instituições financeiras da zona euro e quebrar a ligação entre as crises bancárias e as dívidas soberanas dos Estados. É um dossiê crucial para o futuro da União Europeia, que vem confirmar que a questão europeia se tornou o mais importante, e talvez dilacerante, problema de política interna dos povos europeus. Não se deve, por isso, perder a oportunidade de fazer das eleições de Maio de 2014 para o Parlamento Europeu um momento de aprofundado debate político sobre os impasses a que nos conduziu o europeísmo e sobre a estratégia para os ultrapassar.»


 


M. M. Carrilho. DN


 


 


«As manobras para o futuro da crise europeia passam mais uma vez pelo eixo franco-alemão, com o terceiro Governo de Merkel a iniciar operações. Todas as instituições europeias falam do futuro de Portugal, ameaçando o Tribunal Constitucional com a profecia de um novo resgate. O Governo português, que sempre se tem comportado como um filho menor na família europeia, parece estar agora a desistir também de ter uma voz própria na configuração do seu próprio destino, nem que seja na escolha das grilhetas que nos serão impostas depois de Junho de 2014. A procura de entendimento entre PSD e PS em torno da baixa do IRC, quando no fundo o que importaria seria saber o que separa, ou pode unir, os dois partidos naquilo que é essencial - o nosso lugar no futuro da arquitectura política europeia -, aparece como uma fútil caricatura da deriva estratégica em que há muito o País se deixou enredar.»


 


V. Soromenho Marques, idem

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