
Ontem a dra. Teresa Leal Coelho, uma desgraça enquanto porta-voz "tudóloga" do PSD (ainda ninguém deu por isso?), apareceu a perpetrar uma espécie de interpretação autêntica do sr. Draghi. Nas palavras dela, o sr. Draghi de maneira alguma quis dizer que Portugal precisava de um "programa cautelar" e, muito menos, o país, através do Governo, anda a preparar o que quer que seja nessa matéria. O sr. Draghi, porventura sugestionado pela sua magnífica tradutora, acabou por dizer que competia ao Governo - na circunstância o português - explicar do que é que realmente precisa quando terminar o "programa de ajustamento". Depois surgiu o fatal comissário Rehn a dizer que fala bastante com o Governo português e, entre outras coisas, do que se seguirá ao dito "programa". Este patético jogo de sombras presumivelmente destina-se a fazer os portugueses ainda mais parvos do que eles já, por regra, são. Note-se que esta demência torrencial não acontece por acaso. O Governo há muito que deixou de ter o "seu" programa. Só "vive" para o de "ajustamento" o que, se levado a sério, o torna dispensável a partir de Maio. Depois, e após vinte e tal longos estúpidos dias de inexplicável burocracia parlamentar, o OE seguiu para Belém onde reside um aliado de circunstância que, todavia, tem de ler a Constituição que jurou cumprir e fazer cumprir. E com uma decisão jurídico-constitucional por estes dias sobre a chamada convergência das pensões, era preciso que o jogo de sombras tivesse algum jogo de fumos pelo que emergiu a extraordinária deputada Marques Mendes que os lançou através de um "relatório preliminar" sobre swaps, num perfeito exercício de spin que, decerto, o seu irmão não pode ter deixado de aplaudir. Tudo somado, era política e intelectualmente mais honesto dizer ao país que sim, que apesar de não estar ainda "desenhado", o "programa" pós-troika está a ser pensado, embora as "ideias" não seja o forte desta gente. Ninguém aterra "limpo" no "mercado" com uma dívida como a nossa, com juros como os nossos, com incertezas como as nossas e com uma Merkel como a deles. Qual é a parte que fingem não perceber?
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