
David Justino foi ministro da educação. Presentemente aconselha o Presidente da República. É professor. Tem bom senso. Não é suspeito. Nesta entrevista, sem o citar, acabou por dar uma "lição" ao incumbente da 5 de Outubro. O caos e a insegurança que Nuno Crato lançou abrupta e estupidamente no mundo da educação e do ensino superior, acabou por frustrar as expectativas que acompanharam a sua escolha. Curiosamente não vemos o primeiro-ministro muito preocupado com os danos que as trapalhadas do ilustre professor provocam num sector, o da qualificação, do qual depende também o famoso "futuro" que nunca sai do discurso único do "financês" que adoptou. Como se a educação, a cultura, a investigação e a formação superior fossem filhas de um deus menor que não cabem nas simplificações do "ajustamento". Mas não são, de facto. Crato anda à solta. E não lhe ocorre que já está a mais há demasiado tempo. Haja alguém que faça o favor de lhe explicar.
3 comentários:
Concordo com o principio da avaliação para os professores. Não concordo com esta forma trapalhona que o Sr. Ministro arranjou para a executar, mas a ideia é boa.
Quando saí da Universidade era "licenciado em engenharia". Tive de ir á OE. Para minha sorte, o curso era "creditado" e fui dispensado do respectivo exame. Tive apenas de me sujeitar a um estagio orientado por um engenheiro inscrito na OE. Também se pode apresentar um CV onde se demonstre três anos de experiência em funções equivalentes as de "engenheiro". Foram mais algumas formalidades, mas no essencial foi assim (já lá vão uns anos e julgo que ainda é assim).
Só depois adquiri o direito a ser "engenheiro".
Podiam adaptar a "coisa" aos professores, mas como querem fazer é uma violência para com aqueles que já têm alguns anos de carreira, agora meteram-se nesta treta com os sindicatos. Pior a emenda que o soneto.
O Engenheiro acima fala de outro tempo. De alguns anos para cá a produção de relatórios, avaliações, auto-avaliações, avaliações pelos alunos, agências de avaliação - etc. - é uma enxurrada de papeis e comissões constante. Pode-se lamentar o seu principal efeito, a desresponsabilização dos professores e das suas direcções; bem como o segundo efeito, a multiplicação das tarefas burocráticas e das pessoas e horas para as executar. Mas pretender que não se sabe o que os professores andam a fazer conduz-me à minha infeliz questão do costume: o responsáveis dos testes é estúpido, ou pensa que os outros são? "Amandar umas bocas na tv" um ministro não prepara.
Apenas mais um sintoma do Vazio, de valores e projectos, que nos desgoverna
Ás vezes, quando fico demasiado irritada com o estado de tudo "isto", lembro que a palavra "avaliação" nem sequer existia durante grande parte da minha vida. Existia outra, bem mais objectiva, chamada classificação. Cada um sabia com o que contava e não havia parâmetros esquisitos, nem critérios feitos "ad hominem".Quem sabia, tinha boas notas; quem não sabia, chumbava.Quem era competente começava por demonstrá-lo na Faculdade, depois no estágio e, por fim, perante o mais implacável dos públicos - os alunos. Foram bons tempos, até os dinheiros da CEE começarem a encher os bolsos duma multidão de formadores, com frequência primando pela ignorância, pelo oportunismo, pelo desplante...
Assim nasceu o reino da subjectividade medíocre nas escolas. Por fim, como cereja no topo do bolo, fez-se (sem referendo) a "regionalização" das escolas, agora pequenas autarquias com os seus caciques, as suas cortes, os seus sabujos, os seus pequenos, mesquinhos interesses e, sobretudo, um inenarrável culto da bur(r) ocracia. Temos assistido ao êxodo dos melhores professores, por não poderem ,nem quererem suportar esse sufocante microcosmos.
Enfim, como desabafo final, tenho pena de que o "explicador", já não seja ministro. Foi uma perda incalculável: um homem notável sacrificado à descomunal ambição dum maoísta arrependido e remetido agora ao serviço de outro da mesma extracção.
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