30.12.13

O acto político do ano e o fardo da liderança




Segundo o bem informado dr. Marques Mendes, há fortes probabilidades de o Senhor Presidente da República, desta vez, nem sequer enviar o orçamento de 2014 para fiscalização sucessiva da respectiva constitucionalidade. Não deve espantar ninguém. O Doutor Cavaco Silva estará presumivelmente satisfeito com o "chumbo" da chamada convergência das pensões e, quanto a Constituição, chega. Para além disso olha para 2014 com um imenso pavor político e, mesmo sem mostrar o relógio, decerto terá o dele "acertado" pelo do dr. Portas e o "discurso" afinado pela língua de pau do fim dos tempos "à portuguesa", o dia 17 de Maio próximo futuro. Sucede que o orçamento, entre orçamento propriamente dito e as várias rectificações a que começará a ser sujeito logo nos primeiros dias de vigência, persiste para lá de Junho. Tal como a austeridade (sob a forma de "outra coisa qualquer" para usar a terminologia do senhor PM) da qual o referido documento é um notável emblema. Por isso, e ao findar um ano que cola com o seguinte, cumpre escolher, em "homenagem" a este tão bonito momento de "solidariedade estratégica e institucional", o acto político mais relevante e sério (porque existe o não sério, mais conhecido por "irrevogável e não dissimulado" de 2 de Julho)  de 2013. E esse acto notável é a carta de demissão do dr. Vítor Gaspar de 1 de Julho, o ponto de chegada que toda a gente finge que não leu.

3 comentários:

João Vargas Moniz disse...

Aguardo com expectativa que o meu amigo assuma a condição, natureza e circunstância da criatura.
É que a natureza não é ofensa e muito menos ataque pessoal.
É assim, porque é assim.
E o homem, coitado, para além de estar na génese da destruição do país - o que lamentavelmente tem sido atirado para cima daquele tipo sério, honesto, ainda que fraco, chamado Guterres, - sendo por isso o primeiro responsável do desastre da Pátria (sabemos quem será o último...), o homem, repito, não dá mais (ainda que sempre tenha dado realmente pouco). Esgotou-se, como a bilha de gás que nos arrefece a água do duche.
Bem podia regressar a penates. Sempre era menos um a rodar na tômbola.

Fernando Ferreira disse...

Caríssimo João, aproveito este meio para lhe desejar um Ano Novo de 2014 dentro das suas possibilidades e para lhe recordar que hoje, 31 de Dezembro de 2013, começou o desmantelamento do simulacro da alegada política industrial deste (Des)Governo com a retirada formal ("recesso") da República Portuguesa do tratado que institui a ONUDI (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial) de era Estado membro fundador: é só ler a I série do Diário da Republiqueta em que nos transformámos...

dúvidas disse...

Pergunto-me se o falecido Ernâni Lopes teria as gabarolices gasparinas.
Entradas de leão saídas de sendeiro.
E o resto é sempre a descer---duma ponta à outra da elite(elite!!!)política.
Que Deus nos dê juízo e um ano melhor.