
O dr. Passos tem um problema com as remodelações governamentais. Andou a "cozinhar" uma de secretários de Estado durante quase quinze dias. Levou mais de uma semana para substituir Miguel Relvas com o sucesso que se vê. Finalmente esteve o mês de Julho quase inteiro, com o beneplácito de Belém, a mexer no Governo por forma a resolver, a benefício exclusivo dele, a neura do senhor presidente do CDS. Agora é anunciado na praça pública - e pelo próprio pelo menos em declarações em off - que o dr. Rosalino (o "ajustador implacável" da função pública e um dos cabeças de cartaz político da defunta convergência das pensões), pelo menos desde o pedido de demissão de Vítor Gaspar, se queria ir embora. Ontem, justamente no dia em que uma das suas "obras magnas" foi deitada pela borda fora, o pobre do dr. Rosalino não mais calou o desejo de largar a câmara ardente em que estava afinal enfiado há seis meses. Ora o dr. Passos já deu largas provas de que aprecia triturar os seus colaboradores (e até amigos) em fogo brando, com aquela calma baritonal que o distingue, como se o Governo não fosse uma coisa nacional a que convém um módico de "espaço interior" bem e rapidamente resolvido. O senhor vice, que gosta de relógios, podia oferecer um ao seu superior hierárquico pelo natal. Para ver se ele "ajusta" o seu tempo político com o do país. E antes que o país comece a rever o tempo do dr. Passos.
2 comentários:
Está a ser simpático, o problema do Dr. Passos é Portugal existir e para complicar ainda vive cá gente. O problema dele são as pessoas e ter de governar para elas. Tarefa para a qual é inapto. E nem a pose de mestre-escola a parecer inteligente o safa. É que isto de parecer e ser não é bem a mesma coisa.
Contagiado pela anonia nacional, não me deixei surpreender em demasia com a varridela do Dr. Rosalino. Ainda assim aposto que tinha tanto desejo de sair da cripta quanto eu de entrar nela; mas enfim, foi esmagado por 13-0 e ou saiu (esmagado) ou empurrado (sem prestígio).
O Tribunal Constitucional surpreendeu pela coragem; é certo que ganhou "espaço" no acórdão das 40 horas, mas aqui (nas 40 horas) fez tal cambalhota jurídica para fazer o frete ao Governo que havia boas razões para temer o pior.
Mas enfim, com todos os seus defeitos - e eu detesto o TC - continua a ser apenas o que resta do Estado de Direito.
O que vai sendo delirante nas horas que passam é isto: o Presidente do TC deixou ontem claro - clarissimo -. que as pensões fixadas não eram susceptíveis de assalto à mão armada, em nome do princípio da protecção da confiança (et pour cause, não creio que este princípio, genético da civilização ocidental e florescido em Roma, possa ser assacado aos delírios do PREC). Eu entendi, e não vi nenhum comentador que não entendesse assim. Todos, sem excepção.
Eis, porém, que aquilo que parecia irreversível se torna discutível no juízo contabilistico-jurídico do Governo.
Fico perplexo.
Talvez Passos Coelho esteja com o síndrome de Paulo Portas. Talvez tenha apreendido o conceito de irrevogabilidade e de dissimulação.
Mas vai sendo cada vez mais difícil distinguir o que é matéria de Estado do que
é birra e vingança do dono da bola que não dá uma para a caixa.
Entretanto o Prof Cavaco perdeu validade e credibilidade (será que ainda tinha alguma?) Seguro não existe e o inefável Prof Marcelo pode reformar-se do ensino de coisas que no tempo do Prof Marcelo Caetano eram sérias e passar a leccionar gestão do lazer e animação turística.
E agora? Novo corte em regime travesti, novo chumbo.
Ou não?
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