2.2.12

Uns rabiscos

«Criticam-se os políticos por não terem ideias próprias. Mas se alguém assume com frontalidade alguma causa, vira-se logo o disco: é sede de protagonismo ou ressabiamento. Acusam-se os políticos de só pensarem em "tachos". Mas se alguém mostra desprendimento e lida com esses lugares sem abdicar da sua consciência, vira-se logo o disco: é oportunismo ou traição. Lamenta-se que os políticos pactuem com a desonestidade. Mas se alguém ousa pôr os valores acima do resto, vira-se logo o disco: está a "morder a mão que lhe deu de comer". E assim sucessivamente...


É uma técnica retórica elementar, é o chamado "truque da tenaz", que ao longo da História tem sido usado com frequência por regimes totalitários e políticos populistas. O mundo mediático criou as condições para este truque reaparecer em força, garantindo o ganha-pão a muita gente que fala de tudo sem saber realmente nada. A estes "tudólogos" basta-lhes ir parasitando a actualidade, usando a tenaz e dando corda ao que apetece ou calha dizer. Afinal, são só mais uns "rabiscos"...»




Manuel Maria Carrilho, DN

4 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

"Mas se alguém mostra desprendimento e lida com esses lugares sem abdicar da sua consciência, vira-se logo o disco: é oportunismo ou traição."

A propósito, não foi J. Sócrates quem o nomeou para a Unesco? A tal "mão que lhe deu que comer"? Ora ora...

Marão disse...

Só depois de reformados certos ferreiros nos querem ensinar como se tempera a tenaz. Uma questão de usar o espeto mesmo de pau quando convém.

S.Guimarães disse...

MMC não é um tudólogo " ?
Se não é parece e os seus lamentos "cheiram" a ressabiamento e anseios mal controlados.
Olhe meu caro, dedique-se ao que melhor sabe fazer, ou seja ensinar filosofia.

PALAVROSSAVRVS REX disse...

Eu sinceramente acho que o Lello é uma tenaz de estrume e Carrilho um desperdício de brilho. Merece responsabilidades de Estado. Ponto. Confio nele.