6.2.12

É tão simples quanto isto

«O Carnaval não é um feriado. Criou-se um hábito de o Governo dar essa tolerância de ponto. Mas não estamos num ano qualquer. Estamos numa emergência nacional. O país está confrontado com a circunstância de saber que precisa de cumprir um programa de ajuda externa. Espero que os portugueses percebam que não estamos em tempo de falar de tradições - é preciso distinguir entre “quem quer superar a crise” e “quem quer ficado agarrado às velhas tradições”.»

6 comentários:

Mário disse...

E porque motivo PPC esperou até ao ultimo momento para comunicar a não concessão da tradicional tolerancia de ponto? Podia tê-lo feito com antecedencia, permitindo assim que os organizadores dos diferentes carnavais, de norte a sul de Portugal, organizassem as suas actividades no pressuposto de que iriam ter reduzida afluencia. Mas não....PPC optou por só comunicar a decisão quase no ultimo minuto, quando as despesas estavam feitas e já não era possivel voltar atrás. É isto que está em questão.
Porquê só comunicar a decisão no ultimo momento? Guardou a decisão na gaveta este tempo todo e só agora a comunica porquê?

Anónimo disse...

É um direito que asiste ao governo, dar ou não a tolerância de ponto. Mas convinha melhorar a argumentação. Julgo que não há mal nenhum agarrarmo-nos às velhas tradições, sem que isso signifique que não queiramos superar a crise. A supressão de feriados é um fait-divers, que em nada contribui para superar crise alguma. Isso toda a gente percebeu. Senão, eu estaria a lutar não pelo fim de 4 mas de todos. Os feriados e as festas são necessárias a qualquer sociedade civilizada. Só devem ser anulados ou criados se o seu valor simbólico for relevante ou não. Não por questões de ordem financeira. Se o governo entende que não deve dar o carnaval, tudo bem. Mas não nos insulte. Porque aquela frase soou-me como um insulto. Porque pergunto porque raio andam os ministros com a bandeira de Portugal ao peito. É que isto de ser português não passa de uma velha tradição. Não é algo que seja inevitável. Temos antepassados que nunca foram portugueses, e estão na génese da nação.

tric disse...

eu quero ficar agarrado às tradições, já estou farto de modernices e de revoluções culturais...ainda por cima revoluções com energia made in China!

observador disse...

Creio que estão todos equivocados.

1º - A tolerância de ponto do Carnaval foi vítima da perfeita sintonia entre o Presidente Cavaco Silva e o governo, que foi posta em causa por uns chicos espertos, armados em inteligentes e intriguistas.
Assim, para se demonstrar a boa harmonie entre ambos, o governo decidiu reeditar a celebre medida do então PM Cavaco.

2º - O timming foi perfeito, visto que, se fosse mais cedo, as Comissões de Corsos entravam numa de poupanças, diminuindo assim o IVA cobrado ..

lurdes@gmail.com disse...

«A supressão de feriados é um fait divers». O sr/sra já ponderou o custo de 1 feriado pago com horas a 200% e respectivo direito a folgas em todos os hospitais, centros de saúde, esquadras de polícia etc. do país? Agora multiplique isso por 4 e veja o impacto na despesa pública. Isto é só um pequeno exemplo.

xico disse...

Não há almoços grátis. A tradição significa a transmissão de práticas ou de valores espirituais e culturais de geração em geração, o conjunto das crenças de um povo, e que essa transmissão deve ser feita de uma forma conservadora e com respeito através das gerações. Isso também é cultura. E isso custa dinheiro. A cultura também não é grátis. Quer acabar com ela? Os feriados fazerm parte da tradição e da transmissão dos conhecimentos entre gerações. É um dever cívico preservar a tradição. Sem isso não há hospitais, centros de saúde, ou esquadras de polícia. Porque tudo isso advém do facto de sermos civilizados. E a civilização só existe pela tradição. Senão estavámos como estão os animais. E a propósito do Carnaval, que foi feito para o riso, resta dizer como Aristóteles: "O Homem é o único animal que ri". E sabe que vai morrer, acrescento eu. Por isso ri para afugentar o medo da morte.