
D. Carlos, numa carta, afirmou que chefiava uma "monarquia sem monárquicos". Nos dois últimos anos de vida, com João Franco, o rei desejou um regime decente e o fim do "rotativismo". Republicanos e membros dessa "monarquia sem monárquicos" conspiraram para que isso não acontecesse. Falharam o golpe de 28 de Janeiro. Decidiram-se pela eliminação física, faz hoje anos. D. Carlos I regressava a Lisboa. Desembarcou, cerca das 17 horas, no Cais das Colunas, meteu-se na caleche com a Rainha e os dois filhos, seguiu para a Rua do Arsenal e, na esquina com o Terreiro do Paço, os tiros traidores acabaram praticamente com a monarquia constitucional e com o liberalismo, no sentido benigno do termo. Até hoje. Dois anos depois, o "PRP" do dr. Afonso Costa tomou de assalto o Estado e reduziu a tradição liberal a uma caricatura. Écrasez l'infâme - isto é, o "rebanho" constituído pelo "povo" que ignorava e desprezava uma República erguida, no fundamental, contra o "povo" e a igreja - foi o lema do Partido Democrático do dr. Costa durante o nefasto período em que nos pastoreou a partir de Lisboa. O Estado Novo recolheu os despojos, eliminou o pior jacobinismo, cavalgou o despeito popular do interior e da tropa contra os "progressistas" do dr. Costa e aproveitou a sementeira anti-liberal e anti-democrática da I República para plantar a sua. Tecnicamente o "25 de Abril" poderia ter recuperado essa tradição liberal interrompida pelos assassinos de 1 de Fevereiro de 1908. Não conseguiu. Se hoje estamos mais "modernos" e menos periféricos, não o devemos tanto à política doméstica quanto à Europa. Mesmo Cavaco, quando fez o que devia ter sido feito muito antes dos anos 80 e 90, fê-lo porque já pertencíamos à União Europeia. Sem ela, nunca teríamos passado de uma razoável estância balnear. Foi uma pena ter-se sacrificado um homem bom, amante da vida, liberal e patriota praticamente para nada. Dito isto, não há "restaurações" nem "incursões" platónicas por petição. A questão do regime está morta e enterrada. E bem.
12 comentários:
«A questão do regime está morta e enterrada. E bem.»
Não, não está.
Um pouco a latere: Rui Ramos aparecia regularmente na TV e era dos poucos comentadores que ia (lamento não poder dizer "vou") tendo paciência e interesse em ouvir. Porque será que desapareceu dos écrans (ou estarei enganado)?
É por isso que se está como se está. Em vez de se sarar as feridas da História, e aprender como os erros, passamos os dias a infecta-las.
Respeitinho e juizinho, Dr. Gonçalves. Nada de desvarios.
Não, não está.
Enquanto não se perguntar ao Povo que regime quer, como se fez no Brasil, nunca estará. Recorde-se que no 5 de outubro estámos numa democracia em que havia republicanos eleitos para o parlamento e que, depois, os monárquicos não puderam sequer ir a votos ou, em muitos casos, sequer votar.
Recorde-se ainda que os presidentes da III república têm sido parte do problema político português - porque são da oligarquia política que nos (des)governa.
Recorde-se que a Casa Real espanhola custa UM TERÇO da Presidência da República portuguesa (fora o que custam os ex-presidentes e respetivas FUNDAÇÕES...).
Sabemos que é republicano - e ainda bem que o assume - mas a maioria do povo português nunca se pode pronunciar sobre o assunto (ou nem sequer o deixaram pensar sobre o assunto).
Esta é uma boa altura para reformar o Dr. Cavaco, para parar com os queixumes e gozas a(s) reforma(s) e puder brincar com os netinhos.
Eu, não quero a monarquia. Sou republicano.
1 - voto.
Sinceramente, também não me parece que este assunto esteja morto e enterrado. Não é coisa que desapareça com wishful thinking. Basta ver, aliás, o entusiasmo que gerou o centenário da república: meia dúzia de gatos pingados, de trombas uns com os outros, em cima de um palanque ranhoso, embrulhados numa bandeira horrível. Até as televisões desistiram dos directos antes do meio-dia.
Para nem sequer falarmos no total desprezo que o actual Chefe do Estado votou às ditas "celebrações". Fez bem.
A partir da morte sem descendência de D.Manuel em 1932 passou a ser de facto mais dificil uma restauração consensual. Salazar manteve sempre uma ambiguidade calculada(para não dizer calculista) a esse respeito,assim contando com a colaboração de muitos monárquicos. Excepções corajosas foram homens como Paiva Couceiro,Vieira de Almeida,Sousa Tavares,etc,etc. O actual regime foi sendo aceite mais por inércia que por convicção popular. Por isso o "Povo" nunca foi consultado: Durante a I República,em eleições limpas,ganhariam certamente os monárquicos,e no Estado Novo para manter os dois campos em suspensão ambígua. Embora o autor do Blogue considere e assunto ultrapassado,porque será que a Constituição actual ainda impede a alteração da forma republicana do Estado? Pelos vistos ainda restam medos históricos...
A morte de D. Manuel II sem descendência levou a que aquilo que no Pacto de Dover, no batizado da Infanta Adelaide de Bragança, na decisão das Associações monárquicas post mortem rex e no batizado de D. Duarte Pio de Bragança a família real portuguesa decidiu (e, curiosamente, a III república pôs por escrito...) o ramo miguelista dos Braganças, que se uniu ao ramo liberal por via do casamento de D. Duarte Nuno com uma Infanta Imperial do Brasil, trineta de D. Pedro IV, passou a ser o legítimo herdeiro do Rei de Portugal. Salazar, como alguém apegado ao poder, manobrou para dividir e impediu a restauração, com as consequências que se sabe: uma guerra colonial desastrosa, um final de regime penoso e uma III república que deu cabo das finanças do país. Basta ver o que aconteceu aqui ao lado, com Franco e os Bourbons, e o resultado: um país que tinha sido destruído por uma guerra civil e que estava muito atrás de nós ressurgir das cinzas e ultrapassar-nos à grande e à espanhola.
Estamos melhor com um Presidente (ou quatro - porque Eanes, Soares e Sampaio continuam a receber como tal e a ter benesses, como com secretária, segurança, dinheiro para gasolina, chofer e ainda umas fundaçõezinhas) do que estaríamos com Rei, imparcial e fora do sistema partidocrático e caciquista que nos domina? Alguém tem dúvidas de qual é a resposta? E porque será que a casa real espanhola custa um terço da Presidência portuguesa?
O anónimo das 1.34 sabe do Pacto de Dover(que nunca foi consensual e até creio que nem chegou a ser assinado) do casamento de D.Duarte Nuno,etc. O que pretendia naturalmente dizer é que D.Manuel era conhecido pela população,respeitado por muitos inclusivamente pelas trágicas circunstâncias em que subiu ao trono. Os seus filhos seriam portugueses directamente ligados à memória de D.Carlos,D.Luiz,etc. Sem discutir estafadas questões dinásticas,os descendentes de D.Miguel apareceram a muita gente (inclusive a Salazar) como estrangeirados,falando mal a língua pátria,algo inábeis. Não se discute a sua boa vontade ou o seu patriotismo,mas a relevância política com que se apresentaram em contraste com a legitimidade política,repito política, associada a D.Manuel II ou a seus filhos. É por isso que afirmei,e mantenho,que a morte do último Rei dificultou consideravelmente as esperanças monárquicas. Lembro que Salazar,que recebia a activa Infanta D.Filipa,a quem até devia achar interesse,pois era inteligente e animada,como tenho testemunhos familiares,sempre se recusou a receber D.Duarte. Fóra isso concordo com muito do comentário anterior,nomeadamente com as trágicas consequências históricas do regicídio,que de resto ainda hoje pagamos,mas isso já tem sido abundantemente elaborado.
A inveja é um mal português.
É feia, gorda, baixinha e tem mau hálito.
Não se encontra outro povo em que a inveja, de forma tão preponderante, esteja tão presente nas relações sociais, nas instituições, no mundo da política e da literatura, no círculo de amigos e até na própria família.
A inveja dita formas de comportamento, enraíza atitudes e leva à formulação de juízos de valor. Por vezes, torna as pessoas doentias. Aliás, há autores que afirmam haver toda uma sintomatologia da inveja : palidez , olhar abatido, aspecto turvo. E também provocação de ansiedade, perturbações do apetite e alterações do sono.
Já no séc. XVII, o diplomata Conestagio, de Génova, num livro sobre a sua estadia em Portugal, anotava serem “ os portugueses invejosos por índole” e “sentirem com maior desgosto o proveito alheio do que o próprio dano”. E Camões termina o último canto de Os Lusíadas precisamente com a palavra inveja.
Estudiosos da maneira de ser dos portugueses têm chegado à conclusão da inveja fazer parte dos nossos hábitos e costumes.
Mas como se define a inveja?
Filósofos e artistas têm-se debruçado sobre o assunto.
Para Aristóteles, a inveja aparece como uma dor causada pela sorte que bafeja pessoas que nos são semelhantes.
Espinosa definiu-a como o ódio em si próprio. E explica que ela presdipõe o homem para o gozo do mal de outrem e para a tristeza pelo bem de outrem.
Kant considera a inveja uma tendência para observar com dor o bem dos outros.
Dante na Divina Comédia coloca os invejosos no segundo círculo do Purgatório.
O pintor Giotto representa-a com uma boca cheia de serpentes.
Na famosa peça de teatro Otelo de Shakespeare, a inveja aparece associada ao ciúme.
Otelo torna-se ciumento pois tem receio de perder Desdémona, a sua jovem mulher. Lago, outra das personagens, inveja Otelo pelo seu prestígio e também Casio, um jovem escolhido para seu braço direito em vez dele próprio. Lago consumido pela inveja inventa uma história falsa sobre o relacionamento de Casio com Desdémona. Tal facto suscitará o ciúme destrutivo de Otelo.
Incluída no rol dos sete pecados capitais pela Igreja Católica, a inveja pode desdobrar-se em vários graus, segundo psicólogos e psiquiatras.
Assim temos a inveja depressiva, a hostil e a emulativa:
A inveja depressiva centra-se no sofrimento causado pela felicidade dos outros. Os pensamentos negativos dirigem-se contra si próprio.
A inveja hostil leva ao ódio quem nos ultrapassa em terminada área, seja amigo ou familiar. A tentação neste caso é passar uma “rasteira” ao invejado no emprego ou noutro sector social.
A inveja emulativa provoca o desejo de alcançar o mesmo nível de excelência do invejado, o que em si pode ser uma atitude sã.
Mas a inveja permanece sempre como uma derrota perante os outros.
Será possível ultrapassá-la ?
Os mestres espirituais estão convencidos de que sim.
E os sociólogos também concordam.
Como?
Primeiro reconhecendo que se é invejoso.
Depois, relativizar as vantagens dos outros e considerar desapaixonadamente os êxitos alheios.
Os portugueses têm que seguir este caminho para que o mal de inveja de que sofrem, não impeça o êxito das causas nacionais para o bem comum. E, sobretudo, os políticos tenham isso em conta.
O filósofo inglês Francis Bacon bem o disse : “A inveja é um verme que corrói o mérito e a glória”.
E já agora peço-vos...
Deixem de se focar tanto nos vossos próprios umbigos e começem por dizer uma oração altruista de quando em vez....
A sorrir um bocadinho mais todos os dias...
A desejar bem a quem não se conhece...
A não aceitar o principio de que"poderia ser pior" e ficar-se por aí como desculpa para não fazer melhor...
Deixem de se preocupar tanto com as aparencias e com o que os outros pensam de vocês.
Deixem-se de tanta cagança e pretensiosismo.
Fazem-se dias dos namorados,secretárias, valentino
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