Meryl Streep protagoniza, no cinema, Margaret Thatcher. Bem caracterizada, Streep revê a "dama de ferro" de diante para trás. A progenitura, a guerra, a ambição, as perdas pessoais e, sobretudo, a solidão típica dos fortes quando atingem o cume. Solidão agravada num mundo até aí reservado aos homens. Thatcher pertenceu a uma estirpe de dirigentes europeus que simbolicamente já não volta. A destruição dessa Europa começou com Blair, o cretino, uma das mais nefastas "criações" da Inglaterra pós-Thatcher. O que temos por aí de Europa é uma caricatura desses tempos de centralidade política e de glória. Para os europeus convictos, este é um mau momento. Portugal tem tudo a ganhar quando privilegia a sua fronteira marítima numa altura em que, de Espanha para diante, pouco há a esperar. O filme, mais do que um retrato de um naufrágio pessoal - De Gaulle dizia que a velhice é um naufrágio -, é uma feliz metonímia cinematográfica da decadência da Europa representada exemplarmente por Streep/Thatcher. Não por o tempo ter sido implacável com Thatcher. Mas porque se está a revelar implacável connosco.
1 comentário:
Visto.
Se era para mostrar a Dama de Ferro acabou por mostrar uma pobre velhota perdida nas brumas da sua doença.
Compreendo porque é que a família recusou ir à estreia do filme.
Tem aliás alguns momentos de pura anedota como a saída do número 10 por cima das pétalas vermelhas (uma alusão a pisar o comunismo ?).
Enfim é a minha pessoal opinião.
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