Eu, que também fui, durante largos anos, cliente da Livraria Portugal, e da Buchholz, e da Sá da Costa, só posso subscrever o texto de José Pacheco Pereira.
O meu pai foi precocemente reformado da P.S.P., devido a graves sequelas psicológicas motivadas por um incidente em que, à porta de S. Bento, por falta de comunicação, metralhou um táxi onde vinha o Doutor Salazar, incidente esse já relatado num outro comentário, colocado no velho Portugal dos Pequeninos.
Como tantos outros ex- (PSP, GNR, CTT) tornou-se cobrador, neste caso da Publicações Europa-América, dos irmãos Adelino e Francisco Lyon de Castro. Nessa qualidade acompanhei-o inúmeras vezes, em miúdo, na chamada volta pelas livrarias. A Portugal foi uma de muitas em que, esperando pelo meu pai, que, no escritório tratava da cobrança, me maravilhei com centenas de livros, ali à mão de semear, absorvendo aquele ambiente único que nos é proporcionado pela mistura calma das pessoas e dos livros que as fascinam. Nunca gostei dos ambientes comerciais frenéticos, tipo FNAC; neste momento sou fiel à Bulhosa de Entrecampos que, pelas notícias que têm vindo a público, também não estará famosa. Enfim, são sinais dos tempos.
Aqui comecei a iniciar-me nos livros franceses. Primeiro, nas colecções de bolso da gallimard, onde comprei o « Discours de la Méthode, de René Descartes, por indicação do meu Professor de Português e saudoso Mestre, o Dr. José Pedro Machado. Aqui comprei muitos números da Que Sais-je. Aqui procurei os n.ºs 300 e 387, salvo erro, Le Marxisme, de Henry Lefebre e Le Socialisme, creio que em vão, tendo depois de os encomendar para a Editora PUF, tão forte era ainda a ilusão esquerdista, por volta de 1969-70. Aqui comprei também os livros de Engenharia, na secção do primeiro andar, sempre bastante recheada de bons livros-texto adoptados na Universidades Americanas e Europeias. Aqui ainda encontrei em tertúlia animada aquele meu Professor, na companhia de outros Académicos, Escritores e Intelectuais de prestígio, mas sem as presunções dos carreiristas da fama. Aqui fiz a apresentação do derradeiro livro de José Pedro Machado, no início de Janeiro de 2007, no mesmo ano em que candidatámos e conseguimos a sua condecoração no 10 de Junho, ainda que a título póstumo. São profundas as ligações que mantenho a esta prestimosa Livraria de Lisboa, do Chiado elegante e literário, que vai assim desaparecendo. Lamentavelmente...
Voltei hoje, 22 de Fevereiro de 2012, à Livraria Portugal, agora em liquidação total. Foi muito doloroso. Ambiente deprimente, mesmo. Muitas recordações, dxesde quando lá ia com o meu pai, que encontrava sempre ou quase sempre amigos e conhecidos para conversar um pouco, isto nos anos 50 e 60, até recentemente. A verdade é que há anos que só lá passava muito raramente. Disseram-me que estará aberta até ao fim do mês. Muitos livros, alguns interessantes, outros certamente invendáveis. Comprei 4 livros, 2 para oferecer, outros 2 para mim e para a minha mulher, mas que vou ter dificuldade em arrumar nas prateleiras da minha casa já muito cheias. Será que ainda lá volto?
4 comentários:
Eu, que também fui, durante largos anos, cliente da Livraria Portugal, e da Buchholz, e da Sá da Costa, só posso subscrever o texto de José Pacheco Pereira.
O meu pai foi precocemente reformado da P.S.P., devido a graves sequelas psicológicas motivadas por um incidente em que, à porta de S. Bento, por falta de comunicação, metralhou um táxi onde vinha o Doutor Salazar, incidente esse já relatado num outro comentário, colocado no velho Portugal dos Pequeninos.
Como tantos outros ex- (PSP, GNR, CTT) tornou-se cobrador, neste caso da Publicações Europa-América, dos irmãos Adelino e Francisco Lyon de Castro.
Nessa qualidade acompanhei-o inúmeras vezes, em miúdo, na chamada volta pelas livrarias. A Portugal foi uma de muitas em que, esperando pelo meu pai, que, no escritório tratava da cobrança, me maravilhei com centenas de livros, ali à mão de semear, absorvendo aquele ambiente único que nos é proporcionado pela mistura calma das pessoas e dos livros que as fascinam.
Nunca gostei dos ambientes comerciais frenéticos, tipo FNAC; neste momento sou fiel à Bulhosa de Entrecampos que, pelas notícias que têm vindo a público, também não estará famosa.
Enfim, são sinais dos tempos.
Aqui comecei a iniciar-me nos livros franceses. Primeiro, nas colecções de bolso da gallimard, onde comprei o « Discours de la Méthode, de René Descartes, por indicação do meu Professor de Português e saudoso Mestre, o Dr. José Pedro Machado. Aqui comprei muitos números da Que Sais-je. Aqui procurei os n.ºs 300 e 387, salvo erro, Le Marxisme, de Henry Lefebre e Le Socialisme, creio que em vão, tendo depois de os encomendar para a Editora PUF, tão forte era ainda a ilusão esquerdista, por volta de 1969-70. Aqui comprei também os livros de Engenharia, na secção do primeiro andar, sempre bastante recheada de bons livros-texto adoptados na Universidades Americanas e Europeias. Aqui ainda encontrei em tertúlia animada aquele meu Professor, na companhia de outros Académicos, Escritores e Intelectuais de prestígio, mas sem as presunções dos carreiristas da fama. Aqui fiz a apresentação do derradeiro livro de José Pedro Machado, no início de Janeiro de 2007, no mesmo ano em que candidatámos e conseguimos a sua condecoração no 10 de Junho, ainda que a título póstumo. São profundas as ligações que mantenho a esta prestimosa Livraria de Lisboa, do Chiado elegante e literário, que vai assim desaparecendo. Lamentavelmente...
Voltei hoje, 22 de Fevereiro de 2012, à Livraria Portugal, agora em liquidação total. Foi muito doloroso. Ambiente deprimente, mesmo. Muitas recordações, dxesde quando lá ia com o meu pai, que encontrava sempre ou quase sempre amigos e conhecidos para conversar um pouco, isto nos anos 50 e 60, até recentemente. A verdade é que há anos que só lá passava muito raramente. Disseram-me que estará aberta até ao fim do mês. Muitos livros, alguns interessantes, outros certamente invendáveis. Comprei 4 livros, 2 para oferecer, outros 2 para mim e para a minha mulher, mas que vou ter dificuldade em arrumar nas prateleiras da minha casa já muito cheias. Será que ainda lá volto?
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