Daqui a uma hora começa mais uma greve dos maquinistas da CP. E começa, para muita gente, mais um "feriado" porque, afinal, isto é um país de "tradições" que aprecia "viver habitualmente". Ora "viver habitualmente" é mais ou menos isto: greves de maquinistas da CP (uma gloriosa e rendosa empresa pública), feriados inamovíveis, "pontes" e mini-férias. Um país com foliões deste jaez vai seguramente longe.
10 comentários:
"Viver habitualmente" evoca-me tempos passados. Não sei se então (o "progresso" tecnológico dificulta as comparações) as pessoas eram mais ou menos felizes. Mas nesses tempos, habitualmente não havia greves embora houvesse feriados.
"Tout compte fait", e apesar de muitas limitações, havia mais tempo para se "viver". Os jovens de hoje, agarrados aos "gadgets" não conseguem imaginar como era viver habitualmente. Ainda bem para eles, pois poderiam tornar-se saudosistas. O que aliás está de acordo com a natureza do povo português.
Como Habitualmente, também inclui Poderes que não têm noção como se relacionam entre si, leis coxas feitas para protegerem alguns, economistas que não servem para fazer contas de merceeiro, patrões que não são capazes de preparar o futuro, capital isento de impostas etc
O que é sempre constante é que paga a conta ...
Sempre a observaçãozinha denegridora sobre os "patrões", essa coisa demoníaca com que desgraçadamente se tem que viver, que "não são capazes de preparar o futuro". Preparar o futuro - ou a sua incapacidade - é conceito tão convenientemente indeterminado que nele cabe o que se quiser, incluindo o perfeito bode expiatório.
Poder-se-ia incluir na exposição do prezado comentador o povo ignorante, simultaneamente bruto e dócil, às mãos de líderes sindicais cristalizados nos idos de 1917, ou com uma agenda inconfessável e apostados no "quanto pior melhor"" e em arruinar de vez o país. Para depois reinar sobre os escombros e sobre esses escombros culpar os "patrões" por tudo.
Mas quando se tem uma visão maniqueísta, fanática, onde todo o mal está de um lado e todo o bem do outro, há que a seguir com zelo prosélito.
Costa
Fui trabalhar hoje, terça-feira de Carnaval. Os acessos a Lisboa estavam vazios. Na cidade não se via quase ninguém. Fiz figura de palhaço. Tal como o palhaços coelho.
Caro Costa,
Bem seja organização patronal ou sindical, diga-me se sabe o que estas alminhas pensão sobre:
- Dada a baixa de natalidade, num prazo de 10 a 20 anos a massa laboral será predominantemente estrangeira , com o consequente envio de verbas seja de remessas de ordenado seja de pensões, para o país de origem, ou, vão proteger e promover a natalidade, não despedindo mulheres grávidas, promovendo horários de trabalho que promovessem a maternidade e paternidade?
- Dada a baixa qualificação laboral, vão-se promover os estudantes trabalhadores, exigir que as escolas funcionem, e não sejam só campos de concentração enquanto os pais trabalham?
- Vamos manter cargas horárias de trabalho e de transporte para o trabalho absurdas, que impedem a criação de laços inter-geracionais?
Enfim uma ideia para o futuro do País de todos
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Meu caro,
Que este país não tem esperança é um facto que o simples bom senso impõe. O mais que podemos esperar é uma existência medíocre - pior, em qualquer caso do que a actual -, mediocridade que, para nosso mal, nem aurea " deverá ser. Apenas mediocritas " . E, para a maior parte de nós, pobreza pura e simples.
O que escreve agora tem, permita-me, uma densidade, um campo para debate sério, mesmo que divergente, que o seu primeiro comentário não tinha. Onde chegámos, as aberrações que aponta, o desincentivo sistemático à natalidade, a desvalorização constante do mérito e do saber - com um arrogante e consolidado triunfo da ignorância e da estupidez -, o triunfo do "urbanismo" de ganância asselvajada, destruindo a gestão dos solos e gerando dormitórios que escravizam a rotinas embrutecedoras, tudo isso (e mais...) é fruto de décadas de venalidade descarada, cobardia submissa, incompetência impune, má-fé impenitente, de quem sucessivamente nos tem desgovernado.
E isso é coisa bem mais profunda, bem mais complexa do que patrões que não são capazes de preparar o futuro. Bater no malvado capital, apontar o dedo acusador ao patronato, é uma forma simples de separar os bons dos maus e, com isso, de encontrar um culpado e sossegar as nossas consciências. Mais do que isso, é uma explicação facilmente transmissível a e absorvida por uma massa imensa de gente que não prima pela capacidade de entender, menos ainda de elaborar, um raciocínio um pouco mais complexo do que o exigido pela mera sobrevivência, ou o cálculo dos pontos que faltam para o clube ser campeão nacional. É por isso muito útil.
Mas está longe de apontar o caminho da resolução dos problemas; sequer de os explicar minimamente, se nos exigirmos um módico de honestidade (coisa, bem se sabe, crescentemente esotérica). É que não é simples: é simplista.
Isto dito, essa culpa de décadas, de quem nos tem pastoreado (donde, em boa verdade, de todos nós), atingiu, no mais recente período de poder socialista, um patamar de dano, impunidade e descaramento, verdadeiramente descomunal.
Costa
Só bato mais no patronato, porque, em princípio, deviam, digo eu, serem os motores dinamizadores e preparadores do futuro ....
Mas tem razão, nem para o meu simplismo têm resposta ou programa!
Quem não tem resposta, meu caro? Os patrões ou os governantes? É que, se não me engano, são os governantes aqueles que elegemos, em função de modelos de desenvolvimento para o país que eles nos apresentam. Não os patrões.
Estes, os patrões, operam numa sociedade a cujas regras se sujeitam. Claro que essas regras - concebidas e, ocasionalmente, aplicadas pelos políticos (que elegemos) - podem ser mais ou menos apropriadas ao correcto desenvolvimento do país.
Desejavelmente essas regras fomentariam uma saudável, equilibrada, relação entre capital e trabalho (e entre estes e o ambiente e a cultura, já agora). Sabemos que nem sempre é assim. Nem sempre é assim, e nem sempre a distorção ocorre em favor do patronato (o tal, gordo, de chapéu alto, polainas e charuto, de que o imaginário das esquerdas se não consegue libertar).
Num país onde alguém que inicie uma actividade como empresário, ainda não emitiu a primeira factura, ainda não recebeu o primeiro pagamento, ainda não registou o primeiro lucro, já está a fazer pagamentos por conta, a ver-lhe ser presumidos lucros, a afundar-se em obrigações declarativas (essas, pelo menos) em catadupa, e a colocar-se fatalmente na posição de incumpridor de deveres sem fim que lhe são arremessados sem dó nem piedade. A operar num clima de hostilidade fiscal, de licenciamento, etc., de que só se consegue desenvencilhar se puder pagar custos de gestão e assessoria fiscais e outras absolutamente desproporcionados , não se poderá exigir de um empresário grandes preocupações - sequer tempo para as ter - de ordem social. A chamada corporate citizenship " dos anglo-saxónicos.
Poupe-me, por favor, à invocação das grandes empresas, dos potentados que - há nossa escala - por aí temos, e onde essa catadupa de burocracia e custos asfixiantes é devidamente tratada por um exército de especialistas (mas se tratam disso, esses especialistas não fazem algo de mais útil para o futuro; nem eles, nem o que custam, nem os custos que lhes cabe gerir...). Essas empresas são a minoria, como sabe, ainda que uma minoria sonora e vistosa.
Pense antes no pequeno empresário. Ou no micro-empresário, o qual entre nós se mulitplica não por vocação, não por gosto, mas porque, perdido o emprego, caído no desemprego sem fim à vista, tenta, como recurso derradeiro montar um negócio seu. E cai, cândido e indefeso, nas armadilhas sem fim que a Administração (o "A" maiúsculo é puramente convencional, pois não lhe reconheço dignidade substantiva para o ter) lhe monta.
Quer exigir a esta crescente legião de falidos à partida - ou pelo menos esgotados na luta por aguentar o mero dia-a-dia - que sejam os tais "motores dinamizadores e preparadores do futuro ..."? Acha mesmo realista e eticamene exigível?
E não se esqueça, por favor que, por detrás de cada pato-bravo sem escrúpulos, de cada patrão que viola a legislação, está uma imensa máquina estatal, paga por todos - e fazendo-se pagar muito bem! - que devia fiscalizar, regular, condicionar as actividades à legislação aplicável (frequentemente existente e até muito perfeitinha, essa legislação; outras vezes sufocante e castradora) e que, ou o não faz, ou se deixa levar pelos encantos de uma venalidade bem antiga e sedimentada, ou se entretém a punir cruelmente o pequeno infractor, tantas vezes infractor sem dolo e sem meios para pagar o bom advogado, enquanto os grandes tubarões (para usar um termo querido ao tal imaginário das esquerdas) manobra majestaticamernte perante tudo isso.
Costa
Ps.: já o imagino a imputar-me a criminosa condição de neo-liberal, pecado maior da liturgia contemporânea por cá consagrada e esgoto para o qual são sem mais lançados todos os que não pratiquem a adoradora genuflexão perante os direitos adquiridos ou a infinita bondade do trabalho perante a maldade sem fim do capital (qualquer capital, mesmo o da pequena lojita de esquina) e outras pérolas do nosso vocabulário contestatário. De modo que, com sua licença, creio que fico, neste assunto, por aqui.
Caro Costa,
Por um lado atribui-se aos sindicatos poderes maquiavélicos e destruidores da boa ordem social, por outro, ninguém sabe o que as várias Confederações patronais pensam, à parte de que há muitos feriados e pontes, sem nunca comparem com os existentes na Europa, é difícil despedir, nunca se sentem responsabilizados com a sua acção social presente ou futura, e nunca, mas nunca, tem como exemplo patrões de sítios evoluídos tipo norte da Europa, onde aparentemente se pensa o futuro.
Os sindicatos tem, a vida facilitada, visto que pensam, até pela sua função, em ganhos imediatos para os trabalhadores, sendo, nisso, perfeitamente iguais aos especuladores bolsistas, que podem destroçar uma firma para terem lucros imediatos.
Pergunto, porque só atacam os sindicatos e protegem os especuladores bolsistas?
Aliás vejo os sindicatos (alguns...) mais preocupados com a formação profissional , escolar, etc. , do que alguma vez vi as tais Confederações ...
Fui trabalhar no dia de Carnaval. Um sossego. O IC 19 parecia Domingo de manhã.
O PIB subiu e o deficit desceu, deixamos o caixote do lixo e eu deixei de ser piegas.
Estou tão feliz que nem admito que me acordem ! Um mimo.
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