18.2.12

O défice da democratização da economia


 


Leio devagarinho o bom ensaio de Paulo Trigo Pereira editado pela FFMS, na foto. E leio no Público que no sector empresarial do Estado (SEE), vulgo empresas públicas, «apesar de [ lhe] ter sido imposto um corte de 15%, as despesas operacionais aumentaram para mais de 3,7 mil milhões em 2011.»  Dito de outra forma, e independentemente do que vinha de trás, o SEE não só não cumpriu o que foi determinado pelo Estado e pelo acordado no plano de assistência financeira a Portugal, como apresenta prejuizos estimados em 1,5 mil milhões de euros que correspondem a resultados negativos da ordem dos 39% acima dos de 2010. À cabeça deste desvario estão a Metro de Lisboa, os hospitais, a Metro do Porto, a CP, a REFER, a Parque Expo, a Parque Escolar e a Parpublica com um descréscimo de mais de sessenta por cento dos lucros em 2011. A Estradas de Portugal protagonizou o maior desvio aos limites impostos ao endividamento do sector. E por aí fora, o que, tudo somado, pode colocar em causa o objectivo de equilibrar as contas do SEE em 2012 como consta do plano referido. Ora isto é insustentável e inadmissível. O SEE não pode continuar desenfreadamente a recorrer ao fornecimento de serviços externos (FSE) e a endividar-se sem que se ponha um termo definitivo a este aviltamento do contribuinte. Uma situação destas prejudica a democratização da economia e agrava, para usar um termo de Trigo Pereira, o défice democrático. Não há responsáveis? Ou há mas até são "premiados"?

1 comentário:

Vasco disse...

Verdadeiramente, ninguém é responsabilizado por estragar a vida a toda a gente? Até onde vai a impunidade?