Durante muitos anos, sobretudo durante o consulado do bonzinho Guterres, a conversa pública (política) pautou-se pelo registo mole. Até os mais próximos do referido bonzinho por fim perceberam aonde nos conduzia tanta delicada moleza - a lado algum. O breve interregno da "direita", entre Guterres e Sócrates, nem tempo teve para firmar um registo. Sócrates substituiu a conversa mole pelo poder de sugestão da imagem controlada. Com a desculpa que era de esquerda (e à esquerda tudo se perdoa), Sócrates protagonizou a maior mistificação político-mediática do regime com a complacência de muita gente que agora se indigna piedosamente por tudo e por nada. De alguma forma, o regime socrático vivia do amolecimento e da anestesia da opinião pública. O regresso a um módico de normalidade deu-se com Passos Coellho e, por consequência, a um prudente realismo desprovido de fantasias ou de encenações. Mesmo, sem trocadilhos, as de carnaval. Ora a realidade, por natureza, é dura. As palavras que a descrevem, ou que chamam a atenção para ela, têm forçosamente de ser duras. Nenhuma sociedade se mobiliza ou sobrevive sem que se lhe comunique a verdade. O "duro desejo de durar", a que aludia Paul Éluard, não é mais do que isto.
2 comentários:
PIEGUICES
A oposição acaba por dar razão a Passos Coelho, quando de um discurso lúcido, transparente e adulto, retira de forma maldosamente piegas, infantil e oportunista, uma palavra mais sonante, dita, diga-se, em tom bem amigável, mesmo brejeiro, e despida de qualquer ironia maldosa ou ofensiva . Se é o que lhes resta para uma contestação credível e escorreita revelam que não podem ou não querem coçar onde é preciso. Asfixiante o coro choramingas de pecadores oposicionistas e opinadores entaramelados que temos visto desfilar de forma esganiçada e superficial. Se apressadamente remetem para plano secundário tanto material seriamente penalizador, para dar caça ao coelho por efeito de um pentelho , o que esperam que nós esperemos de tais encenações indigentemente pacóvias? Constança também é solenemente piegas.
Para as oposições carnavalescas que agora nos calharam em sorte, estes governantes de catálogo rebuscado não ficam nada a perder apesar de tudo.
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