O DR. PEDRO ROSETA
Esplendidamente cândido, o Ministro da Cultura disse ontem em Coimbra o seguinte: "só irei cumprir este mandato", e mais adiante, "interrogado sobre se está disposto a desempenhar até ao fim o seu actual cargo, o ministro respondeu afirmativamente. "Se o sr. primeiro-ministro quiser. Posso acabar já amanhã". Depois, a propósito dos dinheiros, referiu que "estamos a pagar os esbanjamentos dos outros ministros".
Eu - já o disse- simpatizo com Pedro Roseta. É um homem bom, generoso e culto. Percebe-se diariamente o incómodo que lhe causa a pasta que o Dr. Barroso lhe decidiu outorgar. A cultura necessita de uma outra ambição e de um outro desígnio, e é grave que um governo de maioria não perceba isto. Quando Roseta menciona os "esbanjamentos" anteriores, não pode ignorar o estado praticamente letárgico em que todos os sectores do seu Ministério se encontram. A plataforma custo/ benefício, como programa, não faz decididamente uma política. Reduzir tudo, mesmo nestes tempos difíceis, ao dogma contabilístico e à pura intendência, é menorizar a missão da instituição que dirige. Das duas uma: ou o Estado quer continuar a intervir na área cultural, como tutela, e dota o sector com a dignidade orçamental mínima adequada a uma ambição e a um programa "políticos", induzindo simultaneamente parcerias e mecenatos, ou deixa que o sector seja absorvido pela famigerada "sociedade civil" que, entre nós e nesta matéria, salvo honrosas excepções, tem a dimensão mental de um rato.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
30.6.03
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O DR. PEDRO ROSETA
Esplendidamente cândido, o Ministro da Cultura disse ontem em Coimbra o seguinte: "só irei cumprir este mandato", e mais adiante, "interrogado sobre se está disposto a desempenhar até ao fim o seu actual cargo, o ministro respondeu afirmativamente. "Se o sr. primeiro-ministro quiser. Posso acabar já amanhã". Depois, a propósito dos dinheiros, referiu que "estamos a pagar os esbanjamentos dos outros ministros".
Eu - já o disse- simpatizo com Pedro Roseta. É um homem bom, generoso e culto. Percebe-se diariamente o incómodo que lhe causa a pasta que o Dr. Barroso lhe decidiu outorgar. A cultura necessita de uma outra ambição e de um outro desígnio, e é grave que um governo de maioria não perceba isto. Quando Roseta menciona os "esbanjamentos" anteriores, não pode ignorar o estado praticamente letárgico em que todos os sectores do seu Ministério se encontram. A plataforma custo/ benefício, como programa, não faz decididamente uma política. Reduzir tudo, mesmo nestes tempos difíceis, ao dogma contabilístico e à pura intendência, é menorizar a missão da instituição que dirige. Das duas uma: ou o Estado quer continuar a intervir na área cultural, como tutela, e dota o sector com a dignidade orçamental mínima adequada a uma ambição e a um programa "políticos", induzindo simultaneamente parcerias e mecenatos, ou deixa que o sector seja absorvido pela famigerada "sociedade civil" que, entre nós e nesta matéria, salvo honrosas excepções, tem a dimensão mental de um rato.
Esplendidamente cândido, o Ministro da Cultura disse ontem em Coimbra o seguinte: "só irei cumprir este mandato", e mais adiante, "interrogado sobre se está disposto a desempenhar até ao fim o seu actual cargo, o ministro respondeu afirmativamente. "Se o sr. primeiro-ministro quiser. Posso acabar já amanhã". Depois, a propósito dos dinheiros, referiu que "estamos a pagar os esbanjamentos dos outros ministros".
Eu - já o disse- simpatizo com Pedro Roseta. É um homem bom, generoso e culto. Percebe-se diariamente o incómodo que lhe causa a pasta que o Dr. Barroso lhe decidiu outorgar. A cultura necessita de uma outra ambição e de um outro desígnio, e é grave que um governo de maioria não perceba isto. Quando Roseta menciona os "esbanjamentos" anteriores, não pode ignorar o estado praticamente letárgico em que todos os sectores do seu Ministério se encontram. A plataforma custo/ benefício, como programa, não faz decididamente uma política. Reduzir tudo, mesmo nestes tempos difíceis, ao dogma contabilístico e à pura intendência, é menorizar a missão da instituição que dirige. Das duas uma: ou o Estado quer continuar a intervir na área cultural, como tutela, e dota o sector com a dignidade orçamental mínima adequada a uma ambição e a um programa "políticos", induzindo simultaneamente parcerias e mecenatos, ou deixa que o sector seja absorvido pela famigerada "sociedade civil" que, entre nós e nesta matéria, salvo honrosas excepções, tem a dimensão mental de um rato.
A GUERRA
Foi-me anunciado um novo blogue, de seu nome Guerra Civil Espanhola que tem em vista a recolha de recursos vários, o ponto de contacto entre interessados/as sobre este período histórico e a posterior construção de um arquivo digital mais consistente. Trata-se efectivamente de um dos períodos mais interessantes da história de Espanha e da Europa no século XX, muito dado a equívocos dramáticos. Deu pano para mangas a muitos e famosos escritores, a maior parte dos quais alinhados nas trincheiras anti-franquistas. Hemingway, Malraux, Orwell, Bernanos e outros, escreveram romances conhecidos acerca do conflito, e muitos perceberam in loco que os republicanos também tinham abundantes e sanguinários "pés-de-barro". Por isso, e se ainda o não fizeram, eu aconselho os autores do blogue a ler a obra de Hugh Thomas sobre a guerra civil espanhola que se encontra traduzida pela Ulisseia, salvo erro, em dois volumes.
Foi-me anunciado um novo blogue, de seu nome Guerra Civil Espanhola que tem em vista a recolha de recursos vários, o ponto de contacto entre interessados/as sobre este período histórico e a posterior construção de um arquivo digital mais consistente. Trata-se efectivamente de um dos períodos mais interessantes da história de Espanha e da Europa no século XX, muito dado a equívocos dramáticos. Deu pano para mangas a muitos e famosos escritores, a maior parte dos quais alinhados nas trincheiras anti-franquistas. Hemingway, Malraux, Orwell, Bernanos e outros, escreveram romances conhecidos acerca do conflito, e muitos perceberam in loco que os republicanos também tinham abundantes e sanguinários "pés-de-barro". Por isso, e se ainda o não fizeram, eu aconselho os autores do blogue a ler a obra de Hugh Thomas sobre a guerra civil espanhola que se encontra traduzida pela Ulisseia, salvo erro, em dois volumes.
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A GUERRA
Foi-me anunciado um novo blogue, de seu nome Guerra Civil Espanhola que tem em vista a recolha de recursos vários, o ponto de contacto entre interessados/as sobre este período histórico e a posterior construção de um arquivo digital mais consistente. Trata-se efectivamente de um dos períodos mais interessantes da história de Espanha e da Europa no século XX, muito dado a equívocos dramáticos. Deu pano para mangas a muitos e famosos escritores, a maior parte dos quais alinhados nas trincheiras anti-franquistas. Hemingway, Malraux, Orwell, Bernanos e outros, escreveram romances conhecidos acerca do conflito, e muitos perceberam in loco que os republicanos também tinham abundantes e sanguinários "pés-de-barro". Por isso, e se ainda o não fizeram, eu aconselho os autores do blogue a ler a obra de Hugh Thomas sobre a guerra civil espanhola que se encontra traduzida pela Ulisseia, salvo erro, em dois volumes.
Foi-me anunciado um novo blogue, de seu nome Guerra Civil Espanhola que tem em vista a recolha de recursos vários, o ponto de contacto entre interessados/as sobre este período histórico e a posterior construção de um arquivo digital mais consistente. Trata-se efectivamente de um dos períodos mais interessantes da história de Espanha e da Europa no século XX, muito dado a equívocos dramáticos. Deu pano para mangas a muitos e famosos escritores, a maior parte dos quais alinhados nas trincheiras anti-franquistas. Hemingway, Malraux, Orwell, Bernanos e outros, escreveram romances conhecidos acerca do conflito, e muitos perceberam in loco que os republicanos também tinham abundantes e sanguinários "pés-de-barro". Por isso, e se ainda o não fizeram, eu aconselho os autores do blogue a ler a obra de Hugh Thomas sobre a guerra civil espanhola que se encontra traduzida pela Ulisseia, salvo erro, em dois volumes.
O ANEL DA CULTURA
Leio e ouço que, para presidir ao novo Instituto das Artes, o novo produto fundido entre o Instituto Português das Artes do Espectáculo (IPAE) e o Instituto de Arte Contemporânea (IAC), foi escolhido o Dr. Paulo Cunha e Silva que, de entre outros méritos constantes dos dados fornecidos oficialmente, fez parte duma comissão de honra que apoiou o Dr. Ferro Rodrigues na liderança do PS. É curioso que a "fonte oficial" se tenha lembrado disto agora, pois não se descortina relação entre as funções que vai desempenhar e aquela atitude cívica. É como quem diz: "este não é dos "nossos", mas, nós, magnânimos e alheios a quaisquer interesses partidários, lá o nomeamos". Cunha e Silva, como bem nos lembramos, foi dos poucos a defender esta fusão, e antes disto, já tinha passado pela Porto 2001 como responsável pelos Projectos Transversais. É médico e professor na Faculdade de Motricidade Humana do Porto.
Cunha e Silva vai chefiar um Instituto que ainda não tem lei orgânica aprovada e, numa pequena entrevista de rádio que ouvi no carro, já perorou acerca dos subsídios e do orçamento, naturalmente preocupado. Tem motivos de sobra para isso. O IPAE ainda não atribuiu os subsídios aos candidatos aos ditos, na dança ou no teatro, porque não tem dinheiro. Do IAC pouco sei. Ele, porém, que repouse. A famosa "mão invisível" da "gestão flexível" do gabinete do Ministro da Cultura erguer-se-á na altura adequada. Nem que seja para dar uma machadada.
Leio e ouço que, para presidir ao novo Instituto das Artes, o novo produto fundido entre o Instituto Português das Artes do Espectáculo (IPAE) e o Instituto de Arte Contemporânea (IAC), foi escolhido o Dr. Paulo Cunha e Silva que, de entre outros méritos constantes dos dados fornecidos oficialmente, fez parte duma comissão de honra que apoiou o Dr. Ferro Rodrigues na liderança do PS. É curioso que a "fonte oficial" se tenha lembrado disto agora, pois não se descortina relação entre as funções que vai desempenhar e aquela atitude cívica. É como quem diz: "este não é dos "nossos", mas, nós, magnânimos e alheios a quaisquer interesses partidários, lá o nomeamos". Cunha e Silva, como bem nos lembramos, foi dos poucos a defender esta fusão, e antes disto, já tinha passado pela Porto 2001 como responsável pelos Projectos Transversais. É médico e professor na Faculdade de Motricidade Humana do Porto.
Cunha e Silva vai chefiar um Instituto que ainda não tem lei orgânica aprovada e, numa pequena entrevista de rádio que ouvi no carro, já perorou acerca dos subsídios e do orçamento, naturalmente preocupado. Tem motivos de sobra para isso. O IPAE ainda não atribuiu os subsídios aos candidatos aos ditos, na dança ou no teatro, porque não tem dinheiro. Do IAC pouco sei. Ele, porém, que repouse. A famosa "mão invisível" da "gestão flexível" do gabinete do Ministro da Cultura erguer-se-á na altura adequada. Nem que seja para dar uma machadada.
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O ANEL DA CULTURA
Leio e ouço que, para presidir ao novo Instituto das Artes, o novo produto fundido entre o Instituto Português das Artes do Espectáculo (IPAE) e o Instituto de Arte Contemporânea (IAC), foi escolhido o Dr. Paulo Cunha e Silva que, de entre outros méritos constantes dos dados fornecidos oficialmente, fez parte duma comissão de honra que apoiou o Dr. Ferro Rodrigues na liderança do PS. É curioso que a "fonte oficial" se tenha lembrado disto agora, pois não se descortina relação entre as funções que vai desempenhar e aquela atitude cívica. É como quem diz: "este não é dos "nossos", mas, nós, magnânimos e alheios a quaisquer interesses partidários, lá o nomeamos". Cunha e Silva, como bem nos lembramos, foi dos poucos a defender esta fusão, e antes disto, já tinha passado pela Porto 2001 como responsável pelos Projectos Transversais. É médico e professor na Faculdade de Motricidade Humana do Porto.
Cunha e Silva vai chefiar um Instituto que ainda não tem lei orgânica aprovada e, numa pequena entrevista de rádio que ouvi no carro, já perorou acerca dos subsídios e do orçamento, naturalmente preocupado. Tem motivos de sobra para isso. O IPAE ainda não atribuiu os subsídios aos candidatos aos ditos, na dança ou no teatro, porque não tem dinheiro. Do IAC pouco sei. Ele, porém, que repouse. A famosa "mão invisível" da "gestão flexível" do gabinete do Ministro da Cultura erguer-se-á na altura adequada. Nem que seja para dar uma machadada.
Leio e ouço que, para presidir ao novo Instituto das Artes, o novo produto fundido entre o Instituto Português das Artes do Espectáculo (IPAE) e o Instituto de Arte Contemporânea (IAC), foi escolhido o Dr. Paulo Cunha e Silva que, de entre outros méritos constantes dos dados fornecidos oficialmente, fez parte duma comissão de honra que apoiou o Dr. Ferro Rodrigues na liderança do PS. É curioso que a "fonte oficial" se tenha lembrado disto agora, pois não se descortina relação entre as funções que vai desempenhar e aquela atitude cívica. É como quem diz: "este não é dos "nossos", mas, nós, magnânimos e alheios a quaisquer interesses partidários, lá o nomeamos". Cunha e Silva, como bem nos lembramos, foi dos poucos a defender esta fusão, e antes disto, já tinha passado pela Porto 2001 como responsável pelos Projectos Transversais. É médico e professor na Faculdade de Motricidade Humana do Porto.
Cunha e Silva vai chefiar um Instituto que ainda não tem lei orgânica aprovada e, numa pequena entrevista de rádio que ouvi no carro, já perorou acerca dos subsídios e do orçamento, naturalmente preocupado. Tem motivos de sobra para isso. O IPAE ainda não atribuiu os subsídios aos candidatos aos ditos, na dança ou no teatro, porque não tem dinheiro. Do IAC pouco sei. Ele, porém, que repouse. A famosa "mão invisível" da "gestão flexível" do gabinete do Ministro da Cultura erguer-se-á na altura adequada. Nem que seja para dar uma machadada.
O DR. LOUÇÃ
Diz-nos o JPP que "no Combate, órgão do PSR, o partido trotsquista membro do BE, António Louçã compara-me com Goebbels e propõe que eu seja julgado como Milosevic no Tribunal Penal Internacional pelas minhas opiniões sobre a guerra do Iraque. Não é metafórico, nem blague, é mesmo a sério – se ele pudesse prendia-me."
O Dr. Louçã é uma daquelas figuras da extrema-esquerda portuguesa que, tendo algum brilho, faz nele convergir as piores heranças pátrias, com uma raríssima habilidade: é um misto de sacristão, com laivos de inquisidor, e de moralista profético. Não chega a ser verdadeiramente perigoso, mas o seu pequeno grupo de amigos insinua-se demasiado bem por entre os escombros do PC e as presentes angústias do PS. O que me espanta é ver pessoas que eu reputo de lúcidas "acharem graça" a esta rapaziada do BE. A Esquerda que não se ponha a pau, e o sacristão ainda sobe a pároco da aldeia.
Diz-nos o JPP que "no Combate, órgão do PSR, o partido trotsquista membro do BE, António Louçã compara-me com Goebbels e propõe que eu seja julgado como Milosevic no Tribunal Penal Internacional pelas minhas opiniões sobre a guerra do Iraque. Não é metafórico, nem blague, é mesmo a sério – se ele pudesse prendia-me."
O Dr. Louçã é uma daquelas figuras da extrema-esquerda portuguesa que, tendo algum brilho, faz nele convergir as piores heranças pátrias, com uma raríssima habilidade: é um misto de sacristão, com laivos de inquisidor, e de moralista profético. Não chega a ser verdadeiramente perigoso, mas o seu pequeno grupo de amigos insinua-se demasiado bem por entre os escombros do PC e as presentes angústias do PS. O que me espanta é ver pessoas que eu reputo de lúcidas "acharem graça" a esta rapaziada do BE. A Esquerda que não se ponha a pau, e o sacristão ainda sobe a pároco da aldeia.
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O DR. LOUÇÃ
Diz-nos o JPP que "no Combate, órgão do PSR, o partido trotsquista membro do BE, António Louçã compara-me com Goebbels e propõe que eu seja julgado como Milosevic no Tribunal Penal Internacional pelas minhas opiniões sobre a guerra do Iraque. Não é metafórico, nem blague, é mesmo a sério – se ele pudesse prendia-me."
O Dr. Louçã é uma daquelas figuras da extrema-esquerda portuguesa que, tendo algum brilho, faz nele convergir as piores heranças pátrias, com uma raríssima habilidade: é um misto de sacristão, com laivos de inquisidor, e de moralista profético. Não chega a ser verdadeiramente perigoso, mas o seu pequeno grupo de amigos insinua-se demasiado bem por entre os escombros do PC e as presentes angústias do PS. O que me espanta é ver pessoas que eu reputo de lúcidas "acharem graça" a esta rapaziada do BE. A Esquerda que não se ponha a pau, e o sacristão ainda sobe a pároco da aldeia.
Diz-nos o JPP que "no Combate, órgão do PSR, o partido trotsquista membro do BE, António Louçã compara-me com Goebbels e propõe que eu seja julgado como Milosevic no Tribunal Penal Internacional pelas minhas opiniões sobre a guerra do Iraque. Não é metafórico, nem blague, é mesmo a sério – se ele pudesse prendia-me."
O Dr. Louçã é uma daquelas figuras da extrema-esquerda portuguesa que, tendo algum brilho, faz nele convergir as piores heranças pátrias, com uma raríssima habilidade: é um misto de sacristão, com laivos de inquisidor, e de moralista profético. Não chega a ser verdadeiramente perigoso, mas o seu pequeno grupo de amigos insinua-se demasiado bem por entre os escombros do PC e as presentes angústias do PS. O que me espanta é ver pessoas que eu reputo de lúcidas "acharem graça" a esta rapaziada do BE. A Esquerda que não se ponha a pau, e o sacristão ainda sobe a pároco da aldeia.
ADIVINHA QUEM VEM JANTAR
Não é do jantar de Sampaio com Ferro ontem à noite em Belém que venho falar. Outro dia, com mais calma, trataremos disto. É que, brusca e tranquilamente, neste Verão, desapareceu Katherine Hepburn, aos 96 anos. Ela dizia que oscilava entre o céu e o inferno, sem que verdadeiramente tivesse entrado em nenhum deles ou sofrido as respectivas danações ou salvações. Era uma senhora eternamente apaixonada pelo colega Spencer Tracy, católico, que nunca deixou a mulher por ela. Foi assim até ao fim. Eu vi muitas fitas com Hepburn, mas recordo sempre a incontornável Mrs. Violet Venable, de Bruscamente no Verão Passado, de Joseph Mankiewicz, com argumento de Gore Vidal, baseado na peça homónima de Tenessee Williams.Há para aí em dvd. Imperdível.
Não é do jantar de Sampaio com Ferro ontem à noite em Belém que venho falar. Outro dia, com mais calma, trataremos disto. É que, brusca e tranquilamente, neste Verão, desapareceu Katherine Hepburn, aos 96 anos. Ela dizia que oscilava entre o céu e o inferno, sem que verdadeiramente tivesse entrado em nenhum deles ou sofrido as respectivas danações ou salvações. Era uma senhora eternamente apaixonada pelo colega Spencer Tracy, católico, que nunca deixou a mulher por ela. Foi assim até ao fim. Eu vi muitas fitas com Hepburn, mas recordo sempre a incontornável Mrs. Violet Venable, de Bruscamente no Verão Passado, de Joseph Mankiewicz, com argumento de Gore Vidal, baseado na peça homónima de Tenessee Williams.Há para aí em dvd. Imperdível.
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ADIVINHA QUEM VEM JANTAR
Não é do jantar de Sampaio com Ferro ontem à noite em Belém que venho falar. Outro dia, com mais calma, trataremos disto. É que, brusca e tranquilamente, neste Verão, desapareceu Katherine Hepburn, aos 96 anos. Ela dizia que oscilava entre o céu e o inferno, sem que verdadeiramente tivesse entrado em nenhum deles ou sofrido as respectivas danações ou salvações. Era uma senhora eternamente apaixonada pelo colega Spencer Tracy, católico, que nunca deixou a mulher por ela. Foi assim até ao fim. Eu vi muitas fitas com Hepburn, mas recordo sempre a incontornável Mrs. Violet Venable, de Bruscamente no Verão Passado, de Joseph Mankiewicz, com argumento de Gore Vidal, baseado na peça homónima de Tenessee Williams.Há para aí em dvd. Imperdível.
Não é do jantar de Sampaio com Ferro ontem à noite em Belém que venho falar. Outro dia, com mais calma, trataremos disto. É que, brusca e tranquilamente, neste Verão, desapareceu Katherine Hepburn, aos 96 anos. Ela dizia que oscilava entre o céu e o inferno, sem que verdadeiramente tivesse entrado em nenhum deles ou sofrido as respectivas danações ou salvações. Era uma senhora eternamente apaixonada pelo colega Spencer Tracy, católico, que nunca deixou a mulher por ela. Foi assim até ao fim. Eu vi muitas fitas com Hepburn, mas recordo sempre a incontornável Mrs. Violet Venable, de Bruscamente no Verão Passado, de Joseph Mankiewicz, com argumento de Gore Vidal, baseado na peça homónima de Tenessee Williams.Há para aí em dvd. Imperdível.
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MÁRIO CESARINY
Poema
Tu estás em mim como eu estive no berço
Como a árvore sob a sua crosta
Como o navio no fundo do mar.
Poema
Tu estás em mim como eu estive no berço
Como a árvore sob a sua crosta
Como o navio no fundo do mar.
29.6.03
LIGAÇÕES PERIGOSAS
Como é domingo, há mais tempo para deambular pela "blogosfera". Dei da caras com o último post do Mar Salgado, acerca do "Sexo e a Política", com base num artigo do "Spectator" ali citado. São oportunas as reflexões produzidas. Aqui ficam.
SEXO E POLÍTICA: A Spectator publica este excelente artigo a propósito da atitude do Partido Conservador em relação à vida privada de um dos seus altos quadros. É um bom pretexto para discutir a relação entre Sexo e Política. Devem os partidos políticos ter opinião sobre os hábitos sexuais dos cidadãos ou dos seus militantes ? Um partido conservador deverá defender uma moral conservadora nestas matérias ou respeitar a liberdade de cada um ? Há uma atitude de esquerda ou de direita nestas questões ?
Pretender que ideologias ou partidos políticos regulamentem esta área tão íntima denuncia uma pulsão totalitária. O Estado (e os partidos políticos fazem parte do aparelho de Estado) deve manter-se afastado destas matérias, desde que salvaguardada a protecção de grupos que devem ser especialmente protegidos como as crianças. A tentação para intervir é grande: hoje em dia respira-se sexo por todo o lado - nos media, na publicidade, no trabalho e na rua. A posição correcta e liberal é a de defender o direito de cada cidadão a não ser incomodado por causa dos seus hábitos íntimos.
Graças a uma história caricata, o Partido Conservador inglês está numa encruzilhada: aceitar o facto da vida sexual ser um problema individual ou seguir na linha do infelizmente célebre back to basics de John Major. Em suma, ser um partido preparado para os dias de hoje ou manter um espírito reaccionário em que os ingleses não se revêem. É que, como se escreve no artigo, não é o sexo que incomoda os cidadãos, é a hipocrisia.
Comentário:
Sobre estas matérias, recomendei outro dia a leitura de Gore Vidal. Aliás, no seu vastíssimo livro de ensaios "United States", há um texto que se intitula precisamente "Sex is Politics", cuja leitura vivamente recomendo, apesar de ter sido escrito há mais de 20 anos.
Como é domingo, há mais tempo para deambular pela "blogosfera". Dei da caras com o último post do Mar Salgado, acerca do "Sexo e a Política", com base num artigo do "Spectator" ali citado. São oportunas as reflexões produzidas. Aqui ficam.
SEXO E POLÍTICA: A Spectator publica este excelente artigo a propósito da atitude do Partido Conservador em relação à vida privada de um dos seus altos quadros. É um bom pretexto para discutir a relação entre Sexo e Política. Devem os partidos políticos ter opinião sobre os hábitos sexuais dos cidadãos ou dos seus militantes ? Um partido conservador deverá defender uma moral conservadora nestas matérias ou respeitar a liberdade de cada um ? Há uma atitude de esquerda ou de direita nestas questões ?
Pretender que ideologias ou partidos políticos regulamentem esta área tão íntima denuncia uma pulsão totalitária. O Estado (e os partidos políticos fazem parte do aparelho de Estado) deve manter-se afastado destas matérias, desde que salvaguardada a protecção de grupos que devem ser especialmente protegidos como as crianças. A tentação para intervir é grande: hoje em dia respira-se sexo por todo o lado - nos media, na publicidade, no trabalho e na rua. A posição correcta e liberal é a de defender o direito de cada cidadão a não ser incomodado por causa dos seus hábitos íntimos.
Graças a uma história caricata, o Partido Conservador inglês está numa encruzilhada: aceitar o facto da vida sexual ser um problema individual ou seguir na linha do infelizmente célebre back to basics de John Major. Em suma, ser um partido preparado para os dias de hoje ou manter um espírito reaccionário em que os ingleses não se revêem. É que, como se escreve no artigo, não é o sexo que incomoda os cidadãos, é a hipocrisia.
Comentário:
Sobre estas matérias, recomendei outro dia a leitura de Gore Vidal. Aliás, no seu vastíssimo livro de ensaios "United States", há um texto que se intitula precisamente "Sex is Politics", cuja leitura vivamente recomendo, apesar de ter sido escrito há mais de 20 anos.
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LIGAÇÕES PERIGOSAS
Como é domingo, há mais tempo para deambular pela "blogosfera". Dei da caras com o último post do Mar Salgado, acerca do "Sexo e a Política", com base num artigo do "Spectator" ali citado. São oportunas as reflexões produzidas. Aqui ficam.
SEXO E POLÍTICA: A Spectator publica este excelente artigo a propósito da atitude do Partido Conservador em relação à vida privada de um dos seus altos quadros. É um bom pretexto para discutir a relação entre Sexo e Política. Devem os partidos políticos ter opinião sobre os hábitos sexuais dos cidadãos ou dos seus militantes ? Um partido conservador deverá defender uma moral conservadora nestas matérias ou respeitar a liberdade de cada um ? Há uma atitude de esquerda ou de direita nestas questões ?
Pretender que ideologias ou partidos políticos regulamentem esta área tão íntima denuncia uma pulsão totalitária. O Estado (e os partidos políticos fazem parte do aparelho de Estado) deve manter-se afastado destas matérias, desde que salvaguardada a protecção de grupos que devem ser especialmente protegidos como as crianças. A tentação para intervir é grande: hoje em dia respira-se sexo por todo o lado - nos media, na publicidade, no trabalho e na rua. A posição correcta e liberal é a de defender o direito de cada cidadão a não ser incomodado por causa dos seus hábitos íntimos.
Graças a uma história caricata, o Partido Conservador inglês está numa encruzilhada: aceitar o facto da vida sexual ser um problema individual ou seguir na linha do infelizmente célebre back to basics de John Major. Em suma, ser um partido preparado para os dias de hoje ou manter um espírito reaccionário em que os ingleses não se revêem. É que, como se escreve no artigo, não é o sexo que incomoda os cidadãos, é a hipocrisia.
Comentário:
Sobre estas matérias, recomendei outro dia a leitura de Gore Vidal. Aliás, no seu vastíssimo livro de ensaios "United States", há um texto que se intitula precisamente "Sex is Politics", cuja leitura vivamente recomendo, apesar de ter sido escrito há mais de 20 anos.
Como é domingo, há mais tempo para deambular pela "blogosfera". Dei da caras com o último post do Mar Salgado, acerca do "Sexo e a Política", com base num artigo do "Spectator" ali citado. São oportunas as reflexões produzidas. Aqui ficam.
SEXO E POLÍTICA: A Spectator publica este excelente artigo a propósito da atitude do Partido Conservador em relação à vida privada de um dos seus altos quadros. É um bom pretexto para discutir a relação entre Sexo e Política. Devem os partidos políticos ter opinião sobre os hábitos sexuais dos cidadãos ou dos seus militantes ? Um partido conservador deverá defender uma moral conservadora nestas matérias ou respeitar a liberdade de cada um ? Há uma atitude de esquerda ou de direita nestas questões ?
Pretender que ideologias ou partidos políticos regulamentem esta área tão íntima denuncia uma pulsão totalitária. O Estado (e os partidos políticos fazem parte do aparelho de Estado) deve manter-se afastado destas matérias, desde que salvaguardada a protecção de grupos que devem ser especialmente protegidos como as crianças. A tentação para intervir é grande: hoje em dia respira-se sexo por todo o lado - nos media, na publicidade, no trabalho e na rua. A posição correcta e liberal é a de defender o direito de cada cidadão a não ser incomodado por causa dos seus hábitos íntimos.
Graças a uma história caricata, o Partido Conservador inglês está numa encruzilhada: aceitar o facto da vida sexual ser um problema individual ou seguir na linha do infelizmente célebre back to basics de John Major. Em suma, ser um partido preparado para os dias de hoje ou manter um espírito reaccionário em que os ingleses não se revêem. É que, como se escreve no artigo, não é o sexo que incomoda os cidadãos, é a hipocrisia.
Comentário:
Sobre estas matérias, recomendei outro dia a leitura de Gore Vidal. Aliás, no seu vastíssimo livro de ensaios "United States", há um texto que se intitula precisamente "Sex is Politics", cuja leitura vivamente recomendo, apesar de ter sido escrito há mais de 20 anos.
JOSÉ CARDOSO PIRES
Nelson de Matos, responsável pela Editora D. Quixote, tem hoje um belíssimo texto/retrato sobre Cardoso Pires. Aqui está uma prova de que há blogues que acrescentam algo de bom à nossa cinzenta atmosfera.
Nelson de Matos, responsável pela Editora D. Quixote, tem hoje um belíssimo texto/retrato sobre Cardoso Pires. Aqui está uma prova de que há blogues que acrescentam algo de bom à nossa cinzenta atmosfera.
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JOSÉ CARDOSO PIRES
Nelson de Matos, responsável pela Editora D. Quixote, tem hoje um belíssimo texto/retrato sobre Cardoso Pires. Aqui está uma prova de que há blogues que acrescentam algo de bom à nossa cinzenta atmosfera.
Nelson de Matos, responsável pela Editora D. Quixote, tem hoje um belíssimo texto/retrato sobre Cardoso Pires. Aqui está uma prova de que há blogues que acrescentam algo de bom à nossa cinzenta atmosfera.
FLORILÉGIO DOMINGUEIRO
Não nos andam de feição estes domingos de Verão. Farejo por perto a data do desaparecimento de David Mourão-Ferreira, em 1996. Não é a sua morte que quero lembrar hoje, mas a fulgurância escorreita da sua poesia, a sua imensa alegria de viver, a compreensão que as suas letras fazem da beleza e do que há de imaterial e improvável no encontro despojado de dois corpos que, por momentos, se amam.
Ternura
Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
Não nos andam de feição estes domingos de Verão. Farejo por perto a data do desaparecimento de David Mourão-Ferreira, em 1996. Não é a sua morte que quero lembrar hoje, mas a fulgurância escorreita da sua poesia, a sua imensa alegria de viver, a compreensão que as suas letras fazem da beleza e do que há de imaterial e improvável no encontro despojado de dois corpos que, por momentos, se amam.
Ternura
Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
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FLORILÉGIO DOMINGUEIRO
Não nos andam de feição estes domingos de Verão. Farejo por perto a data do desaparecimento de David Mourão-Ferreira, em 1996. Não é a sua morte que quero lembrar hoje, mas a fulgurância escorreita da sua poesia, a sua imensa alegria de viver, a compreensão que as suas letras fazem da beleza e do que há de imaterial e improvável no encontro despojado de dois corpos que, por momentos, se amam.
Ternura
Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
Não nos andam de feição estes domingos de Verão. Farejo por perto a data do desaparecimento de David Mourão-Ferreira, em 1996. Não é a sua morte que quero lembrar hoje, mas a fulgurância escorreita da sua poesia, a sua imensa alegria de viver, a compreensão que as suas letras fazem da beleza e do que há de imaterial e improvável no encontro despojado de dois corpos que, por momentos, se amam.
Ternura
Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
PASSAGENS SEM NÍVEL
O domingo começou, perto de Barcelos, com mais duas mortes numa passagem de nível, dentro de um carro. Uma terceira vítima estará mais para lá do que para cá, no hospital. Anda por aí espalhada o "Portugal em acção", uma nova "griffe " oficial. Porém, quando vejo as discussões bizantinas em torno do aeroporto da OTA, quando me lembro de que são precisas horas intermináveis para chegar ao Algarve de comboio, quando sinto as reduções de velocidade nos Alfas Lisboa/Porto por causa das nunca mais reformáveis linhas e carris, tudo culminando nestas pequenas mas significativas tragédias em obscuras passagens de nível espalhadas por esse País "real", ocorem-me as palavras de Milan Kundera a propósito do comportamento "kitsch" dos chamados "responsáveis" pelas coisas públicas, "a necessidade do Kitsch do homem-kitsch (kitschmensch)": "é a necessidade de se olhar ao espelho da mentira que embeleza e de aí se reconhecer com uma satisfação enternecida".
O domingo começou, perto de Barcelos, com mais duas mortes numa passagem de nível, dentro de um carro. Uma terceira vítima estará mais para lá do que para cá, no hospital. Anda por aí espalhada o "Portugal em acção", uma nova "griffe " oficial. Porém, quando vejo as discussões bizantinas em torno do aeroporto da OTA, quando me lembro de que são precisas horas intermináveis para chegar ao Algarve de comboio, quando sinto as reduções de velocidade nos Alfas Lisboa/Porto por causa das nunca mais reformáveis linhas e carris, tudo culminando nestas pequenas mas significativas tragédias em obscuras passagens de nível espalhadas por esse País "real", ocorem-me as palavras de Milan Kundera a propósito do comportamento "kitsch" dos chamados "responsáveis" pelas coisas públicas, "a necessidade do Kitsch do homem-kitsch (kitschmensch)": "é a necessidade de se olhar ao espelho da mentira que embeleza e de aí se reconhecer com uma satisfação enternecida".
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PASSAGENS SEM NÍVEL
O domingo começou, perto de Barcelos, com mais duas mortes numa passagem de nível, dentro de um carro. Uma terceira vítima estará mais para lá do que para cá, no hospital. Anda por aí espalhada o "Portugal em acção", uma nova "griffe " oficial. Porém, quando vejo as discussões bizantinas em torno do aeroporto da OTA, quando me lembro de que são precisas horas intermináveis para chegar ao Algarve de comboio, quando sinto as reduções de velocidade nos Alfas Lisboa/Porto por causa das nunca mais reformáveis linhas e carris, tudo culminando nestas pequenas mas significativas tragédias em obscuras passagens de nível espalhadas por esse País "real", ocorem-me as palavras de Milan Kundera a propósito do comportamento "kitsch" dos chamados "responsáveis" pelas coisas públicas, "a necessidade do Kitsch do homem-kitsch (kitschmensch)": "é a necessidade de se olhar ao espelho da mentira que embeleza e de aí se reconhecer com uma satisfação enternecida".
O domingo começou, perto de Barcelos, com mais duas mortes numa passagem de nível, dentro de um carro. Uma terceira vítima estará mais para lá do que para cá, no hospital. Anda por aí espalhada o "Portugal em acção", uma nova "griffe " oficial. Porém, quando vejo as discussões bizantinas em torno do aeroporto da OTA, quando me lembro de que são precisas horas intermináveis para chegar ao Algarve de comboio, quando sinto as reduções de velocidade nos Alfas Lisboa/Porto por causa das nunca mais reformáveis linhas e carris, tudo culminando nestas pequenas mas significativas tragédias em obscuras passagens de nível espalhadas por esse País "real", ocorem-me as palavras de Milan Kundera a propósito do comportamento "kitsch" dos chamados "responsáveis" pelas coisas públicas, "a necessidade do Kitsch do homem-kitsch (kitschmensch)": "é a necessidade de se olhar ao espelho da mentira que embeleza e de aí se reconhecer com uma satisfação enternecida".
AUGUSTO GIL
Quando eu era pequeno, tipo aluno da primária, impingiam-nos a mais pirosa das poesias de Augusto Gil nos livros de leitura, de seu nome "A balada da neve". É muito conhecida pelo seu começo bucólico: "...batem leve, levemente, como quem chama por mim". Era o "pathos" possível. Poucos saberão, no entanto, que Gil era um pouco mais do que isto. Natália Correia, na sua "Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica" ( ed. Antígona), inclui aguns textos de Augusto Gil que configuram "composições inéditas de um autor muito popular" ( pág. 331). Aos fins de semana costumamos ser incomodados pelo buzinar compulsivo de carros e mais carros, com patéticas fitinhas brancas, que significam casamento. É em homenagem a um desses felizes enlaces que reproduzo este outro Augusto Gil (1873-1929):
NOITE DE NÚPCIAS
Enquanto despia o fraque
junto ao leito de noivado,
escapuliu-se-lhe um traque
de timbre aclarinetado...
A noiva olhou-o de lado,
e pôs-se, com ar basbaque,
a remirar o bordado
das botinas de duraque...
Houve, após esse momento,
naquela noite de gala,
um duplo constrangimento.
E o noivo disse-lhe então:
"Oh filha, cu que não fala
é cu sem opinião...."
Quando eu era pequeno, tipo aluno da primária, impingiam-nos a mais pirosa das poesias de Augusto Gil nos livros de leitura, de seu nome "A balada da neve". É muito conhecida pelo seu começo bucólico: "...batem leve, levemente, como quem chama por mim". Era o "pathos" possível. Poucos saberão, no entanto, que Gil era um pouco mais do que isto. Natália Correia, na sua "Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica" ( ed. Antígona), inclui aguns textos de Augusto Gil que configuram "composições inéditas de um autor muito popular" ( pág. 331). Aos fins de semana costumamos ser incomodados pelo buzinar compulsivo de carros e mais carros, com patéticas fitinhas brancas, que significam casamento. É em homenagem a um desses felizes enlaces que reproduzo este outro Augusto Gil (1873-1929):
NOITE DE NÚPCIAS
Enquanto despia o fraque
junto ao leito de noivado,
escapuliu-se-lhe um traque
de timbre aclarinetado...
A noiva olhou-o de lado,
e pôs-se, com ar basbaque,
a remirar o bordado
das botinas de duraque...
Houve, após esse momento,
naquela noite de gala,
um duplo constrangimento.
E o noivo disse-lhe então:
"Oh filha, cu que não fala
é cu sem opinião...."
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AUGUSTO GIL
Quando eu era pequeno, tipo aluno da primária, impingiam-nos a mais pirosa das poesias de Augusto Gil nos livros de leitura, de seu nome "A balada da neve". É muito conhecida pelo seu começo bucólico: "...batem leve, levemente, como quem chama por mim". Era o "pathos" possível. Poucos saberão, no entanto, que Gil era um pouco mais do que isto. Natália Correia, na sua "Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica" ( ed. Antígona), inclui aguns textos de Augusto Gil que configuram "composições inéditas de um autor muito popular" ( pág. 331). Aos fins de semana costumamos ser incomodados pelo buzinar compulsivo de carros e mais carros, com patéticas fitinhas brancas, que significam casamento. É em homenagem a um desses felizes enlaces que reproduzo este outro Augusto Gil (1873-1929):
NOITE DE NÚPCIAS
Enquanto despia o fraque
junto ao leito de noivado,
escapuliu-se-lhe um traque
de timbre aclarinetado...
A noiva olhou-o de lado,
e pôs-se, com ar basbaque,
a remirar o bordado
das botinas de duraque...
Houve, após esse momento,
naquela noite de gala,
um duplo constrangimento.
E o noivo disse-lhe então:
"Oh filha, cu que não fala
é cu sem opinião...."
Quando eu era pequeno, tipo aluno da primária, impingiam-nos a mais pirosa das poesias de Augusto Gil nos livros de leitura, de seu nome "A balada da neve". É muito conhecida pelo seu começo bucólico: "...batem leve, levemente, como quem chama por mim". Era o "pathos" possível. Poucos saberão, no entanto, que Gil era um pouco mais do que isto. Natália Correia, na sua "Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica" ( ed. Antígona), inclui aguns textos de Augusto Gil que configuram "composições inéditas de um autor muito popular" ( pág. 331). Aos fins de semana costumamos ser incomodados pelo buzinar compulsivo de carros e mais carros, com patéticas fitinhas brancas, que significam casamento. É em homenagem a um desses felizes enlaces que reproduzo este outro Augusto Gil (1873-1929):
NOITE DE NÚPCIAS
Enquanto despia o fraque
junto ao leito de noivado,
escapuliu-se-lhe um traque
de timbre aclarinetado...
A noiva olhou-o de lado,
e pôs-se, com ar basbaque,
a remirar o bordado
das botinas de duraque...
Houve, após esse momento,
naquela noite de gala,
um duplo constrangimento.
E o noivo disse-lhe então:
"Oh filha, cu que não fala
é cu sem opinião...."
28.6.03
PEDRO SANTANA LOPES
Em 1974, no último debate televisivo entre Giscard D' Estaing e François Mitterrand, na campanha eleitoral para a Presidência da República, Mitterrand, a dada altura, disse a Giscard que a política era igualmente "un affair du coeur". Giscard, impassível, devolveu-lhe uma frase impiedosa que, dizia-se na altura, terá contribuído para a derrota de Mitterrand: "o senhor não tem o monopólio do coração". Pois hoje, no DNA do Diário de Notícias, Pedro Santana Lopes que aprendeu a lição, disserta abundantemente sobre a (sua) chamada vida pessoal e os seus pequenos e grandes "affairs du coeur". Mesmo nas partes mais " políticas" da entrevista, é tudo a puxar ao intimismo e ao sentimento. Santana Lopes sabe-a toda. Digo isto com o à vontade de quem o apoiou na candidatura à Cãmara de Lisboa e de quem considera que ele foi o verdadeiro impulsionador da vitória de Barroso em Março de 2002. Nunca simpatizei com a arrogância "esquerda caviar" de João Soares e achei que era preciso, na altura, sacudir a Pátria através das eleições autárquicas. Também me irritou aquele trôpego frentismo anti-fascista de circunstância que se reuniu contra Lopes. Dito isto, e voltando à dita entrevista, Lopes, o sedutor, prepara obviamente uma candidatura a Belém. Esta conversa "estilo misto Barbara Cartland e Corin Tellado" não tem outro propósito. Eu, como não votei nele para ser candidato a Belém, estou preocupado, e em dose dupla. Primeiro, porque espero e reclamo obra em Lisboa. Em segundo lugar, porque, se o registo aventureiro, de ruptura e politicamente atípico de PSL pode ser útil na gestão de uma estrutura pesada e conservadora como é a organização da CML, tenho as maiores dúvidas de que esse seja o registo que a Pátria mais gosta de ver em Belém. Estranho que a enorme intuição política de Lopes - talvez o caso mais sério, à direita, depois de Mário Soares - não lhe tenha cochichado que começou muito cedo nesta caminhada. Para Belém, os tempos contam e muito. Os dados que, sobre esta matéria, constam de um estudo publicado no Expresso - e que valem o que valem- demonstram isso mesmo e sossegam-nos relativamente. Era bom que PSL fizesse boa obra em Lisboa e que se recandidatasse por ela.
Em 1974, no último debate televisivo entre Giscard D' Estaing e François Mitterrand, na campanha eleitoral para a Presidência da República, Mitterrand, a dada altura, disse a Giscard que a política era igualmente "un affair du coeur". Giscard, impassível, devolveu-lhe uma frase impiedosa que, dizia-se na altura, terá contribuído para a derrota de Mitterrand: "o senhor não tem o monopólio do coração". Pois hoje, no DNA do Diário de Notícias, Pedro Santana Lopes que aprendeu a lição, disserta abundantemente sobre a (sua) chamada vida pessoal e os seus pequenos e grandes "affairs du coeur". Mesmo nas partes mais " políticas" da entrevista, é tudo a puxar ao intimismo e ao sentimento. Santana Lopes sabe-a toda. Digo isto com o à vontade de quem o apoiou na candidatura à Cãmara de Lisboa e de quem considera que ele foi o verdadeiro impulsionador da vitória de Barroso em Março de 2002. Nunca simpatizei com a arrogância "esquerda caviar" de João Soares e achei que era preciso, na altura, sacudir a Pátria através das eleições autárquicas. Também me irritou aquele trôpego frentismo anti-fascista de circunstância que se reuniu contra Lopes. Dito isto, e voltando à dita entrevista, Lopes, o sedutor, prepara obviamente uma candidatura a Belém. Esta conversa "estilo misto Barbara Cartland e Corin Tellado" não tem outro propósito. Eu, como não votei nele para ser candidato a Belém, estou preocupado, e em dose dupla. Primeiro, porque espero e reclamo obra em Lisboa. Em segundo lugar, porque, se o registo aventureiro, de ruptura e politicamente atípico de PSL pode ser útil na gestão de uma estrutura pesada e conservadora como é a organização da CML, tenho as maiores dúvidas de que esse seja o registo que a Pátria mais gosta de ver em Belém. Estranho que a enorme intuição política de Lopes - talvez o caso mais sério, à direita, depois de Mário Soares - não lhe tenha cochichado que começou muito cedo nesta caminhada. Para Belém, os tempos contam e muito. Os dados que, sobre esta matéria, constam de um estudo publicado no Expresso - e que valem o que valem- demonstram isso mesmo e sossegam-nos relativamente. Era bom que PSL fizesse boa obra em Lisboa e que se recandidatasse por ela.
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PEDRO SANTANA LOPES
Em 1974, no último debate televisivo entre Giscard D' Estaing e François Mitterrand, na campanha eleitoral para a Presidência da República, Mitterrand, a dada altura, disse a Giscard que a política era igualmente "un affair du coeur". Giscard, impassível, devolveu-lhe uma frase impiedosa que, dizia-se na altura, terá contribuído para a derrota de Mitterrand: "o senhor não tem o monopólio do coração". Pois hoje, no DNA do Diário de Notícias, Pedro Santana Lopes que aprendeu a lição, disserta abundantemente sobre a (sua) chamada vida pessoal e os seus pequenos e grandes "affairs du coeur". Mesmo nas partes mais " políticas" da entrevista, é tudo a puxar ao intimismo e ao sentimento. Santana Lopes sabe-a toda. Digo isto com o à vontade de quem o apoiou na candidatura à Cãmara de Lisboa e de quem considera que ele foi o verdadeiro impulsionador da vitória de Barroso em Março de 2002. Nunca simpatizei com a arrogância "esquerda caviar" de João Soares e achei que era preciso, na altura, sacudir a Pátria através das eleições autárquicas. Também me irritou aquele trôpego frentismo anti-fascista de circunstância que se reuniu contra Lopes. Dito isto, e voltando à dita entrevista, Lopes, o sedutor, prepara obviamente uma candidatura a Belém. Esta conversa "estilo misto Barbara Cartland e Corin Tellado" não tem outro propósito. Eu, como não votei nele para ser candidato a Belém, estou preocupado, e em dose dupla. Primeiro, porque espero e reclamo obra em Lisboa. Em segundo lugar, porque, se o registo aventureiro, de ruptura e politicamente atípico de PSL pode ser útil na gestão de uma estrutura pesada e conservadora como é a organização da CML, tenho as maiores dúvidas de que esse seja o registo que a Pátria mais gosta de ver em Belém. Estranho que a enorme intuição política de Lopes - talvez o caso mais sério, à direita, depois de Mário Soares - não lhe tenha cochichado que começou muito cedo nesta caminhada. Para Belém, os tempos contam e muito. Os dados que, sobre esta matéria, constam de um estudo publicado no Expresso - e que valem o que valem- demonstram isso mesmo e sossegam-nos relativamente. Era bom que PSL fizesse boa obra em Lisboa e que se recandidatasse por ela.
Em 1974, no último debate televisivo entre Giscard D' Estaing e François Mitterrand, na campanha eleitoral para a Presidência da República, Mitterrand, a dada altura, disse a Giscard que a política era igualmente "un affair du coeur". Giscard, impassível, devolveu-lhe uma frase impiedosa que, dizia-se na altura, terá contribuído para a derrota de Mitterrand: "o senhor não tem o monopólio do coração". Pois hoje, no DNA do Diário de Notícias, Pedro Santana Lopes que aprendeu a lição, disserta abundantemente sobre a (sua) chamada vida pessoal e os seus pequenos e grandes "affairs du coeur". Mesmo nas partes mais " políticas" da entrevista, é tudo a puxar ao intimismo e ao sentimento. Santana Lopes sabe-a toda. Digo isto com o à vontade de quem o apoiou na candidatura à Cãmara de Lisboa e de quem considera que ele foi o verdadeiro impulsionador da vitória de Barroso em Março de 2002. Nunca simpatizei com a arrogância "esquerda caviar" de João Soares e achei que era preciso, na altura, sacudir a Pátria através das eleições autárquicas. Também me irritou aquele trôpego frentismo anti-fascista de circunstância que se reuniu contra Lopes. Dito isto, e voltando à dita entrevista, Lopes, o sedutor, prepara obviamente uma candidatura a Belém. Esta conversa "estilo misto Barbara Cartland e Corin Tellado" não tem outro propósito. Eu, como não votei nele para ser candidato a Belém, estou preocupado, e em dose dupla. Primeiro, porque espero e reclamo obra em Lisboa. Em segundo lugar, porque, se o registo aventureiro, de ruptura e politicamente atípico de PSL pode ser útil na gestão de uma estrutura pesada e conservadora como é a organização da CML, tenho as maiores dúvidas de que esse seja o registo que a Pátria mais gosta de ver em Belém. Estranho que a enorme intuição política de Lopes - talvez o caso mais sério, à direita, depois de Mário Soares - não lhe tenha cochichado que começou muito cedo nesta caminhada. Para Belém, os tempos contam e muito. Os dados que, sobre esta matéria, constam de um estudo publicado no Expresso - e que valem o que valem- demonstram isso mesmo e sossegam-nos relativamente. Era bom que PSL fizesse boa obra em Lisboa e que se recandidatasse por ela.
PIPI SUPERSTAR
Na edição de hoje do Expresso, mais propriamente na Única, o Meu Pipi dá uma entrevista. Ficamos a saber, diz ele, que, "quando escrevo para o outro blog planifico, releio, dou importância, enquanto para O Meu Pipi é diferente: em geral parto de uma ideia prévia, mas aquilo vai saindo, umas teorias atrás das outras". Qual é o heterónimo "planificado" do Pipi?
Na edição de hoje do Expresso, mais propriamente na Única, o Meu Pipi dá uma entrevista. Ficamos a saber, diz ele, que, "quando escrevo para o outro blog planifico, releio, dou importância, enquanto para O Meu Pipi é diferente: em geral parto de uma ideia prévia, mas aquilo vai saindo, umas teorias atrás das outras". Qual é o heterónimo "planificado" do Pipi?
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PIPI SUPERSTAR
Na edição de hoje do Expresso, mais propriamente na Única, o Meu Pipi dá uma entrevista. Ficamos a saber, diz ele, que, "quando escrevo para o outro blog planifico, releio, dou importância, enquanto para O Meu Pipi é diferente: em geral parto de uma ideia prévia, mas aquilo vai saindo, umas teorias atrás das outras". Qual é o heterónimo "planificado" do Pipi?
Na edição de hoje do Expresso, mais propriamente na Única, o Meu Pipi dá uma entrevista. Ficamos a saber, diz ele, que, "quando escrevo para o outro blog planifico, releio, dou importância, enquanto para O Meu Pipi é diferente: em geral parto de uma ideia prévia, mas aquilo vai saindo, umas teorias atrás das outras". Qual é o heterónimo "planificado" do Pipi?
27.6.03
O ANONIMATO II
Tenho dedicado muitos posts à cultura. Estive fugazmente ligado à dita, no sentido institucional do termo, na direcção de um teatro nacional, o de São Carlos. Demiti-me do cargo em Abril último por razões que expliquei numa carta dirigida ao Ministro da Cultura e que foi, na altura, mais ou menos publicitada. Ou seja: eles conhecem-me e eu conheço-os. Seria torpe da minha parte, andar para aqui a escrever sobre o Teatro e o estado da cultura em regime anónimo. Seguindo a boa doutrina do ex-administrador da Casa da Música do Porto, Dr. Rui Amaral, primeiro saímos, e, depois criticamos, se nos aprouver.. Mas também não é propósito destas escritas "reformar" a cultura ou o teatro de ópera em Portugal. Não sou candidato a profeta. Porém, gosto o suficiente de uma e do outro, para que lhe dedique bastante atenção, no meio de muitas outras coisas...assinando em baixo.
Tenho dedicado muitos posts à cultura. Estive fugazmente ligado à dita, no sentido institucional do termo, na direcção de um teatro nacional, o de São Carlos. Demiti-me do cargo em Abril último por razões que expliquei numa carta dirigida ao Ministro da Cultura e que foi, na altura, mais ou menos publicitada. Ou seja: eles conhecem-me e eu conheço-os. Seria torpe da minha parte, andar para aqui a escrever sobre o Teatro e o estado da cultura em regime anónimo. Seguindo a boa doutrina do ex-administrador da Casa da Música do Porto, Dr. Rui Amaral, primeiro saímos, e, depois criticamos, se nos aprouver.. Mas também não é propósito destas escritas "reformar" a cultura ou o teatro de ópera em Portugal. Não sou candidato a profeta. Porém, gosto o suficiente de uma e do outro, para que lhe dedique bastante atenção, no meio de muitas outras coisas...assinando em baixo.
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O ANONIMATO II
Tenho dedicado muitos posts à cultura. Estive fugazmente ligado à dita, no sentido institucional do termo, na direcção de um teatro nacional, o de São Carlos. Demiti-me do cargo em Abril último por razões que expliquei numa carta dirigida ao Ministro da Cultura e que foi, na altura, mais ou menos publicitada. Ou seja: eles conhecem-me e eu conheço-os. Seria torpe da minha parte, andar para aqui a escrever sobre o Teatro e o estado da cultura em regime anónimo. Seguindo a boa doutrina do ex-administrador da Casa da Música do Porto, Dr. Rui Amaral, primeiro saímos, e, depois criticamos, se nos aprouver.. Mas também não é propósito destas escritas "reformar" a cultura ou o teatro de ópera em Portugal. Não sou candidato a profeta. Porém, gosto o suficiente de uma e do outro, para que lhe dedique bastante atenção, no meio de muitas outras coisas...assinando em baixo.
Tenho dedicado muitos posts à cultura. Estive fugazmente ligado à dita, no sentido institucional do termo, na direcção de um teatro nacional, o de São Carlos. Demiti-me do cargo em Abril último por razões que expliquei numa carta dirigida ao Ministro da Cultura e que foi, na altura, mais ou menos publicitada. Ou seja: eles conhecem-me e eu conheço-os. Seria torpe da minha parte, andar para aqui a escrever sobre o Teatro e o estado da cultura em regime anónimo. Seguindo a boa doutrina do ex-administrador da Casa da Música do Porto, Dr. Rui Amaral, primeiro saímos, e, depois criticamos, se nos aprouver.. Mas também não é propósito destas escritas "reformar" a cultura ou o teatro de ópera em Portugal. Não sou candidato a profeta. Porém, gosto o suficiente de uma e do outro, para que lhe dedique bastante atenção, no meio de muitas outras coisas...assinando em baixo.
O ANONIMATO
O Guerra e Pás colocou um post que levanta uma questão interessante, pelo que, com a sua licença virtual, o repito:
"O Nélson de Matos fala de uma questão que eu julgava que nos ia passar ao lado, a do anonimato. Diz ele que não gosta de blogs anónimos, e eu acho que há mais argumentos a favor da sua posição que da minha, que até mantenho um! Mas eu defendo os blogs anónimos.
Tentarei explicar-me.
Num blog anónimo há liberdades e libertinagens impossíveis num blog assumido – para já a imunidade parlamentar funciona e num país tão litigante ( e sei bem do que falo) e com juizes tão curiosos, nunca se sabe se não malhamos com os costaços na pildra por qualquer coisa escrita in the heat de um moment qualquer. Depois, imagine-se que um dos famosos que por aqui anda embirra com alguém que dá o nome. Num país tão pequeno e tão mesquinho, a falta de fairplay pode significar um emprego, uma carreira universitária (e sei bem do que falo). Mas estes estão longe de ser os argumentos, embora não sejam dispiciendos. O argumento é de natureza literária, ou se quiser, de natureza autoral. Em abstracto que nos interessa a identidade de um criador se a criação nos agrada? Sei que o NM é amigo e admirador (como eu) de Lobo Antunes, mas se não o conhecesse não admiria a sua obra na mesma? Não é ele um admirável escritor?
Sabe muito melhor que eu que a esmagadora maioria dos criadores maiores do nosso mundo eram gente abjecta no íntimo dos seus lares. Freud nem ligava à mulher, Jung enganava a dele, dois filhos de Bing Crosby suicidaram-se, etc (não há aqui nenhum salto lógico a partir de Lobo Antunes, obviamente).
Há um excesso de protagonismo autoral no mundo lá de fora – a nossa sede de ídolos e a humanização forçada de escritores, músicos, actores, distorce a nossa apreciação sobre eles - quem sabe se eu não gostaria mais de Saramago se não embirrasse com ele?
Finalmente, e a questão está longe de estar esgotada, há saberes aqui na blogolândia que são partilha. E por serem partilhados anonimamente, funcionam como a pessoa de que nunca soubemos o nome que chamou a ambulância quando tivemos o acidente, ou, mais comum, que nos indica o caminho na estrada. Há partilha, não há nomes."
Comentários:
1. É pertinente a observação de que, sendo isto a "pequena caixa de fósforos" que conhecemos, em que todos roçamos mais ou menos todos uns pelos outros, a identificação pode ter o efeito perverso de conotar o autor com posições política ou outra "coisamente" incorrectas, que lhe podem causar dissabores, num País onde a inveja e o ressentimento andam quase sempre de mão dada com a falta de sentido de humor e a pura ignorância;
2. Por outro lado, é saudável, visto do lado liberal, democrático e ironista em que me coloco, dar um "nome à coisa", dar o "meu" nome à coisa escrita, sem subterfúgios, não por vontade de exibição gratuita ou de crítica dirigida, mas porque assim posso testar - se bem que não esteja aqui para testar o que quer que seja - a maturidade cívica e intelectual dos meus putativos interlocutores, mesmo que eu nunca venha a saber quem eles são;
3. Na perspectiva em que sempre me coloco, nesta "blogomania" podem conviver saberes partilhados com ou sem nomes, em que alguns de entre eles me ajudam a "redescrever" o meu próprio vocabulário e as minhas próprias convicções, sendo que todos representam, de alguma forma, a apoteose da contingência, no sentido que Richard Rorty atribui a estas designações;
4. Finalmente, agrada-me a ideia de poder falar aqui livremente do que me interessa ou interessou: um livro, um discurso, um poema, uma reportagem, uma opinião, uma pessoa, uma situação, para poder dizer, se me apetecer e quando me apetecer, como no magnífico e já longínquo filme de Antonioni, " A identificação de uma mulher", "tu não és a minha norma".
O Guerra e Pás colocou um post que levanta uma questão interessante, pelo que, com a sua licença virtual, o repito:
"O Nélson de Matos fala de uma questão que eu julgava que nos ia passar ao lado, a do anonimato. Diz ele que não gosta de blogs anónimos, e eu acho que há mais argumentos a favor da sua posição que da minha, que até mantenho um! Mas eu defendo os blogs anónimos.
Tentarei explicar-me.
Num blog anónimo há liberdades e libertinagens impossíveis num blog assumido – para já a imunidade parlamentar funciona e num país tão litigante ( e sei bem do que falo) e com juizes tão curiosos, nunca se sabe se não malhamos com os costaços na pildra por qualquer coisa escrita in the heat de um moment qualquer. Depois, imagine-se que um dos famosos que por aqui anda embirra com alguém que dá o nome. Num país tão pequeno e tão mesquinho, a falta de fairplay pode significar um emprego, uma carreira universitária (e sei bem do que falo). Mas estes estão longe de ser os argumentos, embora não sejam dispiciendos. O argumento é de natureza literária, ou se quiser, de natureza autoral. Em abstracto que nos interessa a identidade de um criador se a criação nos agrada? Sei que o NM é amigo e admirador (como eu) de Lobo Antunes, mas se não o conhecesse não admiria a sua obra na mesma? Não é ele um admirável escritor?
Sabe muito melhor que eu que a esmagadora maioria dos criadores maiores do nosso mundo eram gente abjecta no íntimo dos seus lares. Freud nem ligava à mulher, Jung enganava a dele, dois filhos de Bing Crosby suicidaram-se, etc (não há aqui nenhum salto lógico a partir de Lobo Antunes, obviamente).
Há um excesso de protagonismo autoral no mundo lá de fora – a nossa sede de ídolos e a humanização forçada de escritores, músicos, actores, distorce a nossa apreciação sobre eles - quem sabe se eu não gostaria mais de Saramago se não embirrasse com ele?
Finalmente, e a questão está longe de estar esgotada, há saberes aqui na blogolândia que são partilha. E por serem partilhados anonimamente, funcionam como a pessoa de que nunca soubemos o nome que chamou a ambulância quando tivemos o acidente, ou, mais comum, que nos indica o caminho na estrada. Há partilha, não há nomes."
Comentários:
1. É pertinente a observação de que, sendo isto a "pequena caixa de fósforos" que conhecemos, em que todos roçamos mais ou menos todos uns pelos outros, a identificação pode ter o efeito perverso de conotar o autor com posições política ou outra "coisamente" incorrectas, que lhe podem causar dissabores, num País onde a inveja e o ressentimento andam quase sempre de mão dada com a falta de sentido de humor e a pura ignorância;
2. Por outro lado, é saudável, visto do lado liberal, democrático e ironista em que me coloco, dar um "nome à coisa", dar o "meu" nome à coisa escrita, sem subterfúgios, não por vontade de exibição gratuita ou de crítica dirigida, mas porque assim posso testar - se bem que não esteja aqui para testar o que quer que seja - a maturidade cívica e intelectual dos meus putativos interlocutores, mesmo que eu nunca venha a saber quem eles são;
3. Na perspectiva em que sempre me coloco, nesta "blogomania" podem conviver saberes partilhados com ou sem nomes, em que alguns de entre eles me ajudam a "redescrever" o meu próprio vocabulário e as minhas próprias convicções, sendo que todos representam, de alguma forma, a apoteose da contingência, no sentido que Richard Rorty atribui a estas designações;
4. Finalmente, agrada-me a ideia de poder falar aqui livremente do que me interessa ou interessou: um livro, um discurso, um poema, uma reportagem, uma opinião, uma pessoa, uma situação, para poder dizer, se me apetecer e quando me apetecer, como no magnífico e já longínquo filme de Antonioni, " A identificação de uma mulher", "tu não és a minha norma".
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O ANONIMATO
O Guerra e Pás colocou um post que levanta uma questão interessante, pelo que, com a sua licença virtual, o repito:
"O Nélson de Matos fala de uma questão que eu julgava que nos ia passar ao lado, a do anonimato. Diz ele que não gosta de blogs anónimos, e eu acho que há mais argumentos a favor da sua posição que da minha, que até mantenho um! Mas eu defendo os blogs anónimos.
Tentarei explicar-me.
Num blog anónimo há liberdades e libertinagens impossíveis num blog assumido – para já a imunidade parlamentar funciona e num país tão litigante ( e sei bem do que falo) e com juizes tão curiosos, nunca se sabe se não malhamos com os costaços na pildra por qualquer coisa escrita in the heat de um moment qualquer. Depois, imagine-se que um dos famosos que por aqui anda embirra com alguém que dá o nome. Num país tão pequeno e tão mesquinho, a falta de fairplay pode significar um emprego, uma carreira universitária (e sei bem do que falo). Mas estes estão longe de ser os argumentos, embora não sejam dispiciendos. O argumento é de natureza literária, ou se quiser, de natureza autoral. Em abstracto que nos interessa a identidade de um criador se a criação nos agrada? Sei que o NM é amigo e admirador (como eu) de Lobo Antunes, mas se não o conhecesse não admiria a sua obra na mesma? Não é ele um admirável escritor?
Sabe muito melhor que eu que a esmagadora maioria dos criadores maiores do nosso mundo eram gente abjecta no íntimo dos seus lares. Freud nem ligava à mulher, Jung enganava a dele, dois filhos de Bing Crosby suicidaram-se, etc (não há aqui nenhum salto lógico a partir de Lobo Antunes, obviamente).
Há um excesso de protagonismo autoral no mundo lá de fora – a nossa sede de ídolos e a humanização forçada de escritores, músicos, actores, distorce a nossa apreciação sobre eles - quem sabe se eu não gostaria mais de Saramago se não embirrasse com ele?
Finalmente, e a questão está longe de estar esgotada, há saberes aqui na blogolândia que são partilha. E por serem partilhados anonimamente, funcionam como a pessoa de que nunca soubemos o nome que chamou a ambulância quando tivemos o acidente, ou, mais comum, que nos indica o caminho na estrada. Há partilha, não há nomes."
Comentários:
1. É pertinente a observação de que, sendo isto a "pequena caixa de fósforos" que conhecemos, em que todos roçamos mais ou menos todos uns pelos outros, a identificação pode ter o efeito perverso de conotar o autor com posições política ou outra "coisamente" incorrectas, que lhe podem causar dissabores, num País onde a inveja e o ressentimento andam quase sempre de mão dada com a falta de sentido de humor e a pura ignorância;
2. Por outro lado, é saudável, visto do lado liberal, democrático e ironista em que me coloco, dar um "nome à coisa", dar o "meu" nome à coisa escrita, sem subterfúgios, não por vontade de exibição gratuita ou de crítica dirigida, mas porque assim posso testar - se bem que não esteja aqui para testar o que quer que seja - a maturidade cívica e intelectual dos meus putativos interlocutores, mesmo que eu nunca venha a saber quem eles são;
3. Na perspectiva em que sempre me coloco, nesta "blogomania" podem conviver saberes partilhados com ou sem nomes, em que alguns de entre eles me ajudam a "redescrever" o meu próprio vocabulário e as minhas próprias convicções, sendo que todos representam, de alguma forma, a apoteose da contingência, no sentido que Richard Rorty atribui a estas designações;
4. Finalmente, agrada-me a ideia de poder falar aqui livremente do que me interessa ou interessou: um livro, um discurso, um poema, uma reportagem, uma opinião, uma pessoa, uma situação, para poder dizer, se me apetecer e quando me apetecer, como no magnífico e já longínquo filme de Antonioni, " A identificação de uma mulher", "tu não és a minha norma".
O Guerra e Pás colocou um post que levanta uma questão interessante, pelo que, com a sua licença virtual, o repito:
"O Nélson de Matos fala de uma questão que eu julgava que nos ia passar ao lado, a do anonimato. Diz ele que não gosta de blogs anónimos, e eu acho que há mais argumentos a favor da sua posição que da minha, que até mantenho um! Mas eu defendo os blogs anónimos.
Tentarei explicar-me.
Num blog anónimo há liberdades e libertinagens impossíveis num blog assumido – para já a imunidade parlamentar funciona e num país tão litigante ( e sei bem do que falo) e com juizes tão curiosos, nunca se sabe se não malhamos com os costaços na pildra por qualquer coisa escrita in the heat de um moment qualquer. Depois, imagine-se que um dos famosos que por aqui anda embirra com alguém que dá o nome. Num país tão pequeno e tão mesquinho, a falta de fairplay pode significar um emprego, uma carreira universitária (e sei bem do que falo). Mas estes estão longe de ser os argumentos, embora não sejam dispiciendos. O argumento é de natureza literária, ou se quiser, de natureza autoral. Em abstracto que nos interessa a identidade de um criador se a criação nos agrada? Sei que o NM é amigo e admirador (como eu) de Lobo Antunes, mas se não o conhecesse não admiria a sua obra na mesma? Não é ele um admirável escritor?
Sabe muito melhor que eu que a esmagadora maioria dos criadores maiores do nosso mundo eram gente abjecta no íntimo dos seus lares. Freud nem ligava à mulher, Jung enganava a dele, dois filhos de Bing Crosby suicidaram-se, etc (não há aqui nenhum salto lógico a partir de Lobo Antunes, obviamente).
Há um excesso de protagonismo autoral no mundo lá de fora – a nossa sede de ídolos e a humanização forçada de escritores, músicos, actores, distorce a nossa apreciação sobre eles - quem sabe se eu não gostaria mais de Saramago se não embirrasse com ele?
Finalmente, e a questão está longe de estar esgotada, há saberes aqui na blogolândia que são partilha. E por serem partilhados anonimamente, funcionam como a pessoa de que nunca soubemos o nome que chamou a ambulância quando tivemos o acidente, ou, mais comum, que nos indica o caminho na estrada. Há partilha, não há nomes."
Comentários:
1. É pertinente a observação de que, sendo isto a "pequena caixa de fósforos" que conhecemos, em que todos roçamos mais ou menos todos uns pelos outros, a identificação pode ter o efeito perverso de conotar o autor com posições política ou outra "coisamente" incorrectas, que lhe podem causar dissabores, num País onde a inveja e o ressentimento andam quase sempre de mão dada com a falta de sentido de humor e a pura ignorância;
2. Por outro lado, é saudável, visto do lado liberal, democrático e ironista em que me coloco, dar um "nome à coisa", dar o "meu" nome à coisa escrita, sem subterfúgios, não por vontade de exibição gratuita ou de crítica dirigida, mas porque assim posso testar - se bem que não esteja aqui para testar o que quer que seja - a maturidade cívica e intelectual dos meus putativos interlocutores, mesmo que eu nunca venha a saber quem eles são;
3. Na perspectiva em que sempre me coloco, nesta "blogomania" podem conviver saberes partilhados com ou sem nomes, em que alguns de entre eles me ajudam a "redescrever" o meu próprio vocabulário e as minhas próprias convicções, sendo que todos representam, de alguma forma, a apoteose da contingência, no sentido que Richard Rorty atribui a estas designações;
4. Finalmente, agrada-me a ideia de poder falar aqui livremente do que me interessa ou interessou: um livro, um discurso, um poema, uma reportagem, uma opinião, uma pessoa, uma situação, para poder dizer, se me apetecer e quando me apetecer, como no magnífico e já longínquo filme de Antonioni, " A identificação de uma mulher", "tu não és a minha norma".
A FALTA II
No anterior post, falei em cerca de 50 deputados que seriam candidatos à falta injustificada. Afinal são só 30, mas até podia ser um só. Li algures que, por exemplo, o Sr. Alberto Martins, deputado do PS, acha que foi a Sevlha em - imagine-se - "trabalho político" e quer que Mota Amaral lhe releve a falta. A dele e as do resto do grupo excursionista. Que eu saiba, a não ser o Sr. Pinto da Costa, ninguém lhes pediu para ir, e muito menos em representação política. De quem? Do FCP?
No anterior post, falei em cerca de 50 deputados que seriam candidatos à falta injustificada. Afinal são só 30, mas até podia ser um só. Li algures que, por exemplo, o Sr. Alberto Martins, deputado do PS, acha que foi a Sevlha em - imagine-se - "trabalho político" e quer que Mota Amaral lhe releve a falta. A dele e as do resto do grupo excursionista. Que eu saiba, a não ser o Sr. Pinto da Costa, ninguém lhes pediu para ir, e muito menos em representação política. De quem? Do FCP?
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A FALTA II
No anterior post, falei em cerca de 50 deputados que seriam candidatos à falta injustificada. Afinal são só 30, mas até podia ser um só. Li algures que, por exemplo, o Sr. Alberto Martins, deputado do PS, acha que foi a Sevlha em - imagine-se - "trabalho político" e quer que Mota Amaral lhe releve a falta. A dele e as do resto do grupo excursionista. Que eu saiba, a não ser o Sr. Pinto da Costa, ninguém lhes pediu para ir, e muito menos em representação política. De quem? Do FCP?
No anterior post, falei em cerca de 50 deputados que seriam candidatos à falta injustificada. Afinal são só 30, mas até podia ser um só. Li algures que, por exemplo, o Sr. Alberto Martins, deputado do PS, acha que foi a Sevlha em - imagine-se - "trabalho político" e quer que Mota Amaral lhe releve a falta. A dele e as do resto do grupo excursionista. Que eu saiba, a não ser o Sr. Pinto da Costa, ninguém lhes pediu para ir, e muito menos em representação política. De quem? Do FCP?
A FALTA
Quando ainda era politicamente imberbe e tinha acabado de aderir ao PSD, participei num jantar de homenagem ao então presidente do Governo Regional dos Açores, João Bosco Mota Amaral, na antiga FIL, num tempo em que havia "tendências" dentro da seita. Nessa altura mandava o saudoso Mota Pinto e preparava-se um congresso, no qual, se bem me lembro, Mota Amaral era apoiado por Balsemão, inclusivé para eventual candidato a Belém. Passaram estes anos todos, Balsemão tornou-se uma irrelevância política - mais tarde percebi que antes disso já o era - e Mota Amaral chegou, não a primeira, mas a segunda figura do Estado desde o ano passado. Recebi-o várias vezes no Teatro Nacional de São Carlos, de que é assíduo frequentador, mesmo antes de exercer as funções de Presidente da AR. É um homem amável, educado e com sentido da coisa pública. Por estes dias, decidiu que os deputados que foram a Sevilha assistir a uma final qualquer de futebol em que participava o FCP do Sr. Pinto da Costa, deveriam ter falta injustificada. Muito bem feito. Apesar de sabermos que a Pátria se confunde praticamente com futebol, e, este ano em particular, com o FCP, nada justifica esta saloia excursão de deputados, para aí uns 50, a que também se associaram o PM e o PR.Há dias fui a Espanha ver ópera, e meti dois honestos dias de férias. Para estas coisas, o "centrão" PSD/PS, seguramente com "o bracinho direito de Portugal" a ajudar, já está a funcionar,contra a posição de Mota Amaral. Não ceda, só lhe fica bem.
Quando ainda era politicamente imberbe e tinha acabado de aderir ao PSD, participei num jantar de homenagem ao então presidente do Governo Regional dos Açores, João Bosco Mota Amaral, na antiga FIL, num tempo em que havia "tendências" dentro da seita. Nessa altura mandava o saudoso Mota Pinto e preparava-se um congresso, no qual, se bem me lembro, Mota Amaral era apoiado por Balsemão, inclusivé para eventual candidato a Belém. Passaram estes anos todos, Balsemão tornou-se uma irrelevância política - mais tarde percebi que antes disso já o era - e Mota Amaral chegou, não a primeira, mas a segunda figura do Estado desde o ano passado. Recebi-o várias vezes no Teatro Nacional de São Carlos, de que é assíduo frequentador, mesmo antes de exercer as funções de Presidente da AR. É um homem amável, educado e com sentido da coisa pública. Por estes dias, decidiu que os deputados que foram a Sevilha assistir a uma final qualquer de futebol em que participava o FCP do Sr. Pinto da Costa, deveriam ter falta injustificada. Muito bem feito. Apesar de sabermos que a Pátria se confunde praticamente com futebol, e, este ano em particular, com o FCP, nada justifica esta saloia excursão de deputados, para aí uns 50, a que também se associaram o PM e o PR.Há dias fui a Espanha ver ópera, e meti dois honestos dias de férias. Para estas coisas, o "centrão" PSD/PS, seguramente com "o bracinho direito de Portugal" a ajudar, já está a funcionar,contra a posição de Mota Amaral. Não ceda, só lhe fica bem.
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A FALTA
Quando ainda era politicamente imberbe e tinha acabado de aderir ao PSD, participei num jantar de homenagem ao então presidente do Governo Regional dos Açores, João Bosco Mota Amaral, na antiga FIL, num tempo em que havia "tendências" dentro da seita. Nessa altura mandava o saudoso Mota Pinto e preparava-se um congresso, no qual, se bem me lembro, Mota Amaral era apoiado por Balsemão, inclusivé para eventual candidato a Belém. Passaram estes anos todos, Balsemão tornou-se uma irrelevância política - mais tarde percebi que antes disso já o era - e Mota Amaral chegou, não a primeira, mas a segunda figura do Estado desde o ano passado. Recebi-o várias vezes no Teatro Nacional de São Carlos, de que é assíduo frequentador, mesmo antes de exercer as funções de Presidente da AR. É um homem amável, educado e com sentido da coisa pública. Por estes dias, decidiu que os deputados que foram a Sevilha assistir a uma final qualquer de futebol em que participava o FCP do Sr. Pinto da Costa, deveriam ter falta injustificada. Muito bem feito. Apesar de sabermos que a Pátria se confunde praticamente com futebol, e, este ano em particular, com o FCP, nada justifica esta saloia excursão de deputados, para aí uns 50, a que também se associaram o PM e o PR.Há dias fui a Espanha ver ópera, e meti dois honestos dias de férias. Para estas coisas, o "centrão" PSD/PS, seguramente com "o bracinho direito de Portugal" a ajudar, já está a funcionar,contra a posição de Mota Amaral. Não ceda, só lhe fica bem.
Quando ainda era politicamente imberbe e tinha acabado de aderir ao PSD, participei num jantar de homenagem ao então presidente do Governo Regional dos Açores, João Bosco Mota Amaral, na antiga FIL, num tempo em que havia "tendências" dentro da seita. Nessa altura mandava o saudoso Mota Pinto e preparava-se um congresso, no qual, se bem me lembro, Mota Amaral era apoiado por Balsemão, inclusivé para eventual candidato a Belém. Passaram estes anos todos, Balsemão tornou-se uma irrelevância política - mais tarde percebi que antes disso já o era - e Mota Amaral chegou, não a primeira, mas a segunda figura do Estado desde o ano passado. Recebi-o várias vezes no Teatro Nacional de São Carlos, de que é assíduo frequentador, mesmo antes de exercer as funções de Presidente da AR. É um homem amável, educado e com sentido da coisa pública. Por estes dias, decidiu que os deputados que foram a Sevilha assistir a uma final qualquer de futebol em que participava o FCP do Sr. Pinto da Costa, deveriam ter falta injustificada. Muito bem feito. Apesar de sabermos que a Pátria se confunde praticamente com futebol, e, este ano em particular, com o FCP, nada justifica esta saloia excursão de deputados, para aí uns 50, a que também se associaram o PM e o PR.Há dias fui a Espanha ver ópera, e meti dois honestos dias de férias. Para estas coisas, o "centrão" PSD/PS, seguramente com "o bracinho direito de Portugal" a ajudar, já está a funcionar,contra a posição de Mota Amaral. Não ceda, só lhe fica bem.
ONZE
É o número médio de livros lidos no País, por ano, e por cabeça, segundo um estudo citado no Diário de Notícias e encomendado pela APEL. O desprezo indígena pela leitura já não é um dado novo. Os nossos índices de iliteracia também não. A profunda incultura e, em muitos casos, a imensa ignorância da nossa população universtária, é um dado infeliz, praticamente pacífico. O facto de não sermos propriamente nem ricos nem muito desenvolvidos, não tinha fatalmente de nos conduzir à indigência cultural. O êxito de vendas que conhece a "literatura das tias", tipo não sei quê Lopo de Carvalho ou Rebelo Pinto, diz quase tudo acerca da questão. É pedagógico, por exemplo, que todos os domingos Marcelo Rebelo de Sousa incite à leitura com uma mão cheia de livros. O problema é que mistura, às vezes, livros com lixo, indistintamente, e isso não ajuda nada ao caso. O prazer da leitura exige uma aprendizagem e uma vontade, é um gosto e um gozo que se adquirem, ou não. Saudando a tradução de Pedro Tamen do primeiro tomo da "Recherche" de Proust, aqui deixo um excerto das "Journées de Lecture" do mesmo Proust, numa tradução da Editorial Teorema:
"A amizade, a amizade que diz respeito aos indivíduos, é sem dúvida uma coisa frívola, e a leitura é uma amizade. Mas pelo menos é uma amizade sincera, e o facto de ela se dirigir a um morto, a uma pessoa ausente, confere-lhe algo de desinteressado, de quase tocante. É além disso uma amizade liberta de tudo quanto constitui a fealdade dos outros. Como não passamos todos, nós os vivos, de mortos que ainda não entraram em funções, todas essas delicadezas, todos esses cumprimentos no vestíbulo a que chamamos deferência, gratidão, dedicação e a que misturamos tantas mentiras, são estéreis e cansativas. (...) Na leitura, a amizade ésubitamente reduzida à sua primeira pureza. Com os livros, não há amabilidade. Estes amigos, se passarmos o serãocom eles, é porque realmente temos vontade disso. A eles, pelo menos, muitas vezes só os deixamos a contagosto."
É o número médio de livros lidos no País, por ano, e por cabeça, segundo um estudo citado no Diário de Notícias e encomendado pela APEL. O desprezo indígena pela leitura já não é um dado novo. Os nossos índices de iliteracia também não. A profunda incultura e, em muitos casos, a imensa ignorância da nossa população universtária, é um dado infeliz, praticamente pacífico. O facto de não sermos propriamente nem ricos nem muito desenvolvidos, não tinha fatalmente de nos conduzir à indigência cultural. O êxito de vendas que conhece a "literatura das tias", tipo não sei quê Lopo de Carvalho ou Rebelo Pinto, diz quase tudo acerca da questão. É pedagógico, por exemplo, que todos os domingos Marcelo Rebelo de Sousa incite à leitura com uma mão cheia de livros. O problema é que mistura, às vezes, livros com lixo, indistintamente, e isso não ajuda nada ao caso. O prazer da leitura exige uma aprendizagem e uma vontade, é um gosto e um gozo que se adquirem, ou não. Saudando a tradução de Pedro Tamen do primeiro tomo da "Recherche" de Proust, aqui deixo um excerto das "Journées de Lecture" do mesmo Proust, numa tradução da Editorial Teorema:
"A amizade, a amizade que diz respeito aos indivíduos, é sem dúvida uma coisa frívola, e a leitura é uma amizade. Mas pelo menos é uma amizade sincera, e o facto de ela se dirigir a um morto, a uma pessoa ausente, confere-lhe algo de desinteressado, de quase tocante. É além disso uma amizade liberta de tudo quanto constitui a fealdade dos outros. Como não passamos todos, nós os vivos, de mortos que ainda não entraram em funções, todas essas delicadezas, todos esses cumprimentos no vestíbulo a que chamamos deferência, gratidão, dedicação e a que misturamos tantas mentiras, são estéreis e cansativas. (...) Na leitura, a amizade ésubitamente reduzida à sua primeira pureza. Com os livros, não há amabilidade. Estes amigos, se passarmos o serãocom eles, é porque realmente temos vontade disso. A eles, pelo menos, muitas vezes só os deixamos a contagosto."
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ONZE
É o número médio de livros lidos no País, por ano, e por cabeça, segundo um estudo citado no Diário de Notícias e encomendado pela APEL. O desprezo indígena pela leitura já não é um dado novo. Os nossos índices de iliteracia também não. A profunda incultura e, em muitos casos, a imensa ignorância da nossa população universtária, é um dado infeliz, praticamente pacífico. O facto de não sermos propriamente nem ricos nem muito desenvolvidos, não tinha fatalmente de nos conduzir à indigência cultural. O êxito de vendas que conhece a "literatura das tias", tipo não sei quê Lopo de Carvalho ou Rebelo Pinto, diz quase tudo acerca da questão. É pedagógico, por exemplo, que todos os domingos Marcelo Rebelo de Sousa incite à leitura com uma mão cheia de livros. O problema é que mistura, às vezes, livros com lixo, indistintamente, e isso não ajuda nada ao caso. O prazer da leitura exige uma aprendizagem e uma vontade, é um gosto e um gozo que se adquirem, ou não. Saudando a tradução de Pedro Tamen do primeiro tomo da "Recherche" de Proust, aqui deixo um excerto das "Journées de Lecture" do mesmo Proust, numa tradução da Editorial Teorema:
"A amizade, a amizade que diz respeito aos indivíduos, é sem dúvida uma coisa frívola, e a leitura é uma amizade. Mas pelo menos é uma amizade sincera, e o facto de ela se dirigir a um morto, a uma pessoa ausente, confere-lhe algo de desinteressado, de quase tocante. É além disso uma amizade liberta de tudo quanto constitui a fealdade dos outros. Como não passamos todos, nós os vivos, de mortos que ainda não entraram em funções, todas essas delicadezas, todos esses cumprimentos no vestíbulo a que chamamos deferência, gratidão, dedicação e a que misturamos tantas mentiras, são estéreis e cansativas. (...) Na leitura, a amizade ésubitamente reduzida à sua primeira pureza. Com os livros, não há amabilidade. Estes amigos, se passarmos o serãocom eles, é porque realmente temos vontade disso. A eles, pelo menos, muitas vezes só os deixamos a contagosto."
É o número médio de livros lidos no País, por ano, e por cabeça, segundo um estudo citado no Diário de Notícias e encomendado pela APEL. O desprezo indígena pela leitura já não é um dado novo. Os nossos índices de iliteracia também não. A profunda incultura e, em muitos casos, a imensa ignorância da nossa população universtária, é um dado infeliz, praticamente pacífico. O facto de não sermos propriamente nem ricos nem muito desenvolvidos, não tinha fatalmente de nos conduzir à indigência cultural. O êxito de vendas que conhece a "literatura das tias", tipo não sei quê Lopo de Carvalho ou Rebelo Pinto, diz quase tudo acerca da questão. É pedagógico, por exemplo, que todos os domingos Marcelo Rebelo de Sousa incite à leitura com uma mão cheia de livros. O problema é que mistura, às vezes, livros com lixo, indistintamente, e isso não ajuda nada ao caso. O prazer da leitura exige uma aprendizagem e uma vontade, é um gosto e um gozo que se adquirem, ou não. Saudando a tradução de Pedro Tamen do primeiro tomo da "Recherche" de Proust, aqui deixo um excerto das "Journées de Lecture" do mesmo Proust, numa tradução da Editorial Teorema:
"A amizade, a amizade que diz respeito aos indivíduos, é sem dúvida uma coisa frívola, e a leitura é uma amizade. Mas pelo menos é uma amizade sincera, e o facto de ela se dirigir a um morto, a uma pessoa ausente, confere-lhe algo de desinteressado, de quase tocante. É além disso uma amizade liberta de tudo quanto constitui a fealdade dos outros. Como não passamos todos, nós os vivos, de mortos que ainda não entraram em funções, todas essas delicadezas, todos esses cumprimentos no vestíbulo a que chamamos deferência, gratidão, dedicação e a que misturamos tantas mentiras, são estéreis e cansativas. (...) Na leitura, a amizade ésubitamente reduzida à sua primeira pureza. Com os livros, não há amabilidade. Estes amigos, se passarmos o serãocom eles, é porque realmente temos vontade disso. A eles, pelo menos, muitas vezes só os deixamos a contagosto."
26.6.03
CORRUPÇÕES
As nossas três tv's estão a abrir os respectivos telejornais com jornalistas à porta do DIAP por causa de uns quantos agentes da Brigada de Trânsito da GNR indiciados por crime de corrupção. Outro dia foram umas senhoras e uns senhores constituídos arguidos por causa de uma burla na Saúde, tudo de novo à porta do DIAP. Não sei o que é que se pretende demonstrar com esta constante e maçadora cobertura da actividade das magistraturas judicial e do Ministério Público. Há três anos, estava eu num país da América Latina, e lembro-me de que os telejornais passavam horas a dar, praticamente em directo, operações policiais de recuperação de sequestrados, detenções de traficantes e de sequestradores ( o sequestro é um crime vulgar em certos países latino-americanos) ou declarações de magistrados sobre processos em curso, quando não "em cima do acontecimento". Tratava-se de países que estiveram anos em guerra civil. Nós estamos, até prova em contrário, na Europa e, dentro desta, na União Europeia, à beira de aprovar uma Constituição. No entanto, em muita coisa, parecemos latino-americanos justamente quando julgamos ser mais modernaços. Nas corrupções, nas televisões, nos comportamentos societários, é o que vemos, traduzido nas entradas rápidas de carro ou a pé no DIAP: um País envergonhado e rasca, de cara tapada.
As nossas três tv's estão a abrir os respectivos telejornais com jornalistas à porta do DIAP por causa de uns quantos agentes da Brigada de Trânsito da GNR indiciados por crime de corrupção. Outro dia foram umas senhoras e uns senhores constituídos arguidos por causa de uma burla na Saúde, tudo de novo à porta do DIAP. Não sei o que é que se pretende demonstrar com esta constante e maçadora cobertura da actividade das magistraturas judicial e do Ministério Público. Há três anos, estava eu num país da América Latina, e lembro-me de que os telejornais passavam horas a dar, praticamente em directo, operações policiais de recuperação de sequestrados, detenções de traficantes e de sequestradores ( o sequestro é um crime vulgar em certos países latino-americanos) ou declarações de magistrados sobre processos em curso, quando não "em cima do acontecimento". Tratava-se de países que estiveram anos em guerra civil. Nós estamos, até prova em contrário, na Europa e, dentro desta, na União Europeia, à beira de aprovar uma Constituição. No entanto, em muita coisa, parecemos latino-americanos justamente quando julgamos ser mais modernaços. Nas corrupções, nas televisões, nos comportamentos societários, é o que vemos, traduzido nas entradas rápidas de carro ou a pé no DIAP: um País envergonhado e rasca, de cara tapada.
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CORRUPÇÕES
As nossas três tv's estão a abrir os respectivos telejornais com jornalistas à porta do DIAP por causa de uns quantos agentes da Brigada de Trânsito da GNR indiciados por crime de corrupção. Outro dia foram umas senhoras e uns senhores constituídos arguidos por causa de uma burla na Saúde, tudo de novo à porta do DIAP. Não sei o que é que se pretende demonstrar com esta constante e maçadora cobertura da actividade das magistraturas judicial e do Ministério Público. Há três anos, estava eu num país da América Latina, e lembro-me de que os telejornais passavam horas a dar, praticamente em directo, operações policiais de recuperação de sequestrados, detenções de traficantes e de sequestradores ( o sequestro é um crime vulgar em certos países latino-americanos) ou declarações de magistrados sobre processos em curso, quando não "em cima do acontecimento". Tratava-se de países que estiveram anos em guerra civil. Nós estamos, até prova em contrário, na Europa e, dentro desta, na União Europeia, à beira de aprovar uma Constituição. No entanto, em muita coisa, parecemos latino-americanos justamente quando julgamos ser mais modernaços. Nas corrupções, nas televisões, nos comportamentos societários, é o que vemos, traduzido nas entradas rápidas de carro ou a pé no DIAP: um País envergonhado e rasca, de cara tapada.
As nossas três tv's estão a abrir os respectivos telejornais com jornalistas à porta do DIAP por causa de uns quantos agentes da Brigada de Trânsito da GNR indiciados por crime de corrupção. Outro dia foram umas senhoras e uns senhores constituídos arguidos por causa de uma burla na Saúde, tudo de novo à porta do DIAP. Não sei o que é que se pretende demonstrar com esta constante e maçadora cobertura da actividade das magistraturas judicial e do Ministério Público. Há três anos, estava eu num país da América Latina, e lembro-me de que os telejornais passavam horas a dar, praticamente em directo, operações policiais de recuperação de sequestrados, detenções de traficantes e de sequestradores ( o sequestro é um crime vulgar em certos países latino-americanos) ou declarações de magistrados sobre processos em curso, quando não "em cima do acontecimento". Tratava-se de países que estiveram anos em guerra civil. Nós estamos, até prova em contrário, na Europa e, dentro desta, na União Europeia, à beira de aprovar uma Constituição. No entanto, em muita coisa, parecemos latino-americanos justamente quando julgamos ser mais modernaços. Nas corrupções, nas televisões, nos comportamentos societários, é o que vemos, traduzido nas entradas rápidas de carro ou a pé no DIAP: um País envergonhado e rasca, de cara tapada.
MAIS BLOGUES
A minha ignorância em matéria de "templates" e "settings", impede-me de colocar numa coluna ( não necessariamente infame) os blogues que me agradam, por motivos completamente distintos. Por isso, vou tentando um "aggiornamento" por aqui mesmo:
Conversas de Café;
Blogue dos Marretas;
Voz do Deserto;
O Meu Pipi;
Contra-Corrente
Já percebi que o País Relativo, que também tem o O'Neill em epígrafe, é mexido por rapaziada do PS. Lá mais para diante temos que falar do actual PS, um caso sério para acompanhar.
A minha ignorância em matéria de "templates" e "settings", impede-me de colocar numa coluna ( não necessariamente infame) os blogues que me agradam, por motivos completamente distintos. Por isso, vou tentando um "aggiornamento" por aqui mesmo:
Conversas de Café;
Blogue dos Marretas;
Voz do Deserto;
O Meu Pipi;
Contra-Corrente
Já percebi que o País Relativo, que também tem o O'Neill em epígrafe, é mexido por rapaziada do PS. Lá mais para diante temos que falar do actual PS, um caso sério para acompanhar.
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MAIS BLOGUES
A minha ignorância em matéria de "templates" e "settings", impede-me de colocar numa coluna ( não necessariamente infame) os blogues que me agradam, por motivos completamente distintos. Por isso, vou tentando um "aggiornamento" por aqui mesmo:
Conversas de Café;
Blogue dos Marretas;
Voz do Deserto;
O Meu Pipi;
Contra-Corrente
Já percebi que o País Relativo, que também tem o O'Neill em epígrafe, é mexido por rapaziada do PS. Lá mais para diante temos que falar do actual PS, um caso sério para acompanhar.
A minha ignorância em matéria de "templates" e "settings", impede-me de colocar numa coluna ( não necessariamente infame) os blogues que me agradam, por motivos completamente distintos. Por isso, vou tentando um "aggiornamento" por aqui mesmo:
Conversas de Café;
Blogue dos Marretas;
Voz do Deserto;
O Meu Pipi;
Contra-Corrente
Já percebi que o País Relativo, que também tem o O'Neill em epígrafe, é mexido por rapaziada do PS. Lá mais para diante temos que falar do actual PS, um caso sério para acompanhar.
QUADRO DE HONRA E QUOTAS
Quando eu era puto e andava num colégio privado, havia, para os melhores alunos, o chamado "quadro de honra". A coisa era feita por aproximações, estilo uma averbação na caderneta escolar de que "merece quadro de honra" e, com alguma sorte, no trimestre seguinte, lá vinha a venera propriamente dita. Nos idos de 73 e 74, até Abril, ainda havia "quadro de honra", mesmo num liceu "progressista" como o de D. Pedro V, mas rapidamente foi extinto com o decurso do alegre PREC. Parece que uma das componentes da reforma da administração pública anunciada por estes dias, na parte da "avaliação", é justamente a instituição do "quadro de honra" para os "excelentes" funcionários, de par com a introdução de "quotas de mérito", suponho que também para estas mesmas criaturas. É de esperar o pior. Como bem sabemos, vagueia entre nós, desde que o fundador da Pátria mandou a mãe para a prisão, já lá vão mais de oito séculos, a "teoria da facada nas costas". Se no tempo em que tudo é "muito bom", já as coisas são o que são, imagine-se quando o povão administrativo der início ao assalto e à corrida ao "quadro" e às "quotas". Por aqui se percebe que as "quotas" não são apenas um assunto de vacas e de leite, e que não são elas seguramente as únicas que estão loucas.
Quando eu era puto e andava num colégio privado, havia, para os melhores alunos, o chamado "quadro de honra". A coisa era feita por aproximações, estilo uma averbação na caderneta escolar de que "merece quadro de honra" e, com alguma sorte, no trimestre seguinte, lá vinha a venera propriamente dita. Nos idos de 73 e 74, até Abril, ainda havia "quadro de honra", mesmo num liceu "progressista" como o de D. Pedro V, mas rapidamente foi extinto com o decurso do alegre PREC. Parece que uma das componentes da reforma da administração pública anunciada por estes dias, na parte da "avaliação", é justamente a instituição do "quadro de honra" para os "excelentes" funcionários, de par com a introdução de "quotas de mérito", suponho que também para estas mesmas criaturas. É de esperar o pior. Como bem sabemos, vagueia entre nós, desde que o fundador da Pátria mandou a mãe para a prisão, já lá vão mais de oito séculos, a "teoria da facada nas costas". Se no tempo em que tudo é "muito bom", já as coisas são o que são, imagine-se quando o povão administrativo der início ao assalto e à corrida ao "quadro" e às "quotas". Por aqui se percebe que as "quotas" não são apenas um assunto de vacas e de leite, e que não são elas seguramente as únicas que estão loucas.
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QUADRO DE HONRA E QUOTAS
Quando eu era puto e andava num colégio privado, havia, para os melhores alunos, o chamado "quadro de honra". A coisa era feita por aproximações, estilo uma averbação na caderneta escolar de que "merece quadro de honra" e, com alguma sorte, no trimestre seguinte, lá vinha a venera propriamente dita. Nos idos de 73 e 74, até Abril, ainda havia "quadro de honra", mesmo num liceu "progressista" como o de D. Pedro V, mas rapidamente foi extinto com o decurso do alegre PREC. Parece que uma das componentes da reforma da administração pública anunciada por estes dias, na parte da "avaliação", é justamente a instituição do "quadro de honra" para os "excelentes" funcionários, de par com a introdução de "quotas de mérito", suponho que também para estas mesmas criaturas. É de esperar o pior. Como bem sabemos, vagueia entre nós, desde que o fundador da Pátria mandou a mãe para a prisão, já lá vão mais de oito séculos, a "teoria da facada nas costas". Se no tempo em que tudo é "muito bom", já as coisas são o que são, imagine-se quando o povão administrativo der início ao assalto e à corrida ao "quadro" e às "quotas". Por aqui se percebe que as "quotas" não são apenas um assunto de vacas e de leite, e que não são elas seguramente as únicas que estão loucas.
Quando eu era puto e andava num colégio privado, havia, para os melhores alunos, o chamado "quadro de honra". A coisa era feita por aproximações, estilo uma averbação na caderneta escolar de que "merece quadro de honra" e, com alguma sorte, no trimestre seguinte, lá vinha a venera propriamente dita. Nos idos de 73 e 74, até Abril, ainda havia "quadro de honra", mesmo num liceu "progressista" como o de D. Pedro V, mas rapidamente foi extinto com o decurso do alegre PREC. Parece que uma das componentes da reforma da administração pública anunciada por estes dias, na parte da "avaliação", é justamente a instituição do "quadro de honra" para os "excelentes" funcionários, de par com a introdução de "quotas de mérito", suponho que também para estas mesmas criaturas. É de esperar o pior. Como bem sabemos, vagueia entre nós, desde que o fundador da Pátria mandou a mãe para a prisão, já lá vão mais de oito séculos, a "teoria da facada nas costas". Se no tempo em que tudo é "muito bom", já as coisas são o que são, imagine-se quando o povão administrativo der início ao assalto e à corrida ao "quadro" e às "quotas". Por aqui se percebe que as "quotas" não são apenas um assunto de vacas e de leite, e que não são elas seguramente as únicas que estão loucas.
WOTAN
Ouço neste momento o dueto de Sieglinde e Siegmund, do I Acto de "A Valquíria", a 1 ª jornada do magnífico e cada vez mais moderno "Anel do Nibelungo", de Richard Wagner. Para quem conhece a trama, julgo que esta ópera - quase sempre só conhecida pela cena da "cavalgada" com que abre o III Acto - é das mais dramaticamente intensas da tetralogia, na qual sobressai a extraordinária densidade do texto de Wagner, particularmente nos lances em que são intervenientes Wotan, Brühnnhilde, e secundariamente Fricka. O deus Wotan, o "senhor dos exércitos" e pai das Valquírias, deixou-se envolver pelo poder do "ouro do Reno" no homónimo prólogo da tetralogia, cuja maldição obriga a renunciar ao amor. Tudo gira, nestas quatro óperas, em torno da ambição, do amor e da respectiva renúncia, da solidão dos poderosos, num caminhar violento e desesperado para o "crepúsculo dos deuses" - anunciado por Erda no Prólogo, "O Ouro do Reno" - com que se encerra a tetralogia. Essa atracção pelo abismo, começa logo na 1 ª jornada, com Wotan, essa figura nuclear de todo o texto e a quem Wagner atribuiu das melhores "falas " em toda a obra ( vejam-se o monólogo e o dueto do III Acto de "A Valquíria", com a filha predilecta, Brühnnhilde ), a pedir "o fim" quando percebe que ele, o deus, é o menos livre de todos, menos do que Siegmund ( também seu filho noutras núpcias ), que o capricho corporativo de sua mulher, a deusa Fricka, quer que seja lançado para a morte em combate. Por isso, Wotan pede, junto de Brühnnhilde, pela emergência de um homem "mais livre do que eu, o deus", o futuro fruto do amor incestuoso de Siegmund e Sieglinde, que dá o nome à segunda jornada do "Anel", "Siegfried". Wotan é pois uma criatura dos nossos dias, dilacerada e dividida entre o poder e o amor, entre a cobiça e a compaixão, um titã solitário. E Brühnnhilde, não já a filha do deus, mas a amante de Siegfried, depois da morte deste no "Crepúsculo dos Deuses", diz-nos que quer deixar este mundo de desejo e de desespero. O fim consuma-se com o desparecimento do Walhalla, a mansão dos deuses, no fogo ateado para a pira de Siegfried e para onde Brühnnhilde se precipita. Esta imensa e genial obra metafórica tem sido objecto das mais controversas interpretações, mas julgo que, apesar de algum "gauchisme" subjacente à concepção da encenação de Patrice Chéreau, a versão de Pierre Boulez, no Festival de Bayreuth de 1976, disponível em DVD, continua a ser das mais fascinantes. Em CD, recomendaria duas versões, para além da de Boulez: a primeira gravação em estúdio da tetralogia, sob a batuta de Sir Georg Solti, e que levou vários anos a gravar, com os melhores intérpretes wagnerianos da altura, e a sumptuosa Wiener Philarmoniker, e a versão de 88/91, de James Levine, também em DVD, com a Metropolitan Opera Orchestra de Nova Iorque, em que sobressai um dos maiores Wotans dos nossos dias, James Morris, que em Julho estará no papel no Liceu de Barcelona. Há mais de vinte anos que não se representa o "Anel" em São Carlos. Eram então directores, primeiro João Paes, e depois, Serra Formigal, com quem se concluiu a tetralogia em 1982. Antes de me vir embora do Teatro, deixei a sugestão de se começar a tetralogia numa próxima temporada. Apontei Graham Vick ao director para a encenação, depois de assistir à sua "Manon Lescaut" nesta temporada. A ver vamos, como dizia o cego, posto que o Wotan também é cego de um olho e apresenta-se com ele normalmente vendado.
WOTAN
Ouço neste momento o dueto de Sieglinde e Siegmund, do I Acto de "A Valquíria", a 1 ª jornada do magnífico e cada vez mais moderno "Anel do Nibelungo", de Richard Wagner. Para quem conhece a trama, julgo que esta ópera - quase sempre só conhecida pela cena da "cavalgada" com que abre o III Acto - é das mais dramaticamente intensas da tetralogia, na qual sobressai a extraordinária densidade do texto de Wagner, particularmente nos lances em que são intervenientes Wotan, Brühnnhilde, e secundariamente Fricka. O deus Wotan, o "senhor dos exércitos" e pai das Valquírias, deixou-se envolver pelo poder do "ouro do Reno" no homónimo prólogo da tetralogia, cuja maldição obriga a renunciar ao amor. Tudo gira, nestas quatro óperas, em torno da ambição, do amor e da respectiva renúncia, da solidão dos poderosos, num caminhar violento e desesperado para o "crepúsculo dos deuses" - anunciado por Erda no Prólogo, "O Ouro do Reno" - com que se encerra a tetralogia. Essa atracção pelo abismo, começa logo na 1 ª jornada, com Wotan, essa figura nuclear de todo o texto e a quem Wagner atribuiu das melhores "falas " em toda a obra ( vejam-se o monólogo e o dueto do III Acto de "A Valquíria", com a filha predilecta, Brühnnhilde ), a pedir "o fim" quando percebe que ele, o deus, é o menos livre de todos, menos do que Siegmund ( também seu filho noutras núpcias ), que o capricho corporativo de sua mulher, a deusa Fricka, quer que seja lançado para a morte em combate. Por isso, Wotan pede, junto de Brühnnhilde, pela emergência de um homem "mais livre do que eu, o deus", o futuro fruto do amor incestuoso de Siegmund e Sieglinde, que dá o nome à segunda jornada do "Anel", "Siegfried". Wotan é pois uma criatura dos nossos dias, dilacerada e dividida entre o poder e o amor, entre a cobiça e a compaixão, um titã solitário. E Brühnnhilde, não já a filha do deus, mas a amante de Siegfried, depois da morte deste no "Crepúsculo dos Deuses", diz-nos que quer deixar este mundo de desejo e de desespero. O fim consuma-se com o desparecimento do Walhalla, a mansão dos deuses, no fogo ateado para a pira de Siegfried e para onde Brühnnhilde se precipita. Esta imensa e genial obra metafórica tem sido objecto das mais controversas interpretações, mas julgo que, apesar de algum "gauchisme" subjacente à concepção da encenação de Patrice Chéreau, a versão de Pierre Boulez, no Festival de Bayreuth de 1976, disponível em DVD, continua a ser das mais fascinantes. Em CD, recomendaria duas versões, para além da de Boulez: a primeira gravação em estúdio da tetralogia, sob a batuta de Sir Georg Solti, e que levou vários anos a gravar, com os melhores intérpretes wagnerianos da altura, e a sumptuosa Wiener Philarmoniker, e a versão de 88/91, de James Levine, também em DVD, com a Metropolitan Opera Orchestra de Nova Iorque, em que sobressai um dos maiores Wotans dos nossos dias, James Morris, que em Julho estará no papel no Liceu de Barcelona. Há mais de vinte anos que não se representa o "Anel" em São Carlos. Eram então directores, primeiro João Paes, e depois, Serra Formigal, com quem se concluiu a tetralogia em 1982. Antes de me vir embora do Teatro, deixei a sugestão de se começar a tetralogia numa próxima temporada. Apontei Graham Vick ao director para a encenação, depois de assistir à sua "Manon Lescaut" nesta temporada. A ver vamos, como dizia o cego, posto que o Wotan também é cego de um olho e apresenta-se com ele normalmente vendado.
25.6.03
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BLOGUE
A inveja é um sentimento assaz vil, porém confesso que gostaria de me ter lembrado de um título sugestivo como o do Quarto do Pulha.
A inveja é um sentimento assaz vil, porém confesso que gostaria de me ter lembrado de um título sugestivo como o do Quarto do Pulha.
BLOGUE
A inveja é um sentimento assaz vil, porém confesso que gostaria de me ter lembrado de um título sugestivo como o do Quarto do Pulha.
A inveja é um sentimento assaz vil, porém confesso que gostaria de me ter lembrado de um título sugestivo como o do Quarto do Pulha.
E TUDO MONSANTO LEVOU
Até ir depôr no caso Moderna, Paulo Portas mostrava-se circunspecto, receoso, discreto, e fugia dos jornais e das tv's como o diabo da cruz. Barroso trazia-o no bolso. Era demasiada contenção para tamanha figura. Aparentemente liberto de incómodos, o amigo do dr. Braga Gonçalves não perdeu tempo em regressar ao seu melhor estilo. Disse uns gracejos versejantes nas jornadas parlamentares do PP nos Açores, mostrou-se magnânimo para com o seu colega da Administração Interna por causa dos blindados para a GNR ir para o Iraque ( quanto não vale ser íntimo do Sr. Rumsfeld ) e despediu Maria Barroso Soares da Cruz Vermelha, invocando regulamentos e -que bom gosto - a sua nomeação pelos socialistas. Porém, não resistiu a exibir a sua habitual arrogância demagógica com este mimo: "o único cargo vitalício é o do povo português". Fátima Felgueiras não teria dito melhor.
Até ir depôr no caso Moderna, Paulo Portas mostrava-se circunspecto, receoso, discreto, e fugia dos jornais e das tv's como o diabo da cruz. Barroso trazia-o no bolso. Era demasiada contenção para tamanha figura. Aparentemente liberto de incómodos, o amigo do dr. Braga Gonçalves não perdeu tempo em regressar ao seu melhor estilo. Disse uns gracejos versejantes nas jornadas parlamentares do PP nos Açores, mostrou-se magnânimo para com o seu colega da Administração Interna por causa dos blindados para a GNR ir para o Iraque ( quanto não vale ser íntimo do Sr. Rumsfeld ) e despediu Maria Barroso Soares da Cruz Vermelha, invocando regulamentos e -que bom gosto - a sua nomeação pelos socialistas. Porém, não resistiu a exibir a sua habitual arrogância demagógica com este mimo: "o único cargo vitalício é o do povo português". Fátima Felgueiras não teria dito melhor.
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E TUDO MONSANTO LEVOU
Até ir depôr no caso Moderna, Paulo Portas mostrava-se circunspecto, receoso, discreto, e fugia dos jornais e das tv's como o diabo da cruz. Barroso trazia-o no bolso. Era demasiada contenção para tamanha figura. Aparentemente liberto de incómodos, o amigo do dr. Braga Gonçalves não perdeu tempo em regressar ao seu melhor estilo. Disse uns gracejos versejantes nas jornadas parlamentares do PP nos Açores, mostrou-se magnânimo para com o seu colega da Administração Interna por causa dos blindados para a GNR ir para o Iraque ( quanto não vale ser íntimo do Sr. Rumsfeld ) e despediu Maria Barroso Soares da Cruz Vermelha, invocando regulamentos e -que bom gosto - a sua nomeação pelos socialistas. Porém, não resistiu a exibir a sua habitual arrogância demagógica com este mimo: "o único cargo vitalício é o do povo português". Fátima Felgueiras não teria dito melhor.
Até ir depôr no caso Moderna, Paulo Portas mostrava-se circunspecto, receoso, discreto, e fugia dos jornais e das tv's como o diabo da cruz. Barroso trazia-o no bolso. Era demasiada contenção para tamanha figura. Aparentemente liberto de incómodos, o amigo do dr. Braga Gonçalves não perdeu tempo em regressar ao seu melhor estilo. Disse uns gracejos versejantes nas jornadas parlamentares do PP nos Açores, mostrou-se magnânimo para com o seu colega da Administração Interna por causa dos blindados para a GNR ir para o Iraque ( quanto não vale ser íntimo do Sr. Rumsfeld ) e despediu Maria Barroso Soares da Cruz Vermelha, invocando regulamentos e -que bom gosto - a sua nomeação pelos socialistas. Porém, não resistiu a exibir a sua habitual arrogância demagógica com este mimo: "o único cargo vitalício é o do povo português". Fátima Felgueiras não teria dito melhor.
RESISTIR
Quando alguém diz bem aquilo que nós também pensamos, não vem mal ao mundo a citação. Verdadeiramente, julgo que tudo já foi mais ou menos dito, e com mais ou menos inspiração e verdade. É por isso que me são simpáticas as perspectivas pragmáticas e contingenciais a que já fiz referência neste blogue. Nestes dias em que se tem assistido à sobreposição das vontades partidárias mais reles sobre situações muito concretas - Cruz Vermelha e Casa da Música, por exemplo - não resisto a colocar aqui parte do artigo de António José Teixeira, hoje, no Diário de Notícias, cujo título é..."Resistir à mediocridade". Ora aí vai.
"Os tempos vão desconfiados. Intolerantes. Contam-se cabeças, fidelidades. A crítica torna-se insuportável, não a incompetência. Os aparelhos partidários, sedentos de mando e posição, espreitam lugares, os que restam. As hierarquias da situação pedem cabeças. Sem pudor. Há sargentos atentos à dissonância. Fazem-se julgamentos sumários com uma desfaçatez a querer dar ares de naturalidade. Se alguém pisou o risco da crítica fora do local apropriado e, pior do que isso, não é dos «nossos», deve pôr-se na rua, clamam voluntariosos algozes. E se algum dos «nossos» tem a veleidade de elogiar um infiel deve merecer tratamento idêntico. A cegueira de espírito não tem contemplações. Pouco importam razões, créditos, projectos e resultados. Importa a partidarite, a mesquinhez, a inveja do telemóvel, o empurra a ver se saltas... Salta que vem aí patriota! O jogo não é original, tende a repetir-se ao ritmo da alternância da clientela. Não há reforma que resista ao poder da mediocridade
A mediocridade não é um exclusivo português.
Uma boa parte das universidades dos EUA impõe códigos de conduta que desafiam a racionalidade. Mais de 1500 escolas, conta um repórter do El País, censuram o «politicamente incorrecto». A Universidade de Yale proíbe «olhar outra parte do corpo que não seja a cara quando se fale com alguém». O mesmo se diga de «inflexões de voz, que denotem insinuações sexuais quando se elogie a roupa ou o aspecto de alguém». O código de conduta de Harvard pune «comentários pejorativos, epítetos ou referências a estereótipos sociais». Em Berkeley pode falar-se contra sujeitos colectivos, «não contra indivíduos». No Texas, impede-se a expressão de «opiniões impopulares» e distribuição de jornal ou panfleto com «uma mensagem não autorizada». Expressão não censurada só é permitida num perímetro de 7 m. de diâmetro. Há muitos protestos, acções judiciais, há quem tema que este ambiente esterilize ideologicamente a actual geração."
Quando alguém diz bem aquilo que nós também pensamos, não vem mal ao mundo a citação. Verdadeiramente, julgo que tudo já foi mais ou menos dito, e com mais ou menos inspiração e verdade. É por isso que me são simpáticas as perspectivas pragmáticas e contingenciais a que já fiz referência neste blogue. Nestes dias em que se tem assistido à sobreposição das vontades partidárias mais reles sobre situações muito concretas - Cruz Vermelha e Casa da Música, por exemplo - não resisto a colocar aqui parte do artigo de António José Teixeira, hoje, no Diário de Notícias, cujo título é..."Resistir à mediocridade". Ora aí vai.
"Os tempos vão desconfiados. Intolerantes. Contam-se cabeças, fidelidades. A crítica torna-se insuportável, não a incompetência. Os aparelhos partidários, sedentos de mando e posição, espreitam lugares, os que restam. As hierarquias da situação pedem cabeças. Sem pudor. Há sargentos atentos à dissonância. Fazem-se julgamentos sumários com uma desfaçatez a querer dar ares de naturalidade. Se alguém pisou o risco da crítica fora do local apropriado e, pior do que isso, não é dos «nossos», deve pôr-se na rua, clamam voluntariosos algozes. E se algum dos «nossos» tem a veleidade de elogiar um infiel deve merecer tratamento idêntico. A cegueira de espírito não tem contemplações. Pouco importam razões, créditos, projectos e resultados. Importa a partidarite, a mesquinhez, a inveja do telemóvel, o empurra a ver se saltas... Salta que vem aí patriota! O jogo não é original, tende a repetir-se ao ritmo da alternância da clientela. Não há reforma que resista ao poder da mediocridade
A mediocridade não é um exclusivo português.
Uma boa parte das universidades dos EUA impõe códigos de conduta que desafiam a racionalidade. Mais de 1500 escolas, conta um repórter do El País, censuram o «politicamente incorrecto». A Universidade de Yale proíbe «olhar outra parte do corpo que não seja a cara quando se fale com alguém». O mesmo se diga de «inflexões de voz, que denotem insinuações sexuais quando se elogie a roupa ou o aspecto de alguém». O código de conduta de Harvard pune «comentários pejorativos, epítetos ou referências a estereótipos sociais». Em Berkeley pode falar-se contra sujeitos colectivos, «não contra indivíduos». No Texas, impede-se a expressão de «opiniões impopulares» e distribuição de jornal ou panfleto com «uma mensagem não autorizada». Expressão não censurada só é permitida num perímetro de 7 m. de diâmetro. Há muitos protestos, acções judiciais, há quem tema que este ambiente esterilize ideologicamente a actual geração."
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RESISTIR
Quando alguém diz bem aquilo que nós também pensamos, não vem mal ao mundo a citação. Verdadeiramente, julgo que tudo já foi mais ou menos dito, e com mais ou menos inspiração e verdade. É por isso que me são simpáticas as perspectivas pragmáticas e contingenciais a que já fiz referência neste blogue. Nestes dias em que se tem assistido à sobreposição das vontades partidárias mais reles sobre situações muito concretas - Cruz Vermelha e Casa da Música, por exemplo - não resisto a colocar aqui parte do artigo de António José Teixeira, hoje, no Diário de Notícias, cujo título é..."Resistir à mediocridade". Ora aí vai.
"Os tempos vão desconfiados. Intolerantes. Contam-se cabeças, fidelidades. A crítica torna-se insuportável, não a incompetência. Os aparelhos partidários, sedentos de mando e posição, espreitam lugares, os que restam. As hierarquias da situação pedem cabeças. Sem pudor. Há sargentos atentos à dissonância. Fazem-se julgamentos sumários com uma desfaçatez a querer dar ares de naturalidade. Se alguém pisou o risco da crítica fora do local apropriado e, pior do que isso, não é dos «nossos», deve pôr-se na rua, clamam voluntariosos algozes. E se algum dos «nossos» tem a veleidade de elogiar um infiel deve merecer tratamento idêntico. A cegueira de espírito não tem contemplações. Pouco importam razões, créditos, projectos e resultados. Importa a partidarite, a mesquinhez, a inveja do telemóvel, o empurra a ver se saltas... Salta que vem aí patriota! O jogo não é original, tende a repetir-se ao ritmo da alternância da clientela. Não há reforma que resista ao poder da mediocridade
A mediocridade não é um exclusivo português.
Uma boa parte das universidades dos EUA impõe códigos de conduta que desafiam a racionalidade. Mais de 1500 escolas, conta um repórter do El País, censuram o «politicamente incorrecto». A Universidade de Yale proíbe «olhar outra parte do corpo que não seja a cara quando se fale com alguém». O mesmo se diga de «inflexões de voz, que denotem insinuações sexuais quando se elogie a roupa ou o aspecto de alguém». O código de conduta de Harvard pune «comentários pejorativos, epítetos ou referências a estereótipos sociais». Em Berkeley pode falar-se contra sujeitos colectivos, «não contra indivíduos». No Texas, impede-se a expressão de «opiniões impopulares» e distribuição de jornal ou panfleto com «uma mensagem não autorizada». Expressão não censurada só é permitida num perímetro de 7 m. de diâmetro. Há muitos protestos, acções judiciais, há quem tema que este ambiente esterilize ideologicamente a actual geração."
Quando alguém diz bem aquilo que nós também pensamos, não vem mal ao mundo a citação. Verdadeiramente, julgo que tudo já foi mais ou menos dito, e com mais ou menos inspiração e verdade. É por isso que me são simpáticas as perspectivas pragmáticas e contingenciais a que já fiz referência neste blogue. Nestes dias em que se tem assistido à sobreposição das vontades partidárias mais reles sobre situações muito concretas - Cruz Vermelha e Casa da Música, por exemplo - não resisto a colocar aqui parte do artigo de António José Teixeira, hoje, no Diário de Notícias, cujo título é..."Resistir à mediocridade". Ora aí vai.
"Os tempos vão desconfiados. Intolerantes. Contam-se cabeças, fidelidades. A crítica torna-se insuportável, não a incompetência. Os aparelhos partidários, sedentos de mando e posição, espreitam lugares, os que restam. As hierarquias da situação pedem cabeças. Sem pudor. Há sargentos atentos à dissonância. Fazem-se julgamentos sumários com uma desfaçatez a querer dar ares de naturalidade. Se alguém pisou o risco da crítica fora do local apropriado e, pior do que isso, não é dos «nossos», deve pôr-se na rua, clamam voluntariosos algozes. E se algum dos «nossos» tem a veleidade de elogiar um infiel deve merecer tratamento idêntico. A cegueira de espírito não tem contemplações. Pouco importam razões, créditos, projectos e resultados. Importa a partidarite, a mesquinhez, a inveja do telemóvel, o empurra a ver se saltas... Salta que vem aí patriota! O jogo não é original, tende a repetir-se ao ritmo da alternância da clientela. Não há reforma que resista ao poder da mediocridade
A mediocridade não é um exclusivo português.
Uma boa parte das universidades dos EUA impõe códigos de conduta que desafiam a racionalidade. Mais de 1500 escolas, conta um repórter do El País, censuram o «politicamente incorrecto». A Universidade de Yale proíbe «olhar outra parte do corpo que não seja a cara quando se fale com alguém». O mesmo se diga de «inflexões de voz, que denotem insinuações sexuais quando se elogie a roupa ou o aspecto de alguém». O código de conduta de Harvard pune «comentários pejorativos, epítetos ou referências a estereótipos sociais». Em Berkeley pode falar-se contra sujeitos colectivos, «não contra indivíduos». No Texas, impede-se a expressão de «opiniões impopulares» e distribuição de jornal ou panfleto com «uma mensagem não autorizada». Expressão não censurada só é permitida num perímetro de 7 m. de diâmetro. Há muitos protestos, acções judiciais, há quem tema que este ambiente esterilize ideologicamente a actual geração."
AMAR O MAR
Há aquela frase idiota: somos um País de marinheiros.Há, de facto, um País que tem uma belíssima fronteira marítima, e com uma zona económica exclusiva cobiçada pelo outro lado da fronteira terrestre. Parece que quem levou a sério o "sigamos o cherne..." do O´Neill, foram os espanhóis. Mas não é disso que venho falar.Nós temos Sophia de Mello Breyner Andresen, graças a Deus, em boa hora lembrada num belo blog (ou blogue), Mar Salgado.
Pátria
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exatidão
Dum longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Eu minha vida daria
E vivo neste tormento
Há aquela frase idiota: somos um País de marinheiros.Há, de facto, um País que tem uma belíssima fronteira marítima, e com uma zona económica exclusiva cobiçada pelo outro lado da fronteira terrestre. Parece que quem levou a sério o "sigamos o cherne..." do O´Neill, foram os espanhóis. Mas não é disso que venho falar.Nós temos Sophia de Mello Breyner Andresen, graças a Deus, em boa hora lembrada num belo blog (ou blogue), Mar Salgado.
Pátria
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exatidão
Dum longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Eu minha vida daria
E vivo neste tormento
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AMAR O MAR
Há aquela frase idiota: somos um País de marinheiros.Há, de facto, um País que tem uma belíssima fronteira marítima, e com uma zona económica exclusiva cobiçada pelo outro lado da fronteira terrestre. Parece que quem levou a sério o "sigamos o cherne..." do O´Neill, foram os espanhóis. Mas não é disso que venho falar.Nós temos Sophia de Mello Breyner Andresen, graças a Deus, em boa hora lembrada num belo blog (ou blogue), Mar Salgado.
Pátria
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exatidão
Dum longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Eu minha vida daria
E vivo neste tormento
Há aquela frase idiota: somos um País de marinheiros.Há, de facto, um País que tem uma belíssima fronteira marítima, e com uma zona económica exclusiva cobiçada pelo outro lado da fronteira terrestre. Parece que quem levou a sério o "sigamos o cherne..." do O´Neill, foram os espanhóis. Mas não é disso que venho falar.Nós temos Sophia de Mello Breyner Andresen, graças a Deus, em boa hora lembrada num belo blog (ou blogue), Mar Salgado.
Pátria
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exatidão
Dum longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Eu minha vida daria
E vivo neste tormento
A PERGUNTA
Já tinha pensado nisto, mas eis que deparo com uma pergunta oportuna em Tubo de Ensaio : está alguém a contar o número de soldados da "coligação" mortos depois do "fim" da guerra do Iraque?
Já tinha pensado nisto, mas eis que deparo com uma pergunta oportuna em Tubo de Ensaio : está alguém a contar o número de soldados da "coligação" mortos depois do "fim" da guerra do Iraque?
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A PERGUNTA
Já tinha pensado nisto, mas eis que deparo com uma pergunta oportuna em Tubo de Ensaio : está alguém a contar o número de soldados da "coligação" mortos depois do "fim" da guerra do Iraque?
Já tinha pensado nisto, mas eis que deparo com uma pergunta oportuna em Tubo de Ensaio : está alguém a contar o número de soldados da "coligação" mortos depois do "fim" da guerra do Iraque?
24.6.03
BLOGUES
José Pacheco Pereira está com dificuldades técnicas em nos acompanhar nestes últimos dias, em virtude da sua deslocação ao Grande Norte. Enquanto ele vai e volta, aqui ficam algumas sugestões de blogues, na linha dos "nossos", que referi outro dia, algures mais abaixo: Desactualizado e Desinteressante, Jaquinzinhos, Desejo Casar.
Ontem , por curiosidade, fui ler o por aqui tão comentado artigo do Pedro Rolo Duarte sobre estas coisas. O PRD anda nisto dos jornais desde muito cedo, coisas de família. Esteve no "Sete", deve ter passado por outros de que me não recordo, andou na interessante "K" do Esteves Cardoso, e agora é o "master mind" do DNA do Diário de Notícias. Como não podia deixar de ser, já tem obra publicada. Do artigo em causa - "A blague dos blogues" - apenas retive uma frase que me apetece comentar: "vale tudo num blogue, o que o torna imediatamente irrelevante e indiferente". PRD, que não tem feito outra coisa na vida senão escrever em jornais e revistas, e apresentar programas na tv, sabe perfeitamente dos contributos que a classe jornalística escrita e televisiva, em especial, tem dado para o "vale tudo" e para tornar "irrelevante e indiferente" quase tudo em que toca. Os exemplos não faltam nos últimos dias e meses. Julgo que os blogues não concorrem com as escritas nos "media", nem os jornalistas que mantêm os seus blogues ficam diminuídos intelectualmente por utilizarem estes espaços de liberdade. Cada um "massaja o ego" como entende. O Pedro e o seu "petit comité" não fazem outra coisa há anos.
José Pacheco Pereira está com dificuldades técnicas em nos acompanhar nestes últimos dias, em virtude da sua deslocação ao Grande Norte. Enquanto ele vai e volta, aqui ficam algumas sugestões de blogues, na linha dos "nossos", que referi outro dia, algures mais abaixo: Desactualizado e Desinteressante, Jaquinzinhos, Desejo Casar.
Ontem , por curiosidade, fui ler o por aqui tão comentado artigo do Pedro Rolo Duarte sobre estas coisas. O PRD anda nisto dos jornais desde muito cedo, coisas de família. Esteve no "Sete", deve ter passado por outros de que me não recordo, andou na interessante "K" do Esteves Cardoso, e agora é o "master mind" do DNA do Diário de Notícias. Como não podia deixar de ser, já tem obra publicada. Do artigo em causa - "A blague dos blogues" - apenas retive uma frase que me apetece comentar: "vale tudo num blogue, o que o torna imediatamente irrelevante e indiferente". PRD, que não tem feito outra coisa na vida senão escrever em jornais e revistas, e apresentar programas na tv, sabe perfeitamente dos contributos que a classe jornalística escrita e televisiva, em especial, tem dado para o "vale tudo" e para tornar "irrelevante e indiferente" quase tudo em que toca. Os exemplos não faltam nos últimos dias e meses. Julgo que os blogues não concorrem com as escritas nos "media", nem os jornalistas que mantêm os seus blogues ficam diminuídos intelectualmente por utilizarem estes espaços de liberdade. Cada um "massaja o ego" como entende. O Pedro e o seu "petit comité" não fazem outra coisa há anos.
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BLOGUES
José Pacheco Pereira está com dificuldades técnicas em nos acompanhar nestes últimos dias, em virtude da sua deslocação ao Grande Norte. Enquanto ele vai e volta, aqui ficam algumas sugestões de blogues, na linha dos "nossos", que referi outro dia, algures mais abaixo: Desactualizado e Desinteressante, Jaquinzinhos, Desejo Casar.
Ontem , por curiosidade, fui ler o por aqui tão comentado artigo do Pedro Rolo Duarte sobre estas coisas. O PRD anda nisto dos jornais desde muito cedo, coisas de família. Esteve no "Sete", deve ter passado por outros de que me não recordo, andou na interessante "K" do Esteves Cardoso, e agora é o "master mind" do DNA do Diário de Notícias. Como não podia deixar de ser, já tem obra publicada. Do artigo em causa - "A blague dos blogues" - apenas retive uma frase que me apetece comentar: "vale tudo num blogue, o que o torna imediatamente irrelevante e indiferente". PRD, que não tem feito outra coisa na vida senão escrever em jornais e revistas, e apresentar programas na tv, sabe perfeitamente dos contributos que a classe jornalística escrita e televisiva, em especial, tem dado para o "vale tudo" e para tornar "irrelevante e indiferente" quase tudo em que toca. Os exemplos não faltam nos últimos dias e meses. Julgo que os blogues não concorrem com as escritas nos "media", nem os jornalistas que mantêm os seus blogues ficam diminuídos intelectualmente por utilizarem estes espaços de liberdade. Cada um "massaja o ego" como entende. O Pedro e o seu "petit comité" não fazem outra coisa há anos.
José Pacheco Pereira está com dificuldades técnicas em nos acompanhar nestes últimos dias, em virtude da sua deslocação ao Grande Norte. Enquanto ele vai e volta, aqui ficam algumas sugestões de blogues, na linha dos "nossos", que referi outro dia, algures mais abaixo: Desactualizado e Desinteressante, Jaquinzinhos, Desejo Casar.
Ontem , por curiosidade, fui ler o por aqui tão comentado artigo do Pedro Rolo Duarte sobre estas coisas. O PRD anda nisto dos jornais desde muito cedo, coisas de família. Esteve no "Sete", deve ter passado por outros de que me não recordo, andou na interessante "K" do Esteves Cardoso, e agora é o "master mind" do DNA do Diário de Notícias. Como não podia deixar de ser, já tem obra publicada. Do artigo em causa - "A blague dos blogues" - apenas retive uma frase que me apetece comentar: "vale tudo num blogue, o que o torna imediatamente irrelevante e indiferente". PRD, que não tem feito outra coisa na vida senão escrever em jornais e revistas, e apresentar programas na tv, sabe perfeitamente dos contributos que a classe jornalística escrita e televisiva, em especial, tem dado para o "vale tudo" e para tornar "irrelevante e indiferente" quase tudo em que toca. Os exemplos não faltam nos últimos dias e meses. Julgo que os blogues não concorrem com as escritas nos "media", nem os jornalistas que mantêm os seus blogues ficam diminuídos intelectualmente por utilizarem estes espaços de liberdade. Cada um "massaja o ego" como entende. O Pedro e o seu "petit comité" não fazem outra coisa há anos.
A REFORMA
Com sobriedade e sem ar de profeta, Durão Barroso anunciou hoje à tarde a "reforma da administração pública". No essencial, pretende-se acabar com as promoções automáticas, responsabilizar os dirigentes, avaliando-os peridicamente, flexibilizar a mão de obra pública pelo recurso ao contrato de trabalho individual em deterimento do concurso e alterar as "funções do Estado". A nossa administração é de tradição napoleónica, pesada, burocrática e rígida, até para com os seus próprios servidores. No entanto, não acompanho a sacralização do mercado e da "privada" como modelos óptimos a seguir pelo Estado. Há boa e má gestão privada, como há boa e má gestão pública. Aliás, a nossa "sociedade civil" não se recomenda a ninguém como paradigma do que quer que seja. Uma e outro, o Estado, são o espelho opaco da Nação. Barroso quer mudar tudo isto em seis meses. Eu não o sabia partidário do optimismo antropológico.
Com sobriedade e sem ar de profeta, Durão Barroso anunciou hoje à tarde a "reforma da administração pública". No essencial, pretende-se acabar com as promoções automáticas, responsabilizar os dirigentes, avaliando-os peridicamente, flexibilizar a mão de obra pública pelo recurso ao contrato de trabalho individual em deterimento do concurso e alterar as "funções do Estado". A nossa administração é de tradição napoleónica, pesada, burocrática e rígida, até para com os seus próprios servidores. No entanto, não acompanho a sacralização do mercado e da "privada" como modelos óptimos a seguir pelo Estado. Há boa e má gestão privada, como há boa e má gestão pública. Aliás, a nossa "sociedade civil" não se recomenda a ninguém como paradigma do que quer que seja. Uma e outro, o Estado, são o espelho opaco da Nação. Barroso quer mudar tudo isto em seis meses. Eu não o sabia partidário do optimismo antropológico.
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A REFORMA
Com sobriedade e sem ar de profeta, Durão Barroso anunciou hoje à tarde a "reforma da administração pública". No essencial, pretende-se acabar com as promoções automáticas, responsabilizar os dirigentes, avaliando-os peridicamente, flexibilizar a mão de obra pública pelo recurso ao contrato de trabalho individual em deterimento do concurso e alterar as "funções do Estado". A nossa administração é de tradição napoleónica, pesada, burocrática e rígida, até para com os seus próprios servidores. No entanto, não acompanho a sacralização do mercado e da "privada" como modelos óptimos a seguir pelo Estado. Há boa e má gestão privada, como há boa e má gestão pública. Aliás, a nossa "sociedade civil" não se recomenda a ninguém como paradigma do que quer que seja. Uma e outro, o Estado, são o espelho opaco da Nação. Barroso quer mudar tudo isto em seis meses. Eu não o sabia partidário do optimismo antropológico.
Com sobriedade e sem ar de profeta, Durão Barroso anunciou hoje à tarde a "reforma da administração pública". No essencial, pretende-se acabar com as promoções automáticas, responsabilizar os dirigentes, avaliando-os peridicamente, flexibilizar a mão de obra pública pelo recurso ao contrato de trabalho individual em deterimento do concurso e alterar as "funções do Estado". A nossa administração é de tradição napoleónica, pesada, burocrática e rígida, até para com os seus próprios servidores. No entanto, não acompanho a sacralização do mercado e da "privada" como modelos óptimos a seguir pelo Estado. Há boa e má gestão privada, como há boa e má gestão pública. Aliás, a nossa "sociedade civil" não se recomenda a ninguém como paradigma do que quer que seja. Uma e outro, o Estado, são o espelho opaco da Nação. Barroso quer mudar tudo isto em seis meses. Eu não o sabia partidário do optimismo antropológico.
S. JOÃO
Ontem, pela noite dentro, comemorou-se no Porto o célebre S. João, com aquelas marteladas de plástico dadas em todas as cabeças disponíveis. Julgo que o costume impunha alho-porro, mas desde há anos que foi substituído pelos adereços plásticos. A monotonia destas festividades é evidente, se bem que a animosidade que liga os dois presidentes de Câmara da zona, Rio e Menezes, tenha dado um ar de outra graça ao acto. Disputaram-se - vejam só - as excelências dos respectivos fogos de artifício e, ao que depreendi, terá ganho o espectáculo de Gaia. Nessa banda do Douro, passeavam-se o anfitrião, o Ministro dos Negócios Estrangeiros - que, numa das tv's, comentou o evento com uma daquelas enigmáticas frases que caracterizam a sua extraordinária fluência verbal - e o Sr. Pinto da Costa. Do outro lado, com Rio no meio, Sampaio e as chamadas entidades oficiais e oficiosas. Por entre graçolas de circunstância, percebeu-se que , mais tarde ou mais cedo, Menezes vai querer enfrentar Rio e, eventualmente, substituí-lo como candidato "laranja" à Câmara do Porto. Os actuais lugares-tenentes do PSD/Porto, a começar pelo Sr. Marco António, que não perdeu a oportunidade para lançar uma farpa a Sampaio por causa de Burmester, lá estavam perfilados atrás de Rio. Fico perplexo com a insolência como, roçando algum anafalbetismo preocupante em muitos dos casos, a maioria, na vereação do Porto e nas secções partidárias, anda a tratar as coisas da cultura. Parece que o insuportável triângulo Gomes/Narciso/Gaspar, já tem sucessores à altura. Lastimo-o por Rui Rio.
Ontem, pela noite dentro, comemorou-se no Porto o célebre S. João, com aquelas marteladas de plástico dadas em todas as cabeças disponíveis. Julgo que o costume impunha alho-porro, mas desde há anos que foi substituído pelos adereços plásticos. A monotonia destas festividades é evidente, se bem que a animosidade que liga os dois presidentes de Câmara da zona, Rio e Menezes, tenha dado um ar de outra graça ao acto. Disputaram-se - vejam só - as excelências dos respectivos fogos de artifício e, ao que depreendi, terá ganho o espectáculo de Gaia. Nessa banda do Douro, passeavam-se o anfitrião, o Ministro dos Negócios Estrangeiros - que, numa das tv's, comentou o evento com uma daquelas enigmáticas frases que caracterizam a sua extraordinária fluência verbal - e o Sr. Pinto da Costa. Do outro lado, com Rio no meio, Sampaio e as chamadas entidades oficiais e oficiosas. Por entre graçolas de circunstância, percebeu-se que , mais tarde ou mais cedo, Menezes vai querer enfrentar Rio e, eventualmente, substituí-lo como candidato "laranja" à Câmara do Porto. Os actuais lugares-tenentes do PSD/Porto, a começar pelo Sr. Marco António, que não perdeu a oportunidade para lançar uma farpa a Sampaio por causa de Burmester, lá estavam perfilados atrás de Rio. Fico perplexo com a insolência como, roçando algum anafalbetismo preocupante em muitos dos casos, a maioria, na vereação do Porto e nas secções partidárias, anda a tratar as coisas da cultura. Parece que o insuportável triângulo Gomes/Narciso/Gaspar, já tem sucessores à altura. Lastimo-o por Rui Rio.
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S. JOÃO
Ontem, pela noite dentro, comemorou-se no Porto o célebre S. João, com aquelas marteladas de plástico dadas em todas as cabeças disponíveis. Julgo que o costume impunha alho-porro, mas desde há anos que foi substituído pelos adereços plásticos. A monotonia destas festividades é evidente, se bem que a animosidade que liga os dois presidentes de Câmara da zona, Rio e Menezes, tenha dado um ar de outra graça ao acto. Disputaram-se - vejam só - as excelências dos respectivos fogos de artifício e, ao que depreendi, terá ganho o espectáculo de Gaia. Nessa banda do Douro, passeavam-se o anfitrião, o Ministro dos Negócios Estrangeiros - que, numa das tv's, comentou o evento com uma daquelas enigmáticas frases que caracterizam a sua extraordinária fluência verbal - e o Sr. Pinto da Costa. Do outro lado, com Rio no meio, Sampaio e as chamadas entidades oficiais e oficiosas. Por entre graçolas de circunstância, percebeu-se que , mais tarde ou mais cedo, Menezes vai querer enfrentar Rio e, eventualmente, substituí-lo como candidato "laranja" à Câmara do Porto. Os actuais lugares-tenentes do PSD/Porto, a começar pelo Sr. Marco António, que não perdeu a oportunidade para lançar uma farpa a Sampaio por causa de Burmester, lá estavam perfilados atrás de Rio. Fico perplexo com a insolência como, roçando algum anafalbetismo preocupante em muitos dos casos, a maioria, na vereação do Porto e nas secções partidárias, anda a tratar as coisas da cultura. Parece que o insuportável triângulo Gomes/Narciso/Gaspar, já tem sucessores à altura. Lastimo-o por Rui Rio.
Ontem, pela noite dentro, comemorou-se no Porto o célebre S. João, com aquelas marteladas de plástico dadas em todas as cabeças disponíveis. Julgo que o costume impunha alho-porro, mas desde há anos que foi substituído pelos adereços plásticos. A monotonia destas festividades é evidente, se bem que a animosidade que liga os dois presidentes de Câmara da zona, Rio e Menezes, tenha dado um ar de outra graça ao acto. Disputaram-se - vejam só - as excelências dos respectivos fogos de artifício e, ao que depreendi, terá ganho o espectáculo de Gaia. Nessa banda do Douro, passeavam-se o anfitrião, o Ministro dos Negócios Estrangeiros - que, numa das tv's, comentou o evento com uma daquelas enigmáticas frases que caracterizam a sua extraordinária fluência verbal - e o Sr. Pinto da Costa. Do outro lado, com Rio no meio, Sampaio e as chamadas entidades oficiais e oficiosas. Por entre graçolas de circunstância, percebeu-se que , mais tarde ou mais cedo, Menezes vai querer enfrentar Rio e, eventualmente, substituí-lo como candidato "laranja" à Câmara do Porto. Os actuais lugares-tenentes do PSD/Porto, a começar pelo Sr. Marco António, que não perdeu a oportunidade para lançar uma farpa a Sampaio por causa de Burmester, lá estavam perfilados atrás de Rio. Fico perplexo com a insolência como, roçando algum anafalbetismo preocupante em muitos dos casos, a maioria, na vereação do Porto e nas secções partidárias, anda a tratar as coisas da cultura. Parece que o insuportável triângulo Gomes/Narciso/Gaspar, já tem sucessores à altura. Lastimo-o por Rui Rio.
A SAGA DA CASA DA MÚSICA
Afinal, parece que Roseta estará mais inclinado -ou alguém por ele- a demitir em bloco a administração da Casa da Música do Porto, colocando à sua frente o inefável Artur Santos Silva que tão boas provas deu aquando do início da saga do Porto 2001. Pouca gente saberá que o ilustre banqueiro, nos prolegómenos que levaram ao evento, tinha quase tudo a andar à velocidade de cruzeiro, como se nada tivesse que estar pronto para quando devia efectivamente estar. Carrilho, o ministro de então, passou por ser o "mau da fita", sobretudo pela forma acutilante como tratou o assunto. Depois veio Teresa Lago- outro modelo de bom feitio- que nunca se entendeu com Nuno Cardoso, o sucessor de Fernando Gomes na Câmara do Porto. O monumento a estas trapalhadas está exactamente na Casa da Música, que era suposto ter ornamentado a Porto2001 e é o que se sabe.
Tendo eu a fama e o proveito de dar destaque muito positivo à passagem de Carrilho pelo Palácio da Ajuda, por contraposição com a falta de ambição dos actuais ocupantes, aqui deixo umas declarações suas sobre o tema, respigadas na TSF:
" Na sequência da polémica da Casa da Música, que envolve o autarca do Porto, Rui Rio, e o pianista Pedro Burmester, da administração daquela instituição, Manuel Maria Carrilho defendeu a intervenção do primeiro-ministro neste assunto.
«Acho totalmente inaceitável o silêncio do ministro da Cultura que é já uma figura totalmente ausente da política deste governo», disse o antigo ministro da Cultura.
«Vi ontem num debate da RTP o número dois do PSD falar desta situação com um 'à vontade' dizendo que isto releva quase uma sabotagem contra o Governo»», acrescentou Carrilho, adiantando que «estamos já na ordem do delírio».
O antigo ministro acrescentou também que «os responsáveis têm que assumir a sua responsabilidade e se o país não tem ministro da Cultura, tem de ser o primeiro-ministro a responder», declarando ainda que «o que se está a passar é a vandalização da nossa vida cultural»..
O antigo ministro da cultura, do Governo PS, reclama ainda o afastamento de Rui Amaral, actual presidente do Conselho de Administração da Casa da Música.
«Temos à frente do projecto neste momento, o Dr. Rui Amaral que não tem qualquer qualificação para dirigir», defendeu Carrilho, acrescentando que «isto é como se tivéssemos o Pedro Burmester a dirigir uma agência de investimento externo».
«Este senhor devia estar noutras funções, disse o ex-ministro referindo que «à frente de projectos culturais estão pessoas da cultura, não estão pessoas que não distinguem entre Ágata e Beethoven»."
Sic.
Afinal, parece que Roseta estará mais inclinado -ou alguém por ele- a demitir em bloco a administração da Casa da Música do Porto, colocando à sua frente o inefável Artur Santos Silva que tão boas provas deu aquando do início da saga do Porto 2001. Pouca gente saberá que o ilustre banqueiro, nos prolegómenos que levaram ao evento, tinha quase tudo a andar à velocidade de cruzeiro, como se nada tivesse que estar pronto para quando devia efectivamente estar. Carrilho, o ministro de então, passou por ser o "mau da fita", sobretudo pela forma acutilante como tratou o assunto. Depois veio Teresa Lago- outro modelo de bom feitio- que nunca se entendeu com Nuno Cardoso, o sucessor de Fernando Gomes na Câmara do Porto. O monumento a estas trapalhadas está exactamente na Casa da Música, que era suposto ter ornamentado a Porto2001 e é o que se sabe.
Tendo eu a fama e o proveito de dar destaque muito positivo à passagem de Carrilho pelo Palácio da Ajuda, por contraposição com a falta de ambição dos actuais ocupantes, aqui deixo umas declarações suas sobre o tema, respigadas na TSF:
" Na sequência da polémica da Casa da Música, que envolve o autarca do Porto, Rui Rio, e o pianista Pedro Burmester, da administração daquela instituição, Manuel Maria Carrilho defendeu a intervenção do primeiro-ministro neste assunto.
«Acho totalmente inaceitável o silêncio do ministro da Cultura que é já uma figura totalmente ausente da política deste governo», disse o antigo ministro da Cultura.
«Vi ontem num debate da RTP o número dois do PSD falar desta situação com um 'à vontade' dizendo que isto releva quase uma sabotagem contra o Governo»», acrescentou Carrilho, adiantando que «estamos já na ordem do delírio».
O antigo ministro acrescentou também que «os responsáveis têm que assumir a sua responsabilidade e se o país não tem ministro da Cultura, tem de ser o primeiro-ministro a responder», declarando ainda que «o que se está a passar é a vandalização da nossa vida cultural»..
O antigo ministro da cultura, do Governo PS, reclama ainda o afastamento de Rui Amaral, actual presidente do Conselho de Administração da Casa da Música.
«Temos à frente do projecto neste momento, o Dr. Rui Amaral que não tem qualquer qualificação para dirigir», defendeu Carrilho, acrescentando que «isto é como se tivéssemos o Pedro Burmester a dirigir uma agência de investimento externo».
«Este senhor devia estar noutras funções, disse o ex-ministro referindo que «à frente de projectos culturais estão pessoas da cultura, não estão pessoas que não distinguem entre Ágata e Beethoven»."
Sic.
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A SAGA DA CASA DA MÚSICA
Afinal, parece que Roseta estará mais inclinado -ou alguém por ele- a demitir em bloco a administração da Casa da Música do Porto, colocando à sua frente o inefável Artur Santos Silva que tão boas provas deu aquando do início da saga do Porto 2001. Pouca gente saberá que o ilustre banqueiro, nos prolegómenos que levaram ao evento, tinha quase tudo a andar à velocidade de cruzeiro, como se nada tivesse que estar pronto para quando devia efectivamente estar. Carrilho, o ministro de então, passou por ser o "mau da fita", sobretudo pela forma acutilante como tratou o assunto. Depois veio Teresa Lago- outro modelo de bom feitio- que nunca se entendeu com Nuno Cardoso, o sucessor de Fernando Gomes na Câmara do Porto. O monumento a estas trapalhadas está exactamente na Casa da Música, que era suposto ter ornamentado a Porto2001 e é o que se sabe.
Tendo eu a fama e o proveito de dar destaque muito positivo à passagem de Carrilho pelo Palácio da Ajuda, por contraposição com a falta de ambição dos actuais ocupantes, aqui deixo umas declarações suas sobre o tema, respigadas na TSF:
" Na sequência da polémica da Casa da Música, que envolve o autarca do Porto, Rui Rio, e o pianista Pedro Burmester, da administração daquela instituição, Manuel Maria Carrilho defendeu a intervenção do primeiro-ministro neste assunto.
«Acho totalmente inaceitável o silêncio do ministro da Cultura que é já uma figura totalmente ausente da política deste governo», disse o antigo ministro da Cultura.
«Vi ontem num debate da RTP o número dois do PSD falar desta situação com um 'à vontade' dizendo que isto releva quase uma sabotagem contra o Governo»», acrescentou Carrilho, adiantando que «estamos já na ordem do delírio».
O antigo ministro acrescentou também que «os responsáveis têm que assumir a sua responsabilidade e se o país não tem ministro da Cultura, tem de ser o primeiro-ministro a responder», declarando ainda que «o que se está a passar é a vandalização da nossa vida cultural»..
O antigo ministro da cultura, do Governo PS, reclama ainda o afastamento de Rui Amaral, actual presidente do Conselho de Administração da Casa da Música.
«Temos à frente do projecto neste momento, o Dr. Rui Amaral que não tem qualquer qualificação para dirigir», defendeu Carrilho, acrescentando que «isto é como se tivéssemos o Pedro Burmester a dirigir uma agência de investimento externo».
«Este senhor devia estar noutras funções, disse o ex-ministro referindo que «à frente de projectos culturais estão pessoas da cultura, não estão pessoas que não distinguem entre Ágata e Beethoven»."
Sic.
Afinal, parece que Roseta estará mais inclinado -ou alguém por ele- a demitir em bloco a administração da Casa da Música do Porto, colocando à sua frente o inefável Artur Santos Silva que tão boas provas deu aquando do início da saga do Porto 2001. Pouca gente saberá que o ilustre banqueiro, nos prolegómenos que levaram ao evento, tinha quase tudo a andar à velocidade de cruzeiro, como se nada tivesse que estar pronto para quando devia efectivamente estar. Carrilho, o ministro de então, passou por ser o "mau da fita", sobretudo pela forma acutilante como tratou o assunto. Depois veio Teresa Lago- outro modelo de bom feitio- que nunca se entendeu com Nuno Cardoso, o sucessor de Fernando Gomes na Câmara do Porto. O monumento a estas trapalhadas está exactamente na Casa da Música, que era suposto ter ornamentado a Porto2001 e é o que se sabe.
Tendo eu a fama e o proveito de dar destaque muito positivo à passagem de Carrilho pelo Palácio da Ajuda, por contraposição com a falta de ambição dos actuais ocupantes, aqui deixo umas declarações suas sobre o tema, respigadas na TSF:
" Na sequência da polémica da Casa da Música, que envolve o autarca do Porto, Rui Rio, e o pianista Pedro Burmester, da administração daquela instituição, Manuel Maria Carrilho defendeu a intervenção do primeiro-ministro neste assunto.
«Acho totalmente inaceitável o silêncio do ministro da Cultura que é já uma figura totalmente ausente da política deste governo», disse o antigo ministro da Cultura.
«Vi ontem num debate da RTP o número dois do PSD falar desta situação com um 'à vontade' dizendo que isto releva quase uma sabotagem contra o Governo»», acrescentou Carrilho, adiantando que «estamos já na ordem do delírio».
O antigo ministro acrescentou também que «os responsáveis têm que assumir a sua responsabilidade e se o país não tem ministro da Cultura, tem de ser o primeiro-ministro a responder», declarando ainda que «o que se está a passar é a vandalização da nossa vida cultural»..
O antigo ministro da cultura, do Governo PS, reclama ainda o afastamento de Rui Amaral, actual presidente do Conselho de Administração da Casa da Música.
«Temos à frente do projecto neste momento, o Dr. Rui Amaral que não tem qualquer qualificação para dirigir», defendeu Carrilho, acrescentando que «isto é como se tivéssemos o Pedro Burmester a dirigir uma agência de investimento externo».
«Este senhor devia estar noutras funções, disse o ex-ministro referindo que «à frente de projectos culturais estão pessoas da cultura, não estão pessoas que não distinguem entre Ágata e Beethoven»."
Sic.
CERVEJAS NO INFERNO
Segundo um estudo divulgado hoje, os nossos adolescentes, moços e moças indistintamente, de 1998 para cá, aumentaram significativamente os índices de consumo de bebidas alcoólicas, passando da modesta cerveja directamente para as "hard" espirituosas brancas. Também se apurou que adoram haxixe e que, quando perguntados acerca dos pais, acham que eles bebem muito!Por outro lado, um outro estudo revelava que a SIDA tem crescido entre nós junto de jovens heterosexuais e numa faixa etária ligeiramente superior, entre os 30 e os 40, ex-divorciados, por aí.Estes dados mostram uma coisa simultaneamente simples e aterradora: os nossos jovens, independentemente das respectivas origens sociais, escolhem mais depressa o inferno-que tomam por paraíso-do que paixões terrenas a partir daquilo que a casa, a escola, o poder político, ou a queridíssima "sociedade civil" têm para lhes oferecer.O vazio, a solidão e a impotência que estes números significam, deviam fazer-nos meditar acerca da "clara noite do nada" para onde deixamos caminhar os mais novos de nós próprios. Par delicatesse, j'ai perdu ma vie.
Segundo um estudo divulgado hoje, os nossos adolescentes, moços e moças indistintamente, de 1998 para cá, aumentaram significativamente os índices de consumo de bebidas alcoólicas, passando da modesta cerveja directamente para as "hard" espirituosas brancas. Também se apurou que adoram haxixe e que, quando perguntados acerca dos pais, acham que eles bebem muito!Por outro lado, um outro estudo revelava que a SIDA tem crescido entre nós junto de jovens heterosexuais e numa faixa etária ligeiramente superior, entre os 30 e os 40, ex-divorciados, por aí.Estes dados mostram uma coisa simultaneamente simples e aterradora: os nossos jovens, independentemente das respectivas origens sociais, escolhem mais depressa o inferno-que tomam por paraíso-do que paixões terrenas a partir daquilo que a casa, a escola, o poder político, ou a queridíssima "sociedade civil" têm para lhes oferecer.O vazio, a solidão e a impotência que estes números significam, deviam fazer-nos meditar acerca da "clara noite do nada" para onde deixamos caminhar os mais novos de nós próprios. Par delicatesse, j'ai perdu ma vie.
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CERVEJAS NO INFERNO
Segundo um estudo divulgado hoje, os nossos adolescentes, moços e moças indistintamente, de 1998 para cá, aumentaram significativamente os índices de consumo de bebidas alcoólicas, passando da modesta cerveja directamente para as "hard" espirituosas brancas. Também se apurou que adoram haxixe e que, quando perguntados acerca dos pais, acham que eles bebem muito!Por outro lado, um outro estudo revelava que a SIDA tem crescido entre nós junto de jovens heterosexuais e numa faixa etária ligeiramente superior, entre os 30 e os 40, ex-divorciados, por aí.Estes dados mostram uma coisa simultaneamente simples e aterradora: os nossos jovens, independentemente das respectivas origens sociais, escolhem mais depressa o inferno-que tomam por paraíso-do que paixões terrenas a partir daquilo que a casa, a escola, o poder político, ou a queridíssima "sociedade civil" têm para lhes oferecer.O vazio, a solidão e a impotência que estes números significam, deviam fazer-nos meditar acerca da "clara noite do nada" para onde deixamos caminhar os mais novos de nós próprios. Par delicatesse, j'ai perdu ma vie.
Segundo um estudo divulgado hoje, os nossos adolescentes, moços e moças indistintamente, de 1998 para cá, aumentaram significativamente os índices de consumo de bebidas alcoólicas, passando da modesta cerveja directamente para as "hard" espirituosas brancas. Também se apurou que adoram haxixe e que, quando perguntados acerca dos pais, acham que eles bebem muito!Por outro lado, um outro estudo revelava que a SIDA tem crescido entre nós junto de jovens heterosexuais e numa faixa etária ligeiramente superior, entre os 30 e os 40, ex-divorciados, por aí.Estes dados mostram uma coisa simultaneamente simples e aterradora: os nossos jovens, independentemente das respectivas origens sociais, escolhem mais depressa o inferno-que tomam por paraíso-do que paixões terrenas a partir daquilo que a casa, a escola, o poder político, ou a queridíssima "sociedade civil" têm para lhes oferecer.O vazio, a solidão e a impotência que estes números significam, deviam fazer-nos meditar acerca da "clara noite do nada" para onde deixamos caminhar os mais novos de nós próprios. Par delicatesse, j'ai perdu ma vie.
23.6.03
OS BLINDADOS
Numa das últimas conversas "de pé de orelha" entre o George (Bush) e o José (Manuel Durão Barroso), e dada a forma enérgica como nós apoiámos os EUA na sua cruzada contra Saddam, ficou combinado que, não só participaríamos na reconstrução (?) do Iraque, como enviaríamos uma força da GNR para actividades de manutenção da ordem pública. Julgo que a esta hora, já os americanos devem estar a sentir a falta dos 120 homens portugueses da GNR e dos seus famosos blindados. Acontece que, bem à nossa maneira, fomos oferecer o que não tínhamos e agora, segundo explicou o Sr. Ministro da Administração Interna, andamos a ver se compramos uns quantos blindados italianos para remediar e levar para o Iraque. Os últimos que possuíamos, foram "emprestados" a Timor, naqueles anos de desvelo nacional pela causa de Xanana, e por lá ficaram naturalmente. François Mitterrand dizia que acreditava no significado dos grandes gestos simbólicos. Este nosso gesto, nem é grande nem é simbólico. É um gesto....português. Mais valia estar quieto.
Numa das últimas conversas "de pé de orelha" entre o George (Bush) e o José (Manuel Durão Barroso), e dada a forma enérgica como nós apoiámos os EUA na sua cruzada contra Saddam, ficou combinado que, não só participaríamos na reconstrução (?) do Iraque, como enviaríamos uma força da GNR para actividades de manutenção da ordem pública. Julgo que a esta hora, já os americanos devem estar a sentir a falta dos 120 homens portugueses da GNR e dos seus famosos blindados. Acontece que, bem à nossa maneira, fomos oferecer o que não tínhamos e agora, segundo explicou o Sr. Ministro da Administração Interna, andamos a ver se compramos uns quantos blindados italianos para remediar e levar para o Iraque. Os últimos que possuíamos, foram "emprestados" a Timor, naqueles anos de desvelo nacional pela causa de Xanana, e por lá ficaram naturalmente. François Mitterrand dizia que acreditava no significado dos grandes gestos simbólicos. Este nosso gesto, nem é grande nem é simbólico. É um gesto....português. Mais valia estar quieto.
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OS BLINDADOS
Numa das últimas conversas "de pé de orelha" entre o George (Bush) e o José (Manuel Durão Barroso), e dada a forma enérgica como nós apoiámos os EUA na sua cruzada contra Saddam, ficou combinado que, não só participaríamos na reconstrução (?) do Iraque, como enviaríamos uma força da GNR para actividades de manutenção da ordem pública. Julgo que a esta hora, já os americanos devem estar a sentir a falta dos 120 homens portugueses da GNR e dos seus famosos blindados. Acontece que, bem à nossa maneira, fomos oferecer o que não tínhamos e agora, segundo explicou o Sr. Ministro da Administração Interna, andamos a ver se compramos uns quantos blindados italianos para remediar e levar para o Iraque. Os últimos que possuíamos, foram "emprestados" a Timor, naqueles anos de desvelo nacional pela causa de Xanana, e por lá ficaram naturalmente. François Mitterrand dizia que acreditava no significado dos grandes gestos simbólicos. Este nosso gesto, nem é grande nem é simbólico. É um gesto....português. Mais valia estar quieto.
Numa das últimas conversas "de pé de orelha" entre o George (Bush) e o José (Manuel Durão Barroso), e dada a forma enérgica como nós apoiámos os EUA na sua cruzada contra Saddam, ficou combinado que, não só participaríamos na reconstrução (?) do Iraque, como enviaríamos uma força da GNR para actividades de manutenção da ordem pública. Julgo que a esta hora, já os americanos devem estar a sentir a falta dos 120 homens portugueses da GNR e dos seus famosos blindados. Acontece que, bem à nossa maneira, fomos oferecer o que não tínhamos e agora, segundo explicou o Sr. Ministro da Administração Interna, andamos a ver se compramos uns quantos blindados italianos para remediar e levar para o Iraque. Os últimos que possuíamos, foram "emprestados" a Timor, naqueles anos de desvelo nacional pela causa de Xanana, e por lá ficaram naturalmente. François Mitterrand dizia que acreditava no significado dos grandes gestos simbólicos. Este nosso gesto, nem é grande nem é simbólico. É um gesto....português. Mais valia estar quieto.
O SR. NAMORA
Decididamente não gosto do Sr. Pedro Namora. Visto em bruto, ele possui características que, isoladamente, até são estimáveis. É corajoso, mas mistura ressentimentos com teorias da conspiração. É frontal, porém insinuante, e adora lançar gasolina para a fogueira, mesmo quando não há razões para a acender. É solidário, mas ressuma um protagonismo insuportável. Depois, vem às televisões com aquela arrogância justiceira, aprendida na pior vulgata marxista. Deviam explicar-lhe que, no crime de pedofilia, não há "poderosos" vs. "descamisados", mas tão-somente criminosos. Foi agora constituído arguido por difamação, o que só dá azo a que apareça mais umas quantas vezes. Numa investigação que não sendo secreta, já nem discreta é, o papel de Namora, ao contrário do que ele supôe, é perturbador. Um caso que devia ser acompanhado pelo nosso amigo Socio{B]logue.
Decididamente não gosto do Sr. Pedro Namora. Visto em bruto, ele possui características que, isoladamente, até são estimáveis. É corajoso, mas mistura ressentimentos com teorias da conspiração. É frontal, porém insinuante, e adora lançar gasolina para a fogueira, mesmo quando não há razões para a acender. É solidário, mas ressuma um protagonismo insuportável. Depois, vem às televisões com aquela arrogância justiceira, aprendida na pior vulgata marxista. Deviam explicar-lhe que, no crime de pedofilia, não há "poderosos" vs. "descamisados", mas tão-somente criminosos. Foi agora constituído arguido por difamação, o que só dá azo a que apareça mais umas quantas vezes. Numa investigação que não sendo secreta, já nem discreta é, o papel de Namora, ao contrário do que ele supôe, é perturbador. Um caso que devia ser acompanhado pelo nosso amigo Socio{B]logue.
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O SR. NAMORA
Decididamente não gosto do Sr. Pedro Namora. Visto em bruto, ele possui características que, isoladamente, até são estimáveis. É corajoso, mas mistura ressentimentos com teorias da conspiração. É frontal, porém insinuante, e adora lançar gasolina para a fogueira, mesmo quando não há razões para a acender. É solidário, mas ressuma um protagonismo insuportável. Depois, vem às televisões com aquela arrogância justiceira, aprendida na pior vulgata marxista. Deviam explicar-lhe que, no crime de pedofilia, não há "poderosos" vs. "descamisados", mas tão-somente criminosos. Foi agora constituído arguido por difamação, o que só dá azo a que apareça mais umas quantas vezes. Numa investigação que não sendo secreta, já nem discreta é, o papel de Namora, ao contrário do que ele supôe, é perturbador. Um caso que devia ser acompanhado pelo nosso amigo Socio{B]logue.
Decididamente não gosto do Sr. Pedro Namora. Visto em bruto, ele possui características que, isoladamente, até são estimáveis. É corajoso, mas mistura ressentimentos com teorias da conspiração. É frontal, porém insinuante, e adora lançar gasolina para a fogueira, mesmo quando não há razões para a acender. É solidário, mas ressuma um protagonismo insuportável. Depois, vem às televisões com aquela arrogância justiceira, aprendida na pior vulgata marxista. Deviam explicar-lhe que, no crime de pedofilia, não há "poderosos" vs. "descamisados", mas tão-somente criminosos. Foi agora constituído arguido por difamação, o que só dá azo a que apareça mais umas quantas vezes. Numa investigação que não sendo secreta, já nem discreta é, o papel de Namora, ao contrário do que ele supôe, é perturbador. Um caso que devia ser acompanhado pelo nosso amigo Socio{B]logue.
ALINHAMENTOS
Segundo me apercebi através de um rodapé de telejornal, o presidente da Comissão Nacional da Luta contra a Sida, Fernando Ventura, está de saída. Embora satisfeito com o trabalho realizado, lá deixou "cair" que a ausência de "alinhamento" terá pesado na hora da partida. Esta coisa de alinhar ou não alinhar - e perdoem-me os blogues "anti-citacionistas" , v.g. o excelente Guerra e Pás - lembra-me um género de "post" , mas em livro, colocado na sua "Arte do Romance", por Milan Kundera, que cita a partir de "A insustentável leveza do ser" (trad. Ed. D. Quixote): "Mas o que é trair? Trair é sair da fila".
Segundo me apercebi através de um rodapé de telejornal, o presidente da Comissão Nacional da Luta contra a Sida, Fernando Ventura, está de saída. Embora satisfeito com o trabalho realizado, lá deixou "cair" que a ausência de "alinhamento" terá pesado na hora da partida. Esta coisa de alinhar ou não alinhar - e perdoem-me os blogues "anti-citacionistas" , v.g. o excelente Guerra e Pás - lembra-me um género de "post" , mas em livro, colocado na sua "Arte do Romance", por Milan Kundera, que cita a partir de "A insustentável leveza do ser" (trad. Ed. D. Quixote): "Mas o que é trair? Trair é sair da fila".
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ALINHAMENTOS
Segundo me apercebi através de um rodapé de telejornal, o presidente da Comissão Nacional da Luta contra a Sida, Fernando Ventura, está de saída. Embora satisfeito com o trabalho realizado, lá deixou "cair" que a ausência de "alinhamento" terá pesado na hora da partida. Esta coisa de alinhar ou não alinhar - e perdoem-me os blogues "anti-citacionistas" , v.g. o excelente Guerra e Pás - lembra-me um género de "post" , mas em livro, colocado na sua "Arte do Romance", por Milan Kundera, que cita a partir de "A insustentável leveza do ser" (trad. Ed. D. Quixote): "Mas o que é trair? Trair é sair da fila".
Segundo me apercebi através de um rodapé de telejornal, o presidente da Comissão Nacional da Luta contra a Sida, Fernando Ventura, está de saída. Embora satisfeito com o trabalho realizado, lá deixou "cair" que a ausência de "alinhamento" terá pesado na hora da partida. Esta coisa de alinhar ou não alinhar - e perdoem-me os blogues "anti-citacionistas" , v.g. o excelente Guerra e Pás - lembra-me um género de "post" , mas em livro, colocado na sua "Arte do Romance", por Milan Kundera, que cita a partir de "A insustentável leveza do ser" (trad. Ed. D. Quixote): "Mas o que é trair? Trair é sair da fila".
BLOGO LOGO EXISTO II
Estive a dar uma espreitadela no Aviz a quem agradeço as amáveis palavras que me dirigiu. Mas mais lhe agradeço as citações de George Steiner. Eu tenho uma memória de há cinco anos da passagem de Steiner nessas magníficas conferências subordinadas ao tema da "Europa e a Cultura", que a Fundação Gulbenkian organizou. Discretamente, numa noite suave de Maio, Steiner falou da "palavra" ("Word", era o título da conferência) e fê-lo com uma impressionante serenidade emotiva: toda a obra de Steiner nos fala disso, da permanente desvalorização do verbo e da escrita primeira, do autor original, e do triunfo do ruído e do célebre hemisfério não verbal do nosso cérebro sobre a outra parte. Felizmente, para nós, portugueses, Steiner tem sido regularmente traduzido e em geral, muito bem, designadamente por Miguel Serras Pereira.Nós por aqui, entre blogues, não inventamos nada.No entanto, fica-nos bem falar do que resiste e do que permanece. Parabéns, pois, ao Aviz.
Estive a dar uma espreitadela no Aviz a quem agradeço as amáveis palavras que me dirigiu. Mas mais lhe agradeço as citações de George Steiner. Eu tenho uma memória de há cinco anos da passagem de Steiner nessas magníficas conferências subordinadas ao tema da "Europa e a Cultura", que a Fundação Gulbenkian organizou. Discretamente, numa noite suave de Maio, Steiner falou da "palavra" ("Word", era o título da conferência) e fê-lo com uma impressionante serenidade emotiva: toda a obra de Steiner nos fala disso, da permanente desvalorização do verbo e da escrita primeira, do autor original, e do triunfo do ruído e do célebre hemisfério não verbal do nosso cérebro sobre a outra parte. Felizmente, para nós, portugueses, Steiner tem sido regularmente traduzido e em geral, muito bem, designadamente por Miguel Serras Pereira.Nós por aqui, entre blogues, não inventamos nada.No entanto, fica-nos bem falar do que resiste e do que permanece. Parabéns, pois, ao Aviz.
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BLOGO LOGO EXISTO II
Estive a dar uma espreitadela no Aviz a quem agradeço as amáveis palavras que me dirigiu. Mas mais lhe agradeço as citações de George Steiner. Eu tenho uma memória de há cinco anos da passagem de Steiner nessas magníficas conferências subordinadas ao tema da "Europa e a Cultura", que a Fundação Gulbenkian organizou. Discretamente, numa noite suave de Maio, Steiner falou da "palavra" ("Word", era o título da conferência) e fê-lo com uma impressionante serenidade emotiva: toda a obra de Steiner nos fala disso, da permanente desvalorização do verbo e da escrita primeira, do autor original, e do triunfo do ruído e do célebre hemisfério não verbal do nosso cérebro sobre a outra parte. Felizmente, para nós, portugueses, Steiner tem sido regularmente traduzido e em geral, muito bem, designadamente por Miguel Serras Pereira.Nós por aqui, entre blogues, não inventamos nada.No entanto, fica-nos bem falar do que resiste e do que permanece. Parabéns, pois, ao Aviz.
Estive a dar uma espreitadela no Aviz a quem agradeço as amáveis palavras que me dirigiu. Mas mais lhe agradeço as citações de George Steiner. Eu tenho uma memória de há cinco anos da passagem de Steiner nessas magníficas conferências subordinadas ao tema da "Europa e a Cultura", que a Fundação Gulbenkian organizou. Discretamente, numa noite suave de Maio, Steiner falou da "palavra" ("Word", era o título da conferência) e fê-lo com uma impressionante serenidade emotiva: toda a obra de Steiner nos fala disso, da permanente desvalorização do verbo e da escrita primeira, do autor original, e do triunfo do ruído e do célebre hemisfério não verbal do nosso cérebro sobre a outra parte. Felizmente, para nós, portugueses, Steiner tem sido regularmente traduzido e em geral, muito bem, designadamente por Miguel Serras Pereira.Nós por aqui, entre blogues, não inventamos nada.No entanto, fica-nos bem falar do que resiste e do que permanece. Parabéns, pois, ao Aviz.
A CASA DA MÚSICA
Pelo que leio nos jornais, os dirigentes nortenhos do PSD descobriram uma serôdia vocação musical clássica, uma vez que me recuso a acreditar que, por detrás de determinadas posições, esteja o rasteiro expediente do costume: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és. Eu não conheço o Burmester a não ser de concertos, nomeadamente quando abriu a Lisboa 94, no Coliseu, ao lado de Sir Georg Solti. Mas já percebi que andam mortinhos por se verem livres dele (vejam-se as declarações de Rui Amaral há pouco no jornal da RTP).Nesta peripécia, há uma parte de razão nos "outros", ou seja, fazendo Burmester parte da administração da Casa da Música e tendo andado a dizer o que tem dito acerca dos membros da dita e seus contribuintes líquidos (Câmara, Ministério da Cultura...), melhor seria se o fizesse fora da estrutura, adquirindo assim outra legitimidade.É que ele é uma das "peças" mais antigas da dita administração e, apesar dos pergaminhos, enquanto lá permanecer, é co-responsável por aquilo que verbera.
Porém, nada disto justifica que se passem coisas como as que detectei, relatadas no Público.pt:
"O ministro da Cultura ainda não decidiu como irá resolver o conflito entre o presidente da administração da Casa da Música, Rui Amaral, e Pedro Burmester – cuja demissão foi exigida por Rui Rio –, mas a crise já ameaça fazer vítimas colaterais, a começar pela directora do teatro municipal Rivoli, Isabel Alves Costa.
Em declarações publicadas ontem pelo “Jornal de Notícias”, o líder da concelhia do Porto do PSD, Sérgio Vieira, desafia o vereador da Cultura de Rui Rio: “Espero que uma da primeiras decisões que Marcelo Mendes Pinto tome na segunda-feira [hoje] de manhã seja pedir a demissão da directora do Rivoli”.
Em causa está uma breve declaração de Isabel Alves Costa em que esta, já depois de Rio ter pedido a demissão de Burmester, elogia a qualidade da programação da Casa da Música e manifesta o desejo de que o pianista se mantenha no projecto.
Ao mesmo tempo que pede ao vereador da Cultura que demita a directora do Rivoli, Sérgio Vieira assegura a Rio que este terá “todo o apoio” da concelhia do partido se decidir retirar o pelouro ao próprio Mendes Pinto, que ocupa um dos lugares atribuídos ao PP no executivo da Câmara do Porto.
É que também o vereador, numa primeira reacção aos ataques de Rio a Burmester, afirmou que o músico é “uma figura incontornável da cultura portuense” e defendeu que o Porto lucraria se este continuasse a “pensar a Casa da Música”. Uma declaração que levou o líder da distrital centrista, Álvaro Castelo Branco, a demarcar-se do seu colega de partido e a solidarizar- se publicamente com Rio.
No mesmo dia, Mendes Pinto veio corrigir as suas primeiras afirmações e reconhecer que Burmester se colocara numa “posição insustentável” e que teria de ser demitido.
O PÚBLICO tentou ontem, sem êxito, ouvir o vereador da Cultura, que poderá anunciar ainda hoje se tenciona, ou não, demitir Isabel Alves Costa. Também o futuro de Pedro Burmester na Casa da Música deverá ser decidido em breve pelo ministro da Cultura, que se reunirá amanhã com o Conselho de Administração da sociedade."
Dois comentários:
1. Confio na serenidade do Dr. Pedro Roseta para mediar esta situação e,do que conheço dele, tudo fará para manter Burmester na Casa da Música, caso ele não opte por saír pelo seu próprio pé;
2. O Dr. Rui Rio, do que também conheço dele, não comunga do mesmo registo "grande-inquisidor" de Sérgio Vieira, o líder concelhio do PSD, que até o vereador do PP quer sanear. Alguém deveria explicar à criatura que, por esse caminho, o PSD Porto se aproxima rapidamente do pior estilo da dupla Gomes/Narciso que dominou o caciquismo nortenho nos últimos anos.
Pelo que leio nos jornais, os dirigentes nortenhos do PSD descobriram uma serôdia vocação musical clássica, uma vez que me recuso a acreditar que, por detrás de determinadas posições, esteja o rasteiro expediente do costume: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és. Eu não conheço o Burmester a não ser de concertos, nomeadamente quando abriu a Lisboa 94, no Coliseu, ao lado de Sir Georg Solti. Mas já percebi que andam mortinhos por se verem livres dele (vejam-se as declarações de Rui Amaral há pouco no jornal da RTP).Nesta peripécia, há uma parte de razão nos "outros", ou seja, fazendo Burmester parte da administração da Casa da Música e tendo andado a dizer o que tem dito acerca dos membros da dita e seus contribuintes líquidos (Câmara, Ministério da Cultura...), melhor seria se o fizesse fora da estrutura, adquirindo assim outra legitimidade.É que ele é uma das "peças" mais antigas da dita administração e, apesar dos pergaminhos, enquanto lá permanecer, é co-responsável por aquilo que verbera.
Porém, nada disto justifica que se passem coisas como as que detectei, relatadas no Público.pt:
"O ministro da Cultura ainda não decidiu como irá resolver o conflito entre o presidente da administração da Casa da Música, Rui Amaral, e Pedro Burmester – cuja demissão foi exigida por Rui Rio –, mas a crise já ameaça fazer vítimas colaterais, a começar pela directora do teatro municipal Rivoli, Isabel Alves Costa.
Em declarações publicadas ontem pelo “Jornal de Notícias”, o líder da concelhia do Porto do PSD, Sérgio Vieira, desafia o vereador da Cultura de Rui Rio: “Espero que uma da primeiras decisões que Marcelo Mendes Pinto tome na segunda-feira [hoje] de manhã seja pedir a demissão da directora do Rivoli”.
Em causa está uma breve declaração de Isabel Alves Costa em que esta, já depois de Rio ter pedido a demissão de Burmester, elogia a qualidade da programação da Casa da Música e manifesta o desejo de que o pianista se mantenha no projecto.
Ao mesmo tempo que pede ao vereador da Cultura que demita a directora do Rivoli, Sérgio Vieira assegura a Rio que este terá “todo o apoio” da concelhia do partido se decidir retirar o pelouro ao próprio Mendes Pinto, que ocupa um dos lugares atribuídos ao PP no executivo da Câmara do Porto.
É que também o vereador, numa primeira reacção aos ataques de Rio a Burmester, afirmou que o músico é “uma figura incontornável da cultura portuense” e defendeu que o Porto lucraria se este continuasse a “pensar a Casa da Música”. Uma declaração que levou o líder da distrital centrista, Álvaro Castelo Branco, a demarcar-se do seu colega de partido e a solidarizar- se publicamente com Rio.
No mesmo dia, Mendes Pinto veio corrigir as suas primeiras afirmações e reconhecer que Burmester se colocara numa “posição insustentável” e que teria de ser demitido.
O PÚBLICO tentou ontem, sem êxito, ouvir o vereador da Cultura, que poderá anunciar ainda hoje se tenciona, ou não, demitir Isabel Alves Costa. Também o futuro de Pedro Burmester na Casa da Música deverá ser decidido em breve pelo ministro da Cultura, que se reunirá amanhã com o Conselho de Administração da sociedade."
Dois comentários:
1. Confio na serenidade do Dr. Pedro Roseta para mediar esta situação e,do que conheço dele, tudo fará para manter Burmester na Casa da Música, caso ele não opte por saír pelo seu próprio pé;
2. O Dr. Rui Rio, do que também conheço dele, não comunga do mesmo registo "grande-inquisidor" de Sérgio Vieira, o líder concelhio do PSD, que até o vereador do PP quer sanear. Alguém deveria explicar à criatura que, por esse caminho, o PSD Porto se aproxima rapidamente do pior estilo da dupla Gomes/Narciso que dominou o caciquismo nortenho nos últimos anos.
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