27.9.14

Visto do lado de cá


 


«O episódio da “Tecnoforma”, qualquer que seja o seu fim, impedirá Passos Coelho de readquirir o respeito do cidadão comum e, por isso, em última análise, a sua presente autoridade sobre o partido. Se o PSD perder as legislativas de 2015, ficará por força à mercê das luzes de meia dúzia de autarcas, que, além de não se interessarem pelo país, vêem tudo pela fresta dos seus negócios locais. Do lado do PS, a campanha das primárias não serviu, como Seguro julga, para “democratizar” a eleição de um putativo chefe, serviu principalmente para nos mostrar o partido por dentro; o ódio fraternal que é a força motora daquela agremiação de ressentimentos. O partido não ganhará a famigerada “maioria absoluta”, que por aí apregoa, e o seu destino não irá além de uma coligação impotente, que, com ou sem o PSD, consumará o desastre.» Isto é Vasco Pulido Valente no Público. E isto é Donna Tartt no excelente O Pintassilgo, e vai dar sensivelmente ao mesmo visto do lado de cá. «Eu parava a meio de um passo no passeio, pasmado. De alguma forma, o presente tinha-se transformado num lugar mais pequeno e muito menos interessante.»

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