3.9.14

«Como é que se discute um líder que ganha?»

 


 




Na política como no amor não existe gratidão. Com certeza que Seguro andou pelo país inteiro a "puxar" e a apoiar, como era sua obrigação, a maioria destes estupores. Dizem eles, com aquela gravitas palonça e oportunista que caracteriza a maior parte deles, «que Costa tem "a visão, a coragem e a determinação" que lhe permitirá levar a cabo "uma estratégia que vá muito além das vistas curtas e do curto prazo, e que aposte em valores tão caros aos autarcas como descentralização e proximidade".» Mais uma vez, e à semelhança destas funéreas criaturas, estes "autarcas" pretendem que alguém, "lá em cima" e amiguinho, os abasteça com mais poder e, no caso específico deles, com mais dinheiro para "imortalizar" a respectiva "obra". É esse o significado de "descentralização e proximidade". No caso de Lisboa, por exemplo, não foi "a visão, a coragem e a determinação" de Costa que resolveu a questão dos terrenos do aeroporto que lhe permitiu aparecer financeiramente "imaculado" nas derradeiras autárquicas. Foi Miguel Relvas. Mas isso não interessa nada a estes pobres de espírito. Costa segue embalado pelas "elites" - do partido, de outros partidos e da "vociferante matilha do espectáculo" - o que revela a "dimensão" dessas "elites" mais do que revela Costa. Esse, e a sua putativa "visão estratégica", fica bem resumido neste "retratinho" de Vasco Pulido Valente: «na propaganda das primárias (nas suas voltinhas de candidato que em Portugal nunca variam) está sempre rodeado por um bando de jornalistas sem senso à procura de uma frase ou de uma notícia; e a oportunidade para se aliviar de altos pensamentos é nula, tanto mais que na cabeça dele convivem ideias vagas e mutuamente exclusivas: a da maioria absoluta e a do entendimento com a esquerda radical, por exemplo, ou a da “negociação” com a “Europa” contra Merkel e Hollande.» Para a trupe ficar completa, falta Sócrates que chega num jantar dia oito. Sócrates, na noite das "europeias", mostrou-se "indignado" com aqueles que logo ali começaram a falar em substituir o líder: «como é que se discute um líder que ganha? Não faz parte do que é normal em política». Não fazia mas passou a fazer. Estão bem uns para os outros.

2 comentários:

mmpf disse...

Ainda bem que lembra. É capaz de nos explicar essa "simpatia" de Miguel Relvas para com António Costa? De uma proeza dessas não se pode gabar o Maduro... E já agora, porque não foi o Rio (i.e., a CMP) objecto de idêntica "simpatia"?

António Vaz Tomé disse...

Gostava de ver isso clarificado também!!!!
Na corte, capital do Império deles, qualquer gasto é necessário e inquestionável.
VT