
«Tal como aconteceu nos anos 20 com o padrão-ouro, a social-democracia está objectivamente bloqueada num trágico impasse, que a leva a defender constantemente aquilo mesmo que impede a mudança que reclama. Nos anos 20, o padrão-ouro, ao fixar paridades entre moedas nacionais que eram supostas poderem converter-se em ouro, abriu as portas ao espectro deflacionista que, com a "panne" da economia real, levou a uma austeridade que se abateu pesadamente sobretudo sobre o mundo do trabalho. Situação que só se alterou mais tarde, com as lições da grande depressão, as políticas expansivas e os acordos de Bretton Woods, que vigoraram até aos anos 70 do século passado. O euro veio, infelizmente, repor uma situação análoga à que se viveu nos anos 20 com o padrão-ouro - e foi essa situação que entretanto se conseguiu impor em termos de "necessidade". Ora argumento da necessidade, em política, é quase sempre o mais falacioso dos argumentos: ele apresenta como neutro o que o não é e transforma em leis o que são meras opções. A ironia, é que esta necessidade lembra cada vez mais a do socialismo "científico" de má memória... Dobrados ao argumento da necessidade, os socialistas democráticos acabam por aceitar quase tudo o que dizem querer rejeitar: os constrangimentos da gestão financista, os critérios da banca, o sobe-e-desce das agências de notação, o paternalismo burocrático de Bruxelas, etc. O último Conselho Europeu, de sábado passado, ilustra bem tudo isto: uma desesperante incapacidade política para responder à Rússia na Ucrânia, a escolha de personalidades de segundo plano para as funções de presidente do Conselho Europeu e de alto-representante para os Negócios Estrangeiros. Por fim, lá se marcou, para o Outono, mais uma cimeira sobre o crescimento!!!...Não, assim esta Europa não vai salvar ninguém - a não ser, talvez, que a deflação acabe por quebrar o império desta falaciosa necessidade e imponha uma reconfiguração radical da União Europeia e da zona euro.»
2 comentários:
Com mais algum esforço, MMC ainda acaba por desembocar em Abel Salazar e nas suas teses sobe a decadência europeia... dos anos 30 do passado século...
Foram Mestres em Despesa/Endividamento [com o silêncio cúmplice de (muitos outros) mestres/elite em economia] que enfiaram ao contribuinte autoestradas 'olha lá vem um', estádios de futebol vazios, nacionalização do BPN, etc, etc, etc...
---» Bom, como é óbvio, quem paga (vulgo contribuinte) não pode continuar a ser 'comido a torto e direito'... leia-se: quem paga (vulgo contribuinte) deve possuir o Direito de defender-se!!!
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-» Votar em políticos não é (não pode ser) passar um cheque em branco... isto é, ou seja, os políticos e os lobbys pró-despesa/endividamento poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos... só que depois... a 'coisa' terá que passar pelo crivo de quem paga (vulgo contribuinte).
---> Leia-se: deve existir o DIREITO AO VETO de quem paga!!!
[ver blog «http://fimcidadaniainfantil.blogspot.com/»].
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