10.9.14

Lérias


 


Volta não volta, surge na política a conversa do "ataque pessoal". A mais recente, e mais famosa, ficou conhecida por "campanha negra". Tem variantes. "Cabala",  "insulto", "assassinato de carácter" - muitas vezes os ditos "assassinatos" são afinal "suicídios" -, "infâmia" e, ainda a semana passada, "circunstância".  Dizer a um político que praticou um acto desleal ou uma traição não é um "ataque pessoal". É uma opinião política susceptível de contraditório igualmente político e nunca de lamúrias romanescas. "Ataque pessoal" seria, por exemplo, acusar alguém sem provas de que não paga o condomínio há mais de cinco anos, que tem a orientação sexual x ou y quando não tem nenhuma, que alegadamente conduz camiões TIR a abarrotar de cuecas falsas Armani quando só possui carta de ligeiros, que tem supostamente estantes cheias de valter hugo mãe, etc. A deslealdade e a traição são o "sal" da política. São mais frequentes que a decência. É por isso que, se alguém atribui o nome à coisa, "sai" logo da política para passar para o "ataque pessoal". E os competentes cabelos e vestes são de imediato arrancados em nome de uma dissimulada "indignação" para esconder o que importa: ter ou não ter algo de substantivo para dizer e fazer. O resto são lérias.

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