
É preciso fazer alguma "justiça"ao dr. Marques Mendes. Apesar de ter anunciado a venda do Novo Banco para daqui a duas ou três semanas - seis no máximo -, e, como ontem confirmou, estar perfeitamente a par dos "rumores" da eminente saída dos três administradores liderada por Vítor Bento (viriam desde 23 de Agosto, repara-se na precisão da data) que achou que lá deviam ter ficado a fazer a figura de ursos que eles se recusaram a fazer, o dr. Mendes acabou por reconhecer que o governo foi hipócrita e, também neste assunto, já só pensa nas eleições. Mas se pensa pelos vistos anda a pensar mal. Porque a partir de agora, a "pressa em vender" vai transformar-se em "pressa em vender porventura mal" e a patacos. Do dr. Costa, do BdP, nem vale a pena falar. O sorrisinho permanente do dr. Constâncio - com que ele se deita, levanta e passa a ferro aos fins de semana para estar pronto às segundas-feiras logo pela fresquinha - fala por ele. A "fadiga fiscal", para usar um termo do venerando prof. Moreira, tem as costas largas e é nela que presumivelmente parte desta historieta cinzenta de recorte latino-americano há-de acabar. Como escreve a Leonete Botelho, «a duplicidade do Governo vai mais longe. Temos o lado A, com a ministra das Finanças a repetir a afirmação de que não há qualquer interferência na gestão e administração do dossier BES e o primeiro-ministro a ofender-se com notícias sobre recados dados, a seu tempo, para o afastamento de Ricardo Salgado. E temos o lado B, onde um sorridente Governo indica para o Banco de Portugal o seu antigo secretário de Estado Helder Rosalino e coloca na pasta da supervisão António Varela — que antes indicara, qual bombeiro de serviço, para o Banif aquando da entrada do Estado no capital do banco. Onde um distraído Governo deixa ir para a administração do Novo Banco José Honório e Moreira Rato, ambos com ligações ao Executivo e ambos próximos de Ricardo Salgado. E onde, por fim, o Governo deixa claro, pela voz do ministro da Economia, que a estratégia a seguir no Novo Banco é a sua venda o mais depressa possível. Qual plano de sustentabilidade, qual autonomia de gestão? O Governo dá indicações para a estratégia e para o supervisor. Está omnipresente no processo BES/GES e tão activo quanto lhe permite o seu espartilho liberal. Para já, apenas por trás das máscaras, ali, onde a mão se mantém invisível. Até ter que meter a mão na massa.»
1 comentário:
"Até ter que meter a mão na massa"... na nossa, claro. Enquanto isso, o Paulinho e a malta do táxi dizem que querem baixar os impostos. Para, ao virar da esquina (das eleições), nos assaltarem outra vez.
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