O primeiro-ministro recorreu à pior das "técnicas" de resposta dita factual por causa de uma coisa dos seus idos de deputado, a "técnica da meia-dose": "não, mas". Acrescentou umas "indirectas" à Câmara, como ele aprecia chamar ao Parlamento, e a colegas da política que aparentemente recorrem, ou terão recorrido, a familiares para a guarda de proventos. Não sei se ele, e outros antes dele ou depois dele, é "agente" ou "vítima" de um sistema nado e apascentado pelo regime. Refiro-me à "exclusividade" cuja clareza semântica deve ser evidente até para qualquer pessoa com o antigo ciclo preparatório. Um regime que permite a ambiguidade no tratamento da "exclusividade" no exercício de funções políticas representativas, é um regime que sujeita os seus protagonistas às figuras tristes que eles por vezes têm de fazer. A de Passos Coelho - que, nos termos em que decorreu, já devia e podia ter tido lugar há dois anos, há dois meses, há duas semanas ou há dois dias - não o livra de ruídos e da dúvida. Na dúvida, o Direito não condena. Na política, a dúvida persiste.
2 comentários:
A "tecnica" foi a possivel.
Se o caminho a seguir for o striptease de contas bancárias de familiares de gente na política há muitos anos, o melhor é começar já a pensar na construção de uma rede de cadeias.
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