Pouco depois das vinte horas, na RTP, o primeiro socialista a celebrar a anunciada vitória de A. Costa nas "primárias" do PS foi José Sócrates, antecipando-se ao putativo vencedor. Assim sendo, é o regresso de um "clássico" - que nunca deixou de estar presente - ao "clássico" da política portuguesa das últimas décadas: supremacia de um "sistema" que é transversal a todo o regime, nas suas manifestações políticas, económicas, sociais, culturais e, sobretudo, comunicacionais para seguir os termos canónicos. Não faço a menor ideia, nem me interessa, aliás, como é que A. Costa vai conviver com o "sistema" interno e externo que o apoiou e que não deixará de reclamar oportunamente os seus direitos. Mas é disso, sobretudo, que vai depender ele "crescer" dos militantes e dos simpatizantes para o país e obter, não a maioria absoluta (nem ele nem ninguém lá vai), mas a proeminência da praxe para mandar nisto. Lamento que uma pessoa decente e séria como o António José Seguro - mais uma - saia de cena. Mas, como Jorge de Sena pergunta na epígrafe deste blogue, «se as pessoas têm a vocação de criado, se as pessoas têm a vocação de escriba, por que é que não hão-de ser criados e não hão-de ser escribas?»
Adenda: Escrevi isto antes do A. J. Seguro falar. Digno e sério, como referi, foi embora sem mais. Fez bem. A "mesmice" aos mesmos rapidamente e em força.
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