«Tinha 15 anos quando o assassinato de um estudante, Ribeiro Santos, catalisou os sentimentos difusos de revolta que eu já sentia e me levou a tornar-me primeiro num activista das associações de estudantes, logo a seguir num militante radical. Durante os anos que se seguiram dei o melhor de mim, e praticamente todo o meu tempo, à causa da revolução social e política. Até que, ao entrar na maioridade, comecei a ter dúvidas. Depois das dúvidas, veio a refutação das falsas certezas, e à passagem dos 23 anos já compreendera a fatal ilusão em que me deixara envolver. Libertei-me então da ratoeira ideológica do marxismo e dessa sua declinação extrema, o maoismo. Este livro conta a história desses oito anos. » (José Manuel Fernandes, Era uma vez... a Revolução)

3 comentários:
Detesto confissões.
Gostava de perceber o que anima as pessoas a despir-se na praça pública.
JMF e seus companheiros de caminhada são responsáveis pela desgraça de 1975 da qual nunca mais nos libertamos. Certo que os adultos deveriam, nessa altura, não se ter metido debaixo das mesas deixando os fedelhos iluminados destruir tudo: escolas, vida pública e as forças armadas. Estas transformaram-se, em dias, num bando de guedelhudos irresponsáveis que arruinaram a vida e a fazenda de um milhão de compatriotas. E muitos dos que então tudo destruíram estão hoje no poder ou estiveram colhendo nós os "benefícios" da sua irresponsabilidade e ignorância. Estamos fritos e eu estou velho!
Também eu estou a ficar velho mas a fazer o caminho inverso: comecei à direita no tempo em que o JMF (e outros, e outros) era maoista e dou comigo cada vez mais esquerdista.
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