Ainda houve tempo, depois de Bach, para assistir ao final da entrevista de Sandra Felgueiras (uma jornalista particularmente competente) ao General Ramalho Eanes. Ouvi Eanes defender um pacto de Estado (uma boa ideia num momento em que parece faltar o seu sentido ou existir um excesso de parodiantes desse sentido como os "alternativos" do dr. Alfredo Barroso) e explicar aos espectadores outra coisa que também anda omissa: a noção que a ética deve dominar o direito, o direito a política e a política a economia. Aparentemente está tudo ao contrário.
3 comentários:
Eanes é dos poucos que ainda poderá ir dizendo umas verdades. Quanto ao almejado pacto de Estado, não contes com isso: será tão provável como aquele outro que um certo regime, muito parecido com o actual, desesperadamente necessitou após o 1º de Fevereiro de 1908. vamos no mesmo caminho e a papel químico. Já não parece haver escapatória possível. Ouviste hoje a conversa do Vasco Pança na Reitoria? Não mudam, coitados.
Dr. Alfredo Barroso, um dos mais mal-educados politiqueiros do nosso panorama telivisivo.
Tem toda a razão o Senhor General. Mas esse pacto deveria ser vertido na constituição e alargado a questões que devem ser efectivamente de regime como saúde, justiça e educação, deixando aqui um pequeno desenvolvimento a propósito desta última que deveria merecer o estatuto de trave mestra da Nação:
A amplitude das consequências futuras de um modelo educativo, reclama e merece um debate competente, sério e transparente para além da contabilidade caseira nos apontamentos dos partidos. Medidas atabalhoadamente avulsas e apressadamente conjunturais não encaixam num sistema de ensino que se pretende produtivamente escorreito. Enquanto enviesadamente se entender que em cada legislatura, um governo, qualquer governo, pode tudo baralhar e dar de novo, não se ataca a raiz do problema, e principalmente os mais jovens são indecorosamente sujeitos ao papel de cobaias nas mãos de reles experimentadores propagandistas de ocasião. O sistema educativo terá que ser visto como uma questão de regime, bem afinado para durar décadas sem sobressaltos, que como tem andado, nem tempo temos para aferir resultados. Acontece que, a exemplo de muitas outras e diversificadas instituições, as escolas privadas também podem prestar um meritório serviço público. A realidade ensina, que perante a recorrente incapacidade e mesmo prepotência do Estado em muitas áreas sociais como em muitos outros quadrantes, o contributo particular pode diversificar e contribuir sem benefícios chocantemente indecorosos e indevidos. Por desgraça, tem mesmo que se substituir aos inorgânicos órgãos do poder, como por exemplo quando a fome aperta na sociedade. Até pode acontecer que o omnipresente e prepotente estado receie e fuja da demonstração comparada da eficiência do desempenho e dos consequentes resultados. No que respeita a critérios justos para comparticipação do orçamento do País que todos somos, uma regra simples e bem calibrada basta. Abertura nos privados para acesso universal a todas as camadas sociais sem encargos adicionais para famílias abaixo de um determinado rendimento, e a partir do qual a classe dos bem instalados teria que abrir os cordões á bolsa. É tudo uma questão de forma e de fórmula. Em doses excessivas o Estado mata.
Enviar um comentário