11.10.12

Pensamento contrafactual


 


«O mundo dos seres humanos é muito mais rico e amplo do que o chamado mundo real, de que tanto gostam os medíocres economistas, políticos e jornalistas dos nossos dias, feito do que ocorreu há minutos, do que se está a passar no momento ou do que se pensa que vai acontecer nas horas seguintes. Ora os seres humanos, como todos bem sabemos por experiência, vivem simultaneamente em múltiplos mundos, que são os seus universos possíveis. E eles comportam não só o que, em determinadas circunstâncias, gostávamos que pudesse vir a acontecer no futuro, mas também aquilo que por vezes pensamos que poderia ter acontecido no passado, em vez daquilo que aconteceu. É nesses mundos que se combinam, no nosso quotidiano, os nossos sonhos e projectos, as nossas hipóteses e ficções, as nossas expectativas e ilusões, de um modo que ora parece mais estruturado, ora mais caótico. E isto não é de agora, o nosso mundo foi sempre virtual e plural, ele compõe-se de todos estes microuniversos, entre os quais deambulamos. A investigação, nomeadamente psicológica, tem mostrado a imensa importância do pensamento contrafactual, uma vez que é ele que nos permite imaginar não só o que podia ter acontecido, como o que, em certas condições, poderia vir a ocorrer, tanto em termos individuais como colectivos. É exactamente esta a via que hoje é preciso explorar em termos políticos, se queremos sair dos impasses em que nos encontramos»


 


M.M.Carrilho, DN

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