Da superficialidade para a sociedade
«Temos um telejornalismo tendencialmente de comunidade, cheio de emoção, sempre com ar de que os factos nos ofendem, em torno dos mesmos temas e repetindo-os, como na aldeia o rumor sobre a vizinha que se deitou com o canalizador. Falta um telejornalismo que, por norma, sem esquecer a comunidade, nos eleve a sociedade, promova reflexão, noticiando com objectividade e parcimónia. Peço demais? O telejornalismo deveria ir à frente do país. Um telejornalismo de comunidade assinala um país com enorme resistência a modernizar-se. (...) As plataformas por cabo vão-se revelando o meio mais seguro de avançar com projectos. Entretanto, haver empresas interessadas em lançar novos canais é um dado para o debate sobre o serviço público de TV: deve haver tantos e mais canais da RTP no cabo pagos por contribuintes e assinantes, ou pelo contrário, o nosso dinheiro deve ser aplicado em menos, mas melhores conteúdos? Defendo a segunda hipótese.» Eu também.
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