4.10.12

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O António Maria.


 


«Na realidade, quem lê a imprensa económica internacional com alguma regularidade notará que Portugal saiu dos radares da desgraça — seja porque melhorou rapidamente a sua balança de pagamentos, ou porque conseguiu fazer crescer as suas exportações em plena recessão europeia e crise financeira mundial, ou porque o Banco de Portugal tem sabido gerir com discrição e resultados a difícil situação dos bancos nacionais, ou ainda porque conseguiu hoje mesmo trocar uma pesada dívida que vencia em 2013 por novas obrigações a custos razoáveis com maturidades mais estendidas. A mobilidade profissional dos portugueses, buscando rapidamente trabalho fora do país, nomeadamente através das ligações familiares que têm em todo o mundo, a par da paz social que durou até aqui, têm sido ainda argumentos fortes a favor da confiança que lentamente regressa ao país. Mas também a determinação com que este governo e o anterior (é verdade, já vem do tempo de Sócrates) têm procurado estabelecer pontes diplomáticas e comerciais com a China, Angola e Brasil, e as respostas que não se têm feito esperar, é algo que deve ser pesado a nosso favor. Nada disto quer dizer que estejamos bem — muito pelo contrário! Na verdade, vamos continuar a ganir até 2015, pelo menos. No entanto, quanto mais depressa encolhermos a burocracia, a partidocracia, a cleptocracia e o Estado, menos violento e duradouro será o terrorismo fiscal em curso. As pessoas vão ficar, em breve, muito mais sensíveis ao gasto público, às mordomias, às tríades e às máfias que destruíram o país e querem continuar a sugá-lo. Mas também serão cada vez mais sensíveis às greves burocráticas das empresas públicas que prejudicam milhões de portugueses, apenas para garantir privilégios salariais, sociais, sindicais e partidários, de que a esmagadora maioria de quem trabalha não usufrui, e que são financiados desde sempre e quase exclusivamente pelos impostos pagos por todos nós. (...) As lideranças miseráveis do PS, PCP e Bloco não oferecem quaisquer alternativas concretas aos planos do governo. Limitam-se a gritar frases inconsequentes, oportunistas e populistas, com o único fito de prosseguirem os seus pequenos jogos partidários e eleitoralistas. Já só pensam nas autárquicas. Querem lá saber do país e das pessoas! Jerónimo de Sousa é um fóssil estalinista da era frente populista. Louçã é um fóssil trotskista oriundo de uma seita dos anos sessenta do século passado. Só Arménio Carlos parece ter aprendido a falar num português político mais inovador à sua base sindical e partidária de apoio. Pena é que continue fechado no armário das relíquias comunistas, e não tenha ainda percebido que o seu querido proletariado morreu, que a sua base de apoio é essencialmente formada por trabalhadores e burocratas do Estado, e que o mundo que hoje conta e pode forçar a mudança é essencialmente composto por classes médias profissionais e por um imenso precariado! A esquerda populista quer tudo: quer pleno emprego, quer mais regalias sociais, quer mais dinheiro, quer mais escolas e universidades, quer mais hospitais e centros de saúde, quer mais tribunais, quer mais câmaras e mais freguesias, em suma, quer mais Estado. E acima de tudo não quer saber de contas. Os ricos, como dizem, que paguem! (...) Nesta altura do campeonato as greves da CP e em geral no setor público são intoleráveis. O pessoal da CP, da Carris, Metro, etc, ganha em geral mais do que os usuários dos serviços que deveriam prestar com qualidade, eficiência e rentabilidade, e não prestam. Os sindicatos portugueses do setor público começam a parecer-se cada vez mais com máfias extrativas. Defendo que as greves no setor público devem ser objeto de medidas restritivas temporárias e em todo o caso de requisição civil sistemática em todos os casos em que o oportunismo sindical e partidário prejudique visivelmente os portugueses que pagam, quase sempre através de passes mensais, os insubstituíveis meios de transporte que utilizam para trabalhar. Os senhores deputados se começassem a usar regularmente os transportes públicos, e pagassem o estacionamento dos seus automóveis na AR, como os lisboetas pagam para estacionar no espaço público que é a sua cidade, talvez passassem a ter uma maior sensibilidade relativamente aos milhões de portugueses que são prejudicados por este tipo de greves corporativas e partidárias. O PCP tem que aprender a ganhar eleições, e não a prejudicar o povo em nome das suas tropas de choque sindicais! Não há nada que impeça o governo de ter mão dura com os sindicatos corporativos do setor público. Deixar apodrecer a situação só pode conduzir ao desastre. Os democratas não podem ficar prisioneiros de silogismos oportunistas sobre o direito à greve. Pois o preço de semelhante cobardia é normalmente o aparecimento e alastramento rápido de forças de extrema direita.»

4 comentários:

n disse...

realmente não há populismo nenhum na direita, nem interesses partídários. esse senhor que se deite cedo.
Já agora portugal não está no radar porque está a destruir a economia ou porque o bce vai entrar em accão e os credores sabem que vão ser pagos? já agora porque é que a operação foi feita nas vesperas ou no dia dos anuncios de gaspar, para provar o quê ou foram coincidências?
chutrar a divida para a frente e pagar mais juros é de mestre, sobretudo quande se Cchuta para depois das eleições.

C Vidal disse...

Penso não voltar a estas bandas, mas agora achei piada!
Como se eu não conhecesse o António Cerveira Pinto!.... Sinceramente, isto está mesmo mau por aqui.

C Vidal disse...

Quando um pobre se encontra com outro (V. é lido, o outro é inexistente), dá isto: "Não há nada que impeça o governo de ter mão dura com os sindicatos...." É o cúmulo do ridículo: dar-se existência a quem não a tem! Porquê?

Nuno Castelo-Branco disse...

Aliás, se até hoje não surgiu por cá um "tio" desse tipo, tal se deve à ausência de um bom orador, pois seguidores não lhe faltariam. O PC que se cuide, pois se acontecer o mesmo que noutras paragens - em França, por exemplo -, pode contar com uma deserção em massa para os sieg heil. No fundo, continua a bandeira vermelha, não é?