7.10.12

Método na loucura


 


Maria João Avillez escreve hoje, domingo, um artigo genericamente de elementar bom senso, no Público, sobre o "estado da arte" doméstico. Sobretudo porque faz a ponte para a Europa, um "pormenor" que tem andado esquecido por cá - do poder à rua, dos "congressos alternativos" ao dinheiro que o dr. Soares imagina que se pode "fazer" como batatas fritas. Em compensação, o sr. Cameron, o primeiro-ministro que a Rainha transporta agora na sua misteriosa malinha de mão, sugere que a dita Europa deve ter dois orçamentos, um para os países da zona euro, outro para os restantes e ameaça vetar o próximo orçamento da União. O sr. Cameron, no lastro do que tem sido a relação da Inglaterra com o Continente, quer o Continente cada vez mais afastado da ilha e vice-versa. De facto, o Continente, da periferia ao seu centro, não se recomenda. Até a "solução" federalista pode já não chegar. Tudo porque a política desapareceu para que o "financês" viesse corrigir o que o "financês" destruiu. Deve haver algum método nesta loucura como em Hamlet que acabou, aliás, muito bem. Não estou porém a ver qual.

1 comentário:

josé sequeira disse...

Ainda na sequência do post das “alternativas”, que, como se esperava, não trouxeram nada de novo, uma vez umas coisas andam atrás das outras, sou capaz de – podendo estar a dar uma gigantesca calinada – pegar na média do que existe actualmente com a radicalidade do João Ferreira do Amaral, que, como é sabido, defende a saída do euro.
Saída, saída do euro seria uma brutal cura para os nossos males. Se a “gente” não consegue viver com a austeridade que já existe como é que poderíamos aceitar uma desvalorização da ordem dos 50%?
No entanto poderíamos manter o euro e (re)criar o escudo para pagar, por exemplo, os subsídios de Férias e Natal, convenientemente divididos por 12 meses. Como essa unidade monetária não teria aceitação fora do burgo, serviria para manter o mercado interno dos bens essenciais.
É evidente que, para trocar de carro ou pagar os empréstimos aos bancos, haveria necessidade de usar os euros, mas para o leite, o pão, as batatas, as tais coisas de que não podemos prescindir e que podem muito bem ser produzidas localmente, os novos escudos seriam suficientes, até porque as empresas, necessitando de pagar parte dos vencimentos nessa moeda, não teriam problemas na sua aceitação. Como a paridade escudo / euro ficava fixada apenas no início do processo, aceitava-se naturalmente uma desvalorização, neste caso apenas de parte dos nossos rendimentos. Sendo livre a troca interna de escudos em euros, e não havendo cotações oficiais, esses movimentos estariam dependentes de quem oferece e de quem procura.
No fundo é a vida a duas velocidades, sem se perder o que já tiraram aos Funcionários Públicos e Reformados, mais o que se pretende tirar a todos os outros, beneficiando a procura de bens e serviços nacionais, mas mantendo a possibilidade de, em euros, se poder continuar a honrar, como até agora, compromissos assumidos.
Admito a mais que possível bacorada no que sugeri.
O que parece certo é que não vamos lá, nem com a “renegociação” da dívida, nem com o caminho de cada vez mais impostos, sobretudo sobre a “pobre” classe média.