Parece inverosímil mas acompanhei as jornadas parlamentares do PSD e do CDS pelos jornais e pelas televisões. Pouco, mas acompanhei o suficiente para sublinhar duas ou três coisas. A começar, as jornadas deviam ter constituído uma oportunidade para a maioria "crescer" para o país. Para além do Governo, a maioria podia ter convidado pessoas afins da maioria e outras tantas críticas dela e do Governo, em especial da proposta de orçamento para 2013. Para falar aos deputados e aos membros do Governo em ambiente de reflexão, sem a superficialidade do comentário de jornal ou de televisão. Os partidos da maioria optaram todavia por um registo mais "intimista" em que os seus deputados escutaram, um a um, os ministros e, por fim, o primeiro-ministro. Soube depois que o chefe do Governo introduziu na "agenda" o termo "refundação" (do memorando de entendimento). Não é este o lugar para tecer quaisquer considerações sobre isto. Apenas - e regresso imediatamente às jornadas - repito o que já escrevi aqui quando defendi a realização de uma espécie de "estados gerais da maioria", algo que estas jornadas estiveram muito longe de ser: A realidade é sempre mais rica e complexa do que qualquer "modelo" mais ou menos académico. E a política serve precisamente para debater isso - para prosseguir a conversa, e não para a fechar, que é uma bela ideia dos filósofos pragmatistas norte-americanos. Se alguma coisa boa resultou dos ruídos, falados ou silenciosos, dos últimos dias é que esta maioria democrática não é apologista do pensamento único. Encontrar-se consigo mesma, encontrar-se com o país e encontrar-se com alguns daqueles que, das esquerdas e das direitas ou independentes sem partido, possuem pensamento próprio, só pode fazer bem à coligação e ao governo. A maioria, parafraseando Harold Bloom, precisa libertar-se do jargão.Ainda não foi desta.
2 comentários:
Caro, Passos e Comp. têm o mérito de não nos terem enganado.
Basta lembrar as propostas em devido tempo divulgadas para revisão da Constituição.
A malta é que não quis acreditar, na honestidade da proposta.
Para quê complicar os discursos laudatórios e explanadores de todas as justificações, com os resmungões, que são contra ao PREC de Direita em curso?
REFUNDANDO
Com todo o respeito, mexa-se Senhor Primeiro Ministro. Para refundar o memorando tem que nos refundar a nós. Retiro-lhe algum crédito residual que ainda exista se dentro de uma semana não apresentar um programa detalhado e calendarizado sobre todas as medidas que pensa tomar para esse efeito. Recordo-lhe num estalar de dedos o longo rol de refundidelas prometidas e esquecidas. Constituição, lei eleitoral, redução do número de deputados, agrupar autarquias, cortar gorduras penduradas no estado, eliminar fundações, institutos, entidades reguladoras, observatórios e outras inutilidades que por aí campeiam. Será que alguém que se move no sistema alguma vez será capaz de tal empreitada, que fatalmente vai colidir com os interesses das clientelas partidárias que infestam a coisa pública à mesa do orçamento? Faça o favor de ter a bondade de criar condições para não nos entregar a um PS que pelo Seguro transformaria o desastre em calamidade catastrófica.
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