«Durante a reunião anual do FMI, em Tokyo, a Srª Lagarde, Directora-Geral da instituição, e o seu economista chefe, Sr. Blanchard, a propósito dos processos de consolidação orçamental na zona Euro enunciaram uma orientação que ontem fez notícia na imprensa internacional e que, vindo de quem vem, esperemos que chegue aos ouvidos dos políticos europeus dos chamados países credores e de outras organizações internacionais. Trata-se de um ensinamento elementar da política de estabilização, que eu próprio várias vezes tenho referido, e que, em linguagem simples, se pode traduzir do seguinte modo: nas presentes circunstâncias, não é correcto exigir a um país sujeito a um processo de ajustamento orçamental que cumpra a todo o custo um objectivo de défice público fixado em termos nominais. Devem ser definidas políticas que garantam a sustentabilidade das finanças públicas a médio prazo e deixar funcionar os estabilizadores automáticos. Se o crescimento da economia se revelar menor do que o esperado, o défice nominal será maior do que o objectivo inicialmente fixado, porque a receita dos impostos é inferior ao previsto e as despesas de apoio ao desemprego superiores. Assim, Blanchard conclui que "nem por isso se deve impor a adopção de medidas orçamentais adicionais, o que tornaria a situação ainda pior".» O escrito que antecede é do Presidente da República, Prof. Aníbal Cavaco Silva, dois dias atrás numa rede social. Só modifiquei os termos que decorrem do português do acordo.

3 comentários:
No dia em que PS, PCP e BE se unirem e apresentarem as “outras soluções” que andam a esconder do país, das duas uma: ou as manifestações crescem, ou as manifestações mingam, ou as manifestações desaparecem. Iguais é que não ficam. Até dá a ideia que se recusam salvar a pátria ou que o objectivo é outro. Parecem entalados.
Tal como aos partidos da oposição e à oposição que está até dentro do próprio governo e, como já é habitual, dentro do próprio PSD, também é muito bonito ao caro bloguista apoiar quem apregoa menos austeridade, e fica muito bem ao ouvido mas... quem nos garante que, se esse caminho fosse seguido (o da "menos austeridade"), os tais estabilizadores automáticos que são referidos, não funcionariam para estabilizar automaticamente os juros da dívida, outra vez, para os valores altos e incomportáveis a que Portugal vinha inevitavelmente a ser sujeitado?
Mesmo que essa "menor austeridade" fosse aplicada em Portugal e noutros países igualmente em grandes dificuldades com o apoio da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, quem nos garante que os juros pedidos a Portugal não voltariam (mesmo assim) a estabilizar mas em valores bem mais altos do que os valores a que estão neste preciso momento?
Será preciso relembrar que, só em 2013, Portugal vai ter de pagar 8000 milhões de euros só relativos a juros?
Dizer o que as pessoas querem ouvir em vez de dizer o que as pessoas deviam ouvir sempre tem saído muito caro ao país! Foram discursos eleitoralistas e demagogos que nos trouxeram onde estamos.
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(Do Dicionário Priberam e Porto Editora
demagogo:
s. m.
que excita as paixões do povo, mostrando-se defensor dos seus interesses, mas tendo em vista a prossecução dos seus próprios pontos de vista.)
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E, já agora, é uma desilusão que carrego mas citar o Presidente da República é um exercício fútil, não aumenta credibilidade a nada nem a ninguém. (Já houve tempos em que também eu defendia com "unhas e dentes" a pessoa que ocupa actualmente tal cargo mas deixei de o fazer quando há vários anos se tornou chocantemente evidente que apenas está interessado em si mesmo, como tantos outros que por aí andam!)
Muito bem, Humberto. O problema é que as pessoas já nem ouvem, só falam. E quase todos têm a solução milagrosa oculta.
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