
Um tipo, com a melhor das intenções, vagueia estupidamente por Monsanto até encontrar o canil municipal de Lisboa. Só para isto, é preciso um curso de estradística. Uma vez lá chegado, e sempre com a melhor das intenções, avista-se uma portaria onde um amável funcionário municipal recolhe os dados do BI. Digo, com a melhor das intenções, que apenas quero ver os cães para adopção. Manda-me esperar, como num centro de saúde ao ar livre, pela "colega" que me há-de conduzir aos ditos cujos. Com a melhor das intenções, fui esperando e aproveitar para contemplar o que me rodeava. Um prédio térreo em construção (parada), ao fundo o ladrar dos cães, um portão que se abre para entrar uma carrinha da CML, em suma, uma desolação. A senhora aparentemente só chegou meia hora depois quando já me tinha metido no carro. E parece que nem sequer era a "minha" senhora - era a senhora das vacinas que arrastava uma cadelinha renitente para o efeito. Pobres cães.
4 comentários:
Sinceros desejos da melhor das sortes no processo de adopção e de inúmeras felicidades com o canideo felizardo.
Aproveite isso bem!
http://louzanimales.blogspot.pt/
Uma desolação. E não só nesse. Pude há tempo conhecer - apenas superficialmente, entenda -, o de Almada, e o panorama não era melhor do que aquele que descreve. Não há tradição de cuidar do bem-estar animal, entre nós.
Falando apenas dos animais mais usualmente tidos como "de companhia", aos gatos ensinam-se as criancinhas, em bem tenra idade, a atirar o pau (com alguma decepção, porque o gato não morre, e incómodo, porque berra...); aos cães, é vaguear pelo país e vê-los uma vida inteira presos a uma corrente, tendo meio bidão - ou pior - como "abrigo" - expostos ao vento, frio e chuva. Embrutecidos, sujos, sujeitos a cativeiro abjecto. Consta que "a guardar".
Faz desgraçadamente sentido, sendo este um povo também embrutecido. E agora mais ainda, que desce à miséria, terreno fértil para os que apregoam que havendo gente com fome ou frio a preocupação com os animais é ócio de ricos.
Por entre os mais novos, essa geração perdida, de boné de basebol com a pála para trás, carro "tuning" e "subwoofer" a berrar para toda a rua, que rejeita militantemente a cultura ou sequer a instrução e dificilmente consegue emitir palavras mais complexas do que monossílabos, o animal de companhia é em regra o cão de raças que a "humanidade" apurou de forma mais e mais perigosa e que é treinado para ainda mais o ser, pervertendo o próprio animal. E ainda não batemos no fundo.
Costa
Permita-me que acrescente.... e os penteados e as tatuagens idiotas !....
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