
A sicn providenciou, aos espectadores com paciência para o efeito, uma entrevista com Jorge Sampaio. Sampaio veio integrar a vasta brigada de responsáveis pelo regime nas últimas décadas que anda a sais de frutos por causa da "situação". Independentemente da pertinência de algum do argumentário, a "situação" não nasceu de geração espontânea ou ontem à noite. Houve um "processo" - que começou no famoso "processo revolucionário em curso" de 74 e 75 - no qual praticamente toda a brigada esteve envolvida em momentos diversos. Mota Amaral, por exemplo, está sentado no parlamento desde 1969 e foi o único "sobrevivente" da ala liberal a aceitar lugar na lista da ANP, em 1973, quando Sá Carneiro, Balsemão e outros já tinham percebido que não valia a pena. Do PC ao PSD, do CDS aos "independentes", dos bloquistas ex-tudo aos lugares mais altos ou baixos do Estado, salvo os que entretanto morreram, chegámos aqui com todos. O regime resume-os a todos e todos resumem o regime. Nesse sentido, revelam-se mais "profissionais" do que a generalidade dos incumbentes que recusa a preeminência da política sobre outras ciências sociais com os resultados pouco auspiciosos que se anunciam. Não estou a manifestar nada que não proteste, incansavelmente, de segunda a sexta-feira junto de quem de direito. Por isso me custa um bocado ver Sampaio - que deu corpo político à execução liminar de uma maioria parlamentar em dois tempos, empossando um 1º ministro que não foi a votos e, depois, correndo com ele em momento mais adequado à sua "família" partidária - como mais um extraordinário "pensador" da "situação". Vasco Pulido Valente, após ter lido 1,6 kg da biografia de Jorge Sampaio, define-o. E, com ele, define a verdadeira situação. «José Pedro Castanheira, com uma paciência sobre-humana, descreve os milhares de vezes que se reuniram, em casa deste ou daquele, para discutir a intriga do dia ou futilidades sem nome e sem propósito. Eram uma igreja. Ambiciosa, ainda por cima. Mas como Sampaio, num excepcional momento de franqueza explicou, 30 amigos certos valem bem três mil militantes na rua. E, nesse ponto, acertou: não mais que 30 amigos conseguiram que ele finalmente chegasse a Belém, onde a vacuidade final do grupo se manifestou em todo o seu esplendor.»
8 comentários:
Oh! Sampaio! Passa o cheque, pá! E acabaram-se os problemas! Tudo o resto é SÓ PALEIO E PALEIO para "épater le bourgeois" e dar satisfação a esta canalha inculta, ignorante, bruta e que ainda não percebeu que o problema não são os que lá estão mas os que lá estiveram! O ESTADO SOCIAL ACABOU! RIP! Convençam-se disso. Ou estão à espera da Pimenta das ìndias ou do Ouro do Brasil? Podem esperar sentados que ninguém nos acode. A solução é TRABALHAR, TRABALHAR MAIS E MAIS E MELHOR! NÃO HÁ ALTERNATIVA! Porque ainda não vi estas "luminárias" - jornalistas, sindicalistas, comentadores políticos e membros dos Partidos Políticos - apresentarem ALTERNATIVAS VIÁVEIS E EFICAZES. NADA DE NADA! Só demagogia pura e simples. Parece que estamos a discutir futebol e os jogos da selecção e da primeira liga. É PORTUGAL QUE ESTÁ EM CAUSA! Que "apagada e vil tristeza"!
Compaio , mais um dos ingrediente requentados que entrou na confecção deste intragável sarrabulho. A SIC transformada em programa culinário com desperdícios de marmita amolgada.
Plenamente de acordo. VPV no seu melhor.
Cansado das lengalengas vazias e consensuais.
Um dia, em Coimbra, tocavam-se peças do período de 62 e 69 ( José Afonso, e A Correia de Oliveira ) , especialmente a propośito da sua presença. Pois o Excelentíssimo não só interrompeu a apresentação, como o fez para se ir embora, a meio. Esta esquerda, cheia destes simbolismos paradigmáticos e sintomáticos, e cheia de silêncios tácticos e enfatuados!.......
A inocente e cândida criatura só pretenderá, talvez, derrubar mais uma vez uma maioria legítima da "tenebrosa direita". Lembro que quem protestasse contra a sua clarividente e democrática atitude de antanho, caso fosse mulher, era imediatamente chamada "Santanette". Depois...vieram as "Socratettes", sem dúvida com enorme vantagem... These people REALLY give me the creeps!
E nós na mão desta tralha republicana, que se perpetua sem que os portugueses se possam pronunciar. Quando Cavaco sair, vamos ter os seguintes pretendentes à chefia do Estado: Guterres, Marcelo, Barroso, Mendes, ou Sócrates. Quem é que quer ir votar nisto??? Por uma questão de higiene política, de uma vez por todas os portugueses devem poder escolher em referendo qual a forma de regime que pretendem. Prefiro mil vezes uma Monarquia Constitucional do que uma república de burgueses ignorantes, em que o presidente lidera um governo sombra pago pelos contribuintes, e mesmo depois de sair os portugueses continuam a financiá-lo e à sua "côrte". Isto não tem nada a ver com Democracia. É apenas mais um falta de vergonha.
Este iluminado do regime merdoso que temos, ainda continua a facturar na Fundação Cidade de Guimarães uns trocos. Tudo boa gente que apenas pretende perpetuar-se na cantina do estado. Para estes paladinos só existe uma solução... metê-los na sanita e puxar o autoclismo rapidamente . Políticos de trampa, só mesmo na trampa.
A "situação" de Sampaio é esta: cala-se durante o incêndio e critica durante o rescaldo. Não fosse ele quem nos trouxe o incendiário que duplicou a dívida, até passava despercebido. Agora desmerdem-se.
Escrito excelente. VPV no seu melhor. Parabéns duplos, pelo que escreveu e pelo magnífico excerto do artigo que transcreveu.
Maria
Enviar um comentário