3.6.12

Leituras de domingo



À semelhança do que fiz no domingo passado, comprei desta vez apenas dois jornais porque preferi a revista LER (com uma entrevista a Harold Bloom) a um terceiro. O dinheiro não dá para tudo. Da mesma forma, do que mais gostei foi da capa do suplemento de um deles que reproduzo. Lá dentro vem um longo e interessante trabalho de Teresa de Sousa sobre Pedro Passos Coelho a dois dias de comemorar a sua vitória nas legislativas de 5 de Junho de 2011. O artigo termina com uma ponderação avisada e um equívoco. Começo por este. Dizem dois dos ouvidos pela jornalista que o sucesso do primeiro-ministro "está na forma como a elite reagir". Ora o regime não produziu nenhuma "elite". O que passa por tal é um misto de endogamia regimental que junta os intervenientes mais improváveis. A "mesmice" tagarela não é sinónimo de elite mas, num país pobre e periférico, é fácil tomar o primeiro burgesso ou o derradeiro vendilhão de "ideias" por elite. A ponderação avisada do artigo, a final, está na afirmação que se Passos Coelho resistir a "isto", ou seja, à imensa falácia que são as "elites" domésticas e ao seu endémico oportunismo, então "resiste a tudo". Acredito que vai resistir.

2 comentários:

fado alexandrino disse...

Não é para publicar mas penso que ficava melhor "afinal" do que "a final".
Claro que vai resistir, não há alternativca nenhuma.

Isabel Metello disse...

Claro que vai, pois contrariamente a muitos políticos, não é um menino, já sofreu e bem, e esteve em África!
E, claro, muita gente já não está cega, embora haja tantos a arreganhar os dentes para nos conduzir à hecatombe em proveito próprio!
Por falar nisso, passei, no outro dia, no Rato (realmente, como li numa crónica muito engraçada do Vítor Bandarra no CM http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/vitor-bandarra/no-pais-do-nao-senso- sobre a nominalização de alguns spots em Lisboa, referida num artigo do El País. Refere VB: a Avenida da Liberdade vai dar a uma penitenciária, mas antes disso, digo eu, temos de passar por uma estátua de um déspota taurino (ainda que com uma inteligência pragmática que não só o fez "enterrar os mortos e salvar os vivos", depois do terramoto de 1755, como torturar, partindo-lhes os ossinhos todos na roda, e enterrar vivos os Távoras, e por um jardim onde um escultor revela bem qual a obsessão de certas elite portuguesas; há um Tribunal nominalizado de Boa-Hora, e um cemitério dos Prazeres. E no Largo do Rato, à frente daquele monumento onde ainda se encontram vestígios de balas das confusões da I República? Está lá a sede cor-de-rosa do PS com a fotografia enormérrima de todos os notáveis do partido (de facto, a autocentração sacralizada passa por ali...:)...perto dali há uma ruazinha com um restaurante indiano muito bom que se chama Rua do Sol ao Rato e mesmo em frente há a Rua da Escola Politécnica que vai dar ao Príncipe Real...
Este país chega a ter a sua piada! Os Monty Python haviam de o adorar, para se inspirarem para mais rábulas :) http://www.youtube.com/watch?v=T2PdyxMtiYM