
«A origem da presente crise do Ocidente emerge da sua desindustrialização e da dependência energética, com custos crescentes. Foi isso que afundou as economias e foi esse afundamento que motivou os endividamentos já referidos, destinados a evitar uma quebra acentuada do padrão de vida ocidental. Entre nós, sentem-se também os efeitos da incompetência e da irresponsabilidade governativa vigente nos últimos anos. A fragilidade económica ocidental gerou os endividamentos e foram estes que originaram o subprime americano, tanto quanto a chamada crise das dívidas soberanas na Europa. A crise da zona euro surge na sequência desses factos. Sem se enfrentar esta realidade mais ampla, os esforços em curso na Europa do euro, mesmo que bem sucedidos, não evitarão a progressiva decadência do Ocidente. Neste emaranhado de circunstâncias, de que ainda não se fala em Portugal, as árvores são a austeridade, a falta de crescimento e o desemprego. Estão na orla da floresta e por isso são visíveis por todos. Mas a reviravolta do mundo, que é tudo o resto que a liberalização económica provocou, ultrapassa a Europa e o euro, e constitui a verdadeira floresta em que avançamos, desorientados. (...) Já mencionei há pouco as causas situadas fora da Europa. Pela sua importância decisiva, volto a sublinhar que são, primeiro, a instalação das indústrias transformadoras nos países de mão-de--obra muito barata, em geral no Oriente; segundo, os custos crescentes do petróleo. Por isso ficaram connosco: o desemprego industrial, que não diminui; os empregos mal pagos nos serviços pouco qualificados; a obrigatoriedade de importar o que antes produzíamos e agora já não produzimos, provocando desequilíbrios, que não existiam, nas nossas balanças comerciais; a cada vez mais pesada factura do petróleo. São estas as causas essenciais do afundamento das nossas economias. Iludimos esta realidade com os “endividamentos” destinados a manter um nível de bem-estar que já não estava, nem está, ao alcance do que produzimos. As sociedades desta parte do mundo estão a ser enganadas, todos os dias, por um número excessivo de irresponsáveis. Se põem dinheiro a circular sem se instalar uma rigorosa disciplina financeira na Europa, num prazo muito curto corre-se o risco de voltarmos ao ponto de partida.»
Foto:Expresso
8 comentários:
SILÊNCIO TOTAL E ENSURDECEDOR!
"Quosque tandem, Catilina, abutere patientia nostra"? Que mais se poderá dizer?
Sim, desintrualizamos , não temos fontes energéticas ao nível , mandámos a produção para a China e afins.
Mas não estavam todos contentes com os "lucros" das empresas, a alta rentabilidade, a diminuição do custos de mão-de-obra, e etc. que as empresas davam?
E os doutos economistas, rezingosos ou não, avisaram-nos em tempo, ou ficaram estrategicamente calados, com medo de serem confundidos com Sindicalistas, taxistas ou não, comunistas ou simplesmente com socialistas, mesmo que estes tenham metido o socialismo na gaveta?
Onde estava o rigor económico desta gente, pública ou privada, que só sabem ter inteligência em aumentar os dividendos recebidos por alguns, especialmente à custa do esforço do Trabalho, considerado um custo?
Por razões várias sempre aprendi a desconfiar (ou melhor, a abominar) autodidactas.
E este Carreira é um deles, apesar de bem pago. Um pateta do óbvio: é isso o autodidacta (nem sempre, mas esta coisa é paradigma).
Ora, desindustrializados (aqui até um autodidacta lá chega) estamos. E ficaríamos, além disso, sujeitos a uma severa disciplina financeira, orçamental. Sem dinheiro a circular e tudo isso. Boa, e em seguida? O autodidactismo é mesmo uma praga de merda.
Essa do pateta foi escrita em frente do espelho, só pode.
Os raciocínios indutivos são, geralmente, injustos (embora eu tenha de assumir que acalente alguns, nomeadamente, sobre a matriz sociocultural secular deste povo, mas como tantos autores consagrados dizem o mesmo por palavrase estudos muito mais profundos...:). Ora, os Grandes Pensadores sempre foram autodidactas- olhe- Leonardo da Vinci, cujos Conhecimentos ultrapassavam em muito os da mundanidade autocentrada...Considero o Professor Medina Carreira um Senhor que sempre se pautou por uma Sabedoria e congruência extraordinária, contrariamente a outros autodidactas que nunca passaram dos raciocínios até quase reveladores de um atraso encefálico: lembremo-nos da famosa "palestra" de Sócrates en Poitiers sobre o pagamento da dívida externa (se o Professor Oliveira Salazar ouviu aquilo deu mais uma volta na tumba e com razão! Não sou salazarista, mas o seu a seu dono- prefiro um regime autoritário declarado, mas onde a Honra era uma Matriz- morreu pobre, está enterrado em campa rasa e nunca tirou um tostão ao Banco de Portugal, era eco-friendly (reciclava os fatos e as botas :) e até comia as galinhas criadas no quintal- não ia a restaurantes de lucxo encher o papo, assim como as únicas férias que tirou foi no Forte de S. Julião da Barra, pagas integralmente por ele (isso é sentido de Estado, seja o que for que dele pensemos:) e nunca ergueu à custa de alguma empresa, como a EMEL, uma estátua a si próprio na sua praceta, como nunca mandou pendurar numa praça como troféu a caeça de um PM assassinado num atentado nunca esclarecido, o que numa democracia tem o seu je ne sais quoi...Claro que acirrou uma matriz secular falsa beata e hipócrita, continuada e até reforçada no pós 25/74 pelos seus detractores (Saramago operou tantos saneamentos no Diário de Notícias...:) continuarei mais tarde, se possível...obrigada
Há grandes méritos nos patetas: abominam outros patetas (como o tal Tiago Lima, anónimo, pois o link não funciona); abominam merdas abrasileiradas como "só pode" (que se deve escrever antes assim "só podje". E abominam autodidactas. Lamento que se elogie este grande "economista" e cientista de nada de nome Medina Carreira, mas lá que o energúmeno cuida da "carreira" lá isso cuida. E faz gráficos e tudo. Brinquedos. Como diria o outro (um génio literário), e até cheira mal da boca.
Leonardo foi discípulo e aluno de Verrocchio (ao lado de Botticelli). Começou como pintor num célebre anjo que o seu mestre vigiou e aprovou. Carreira foi discípulo em economia de Carreira (carreira televisiva, entenda-se).
Tá bem, ó melga! Quem não te conheça que te compre...
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