16.6.12

Um desconsolo

Estava a folhear a revista do Expresso dedicada aos anos oitenta e princípio dos anos noventa. O país vagueava então entre Soares e Cavaco, entre Cavaco e Soares. Eanes despediu-se no primeiro trimestre de 1986. Cavaco teve duas maiorias absolutas, a segunda maior que a primeira. Soares foi eleito à tangente da primeira vez e como monarca praticamente absoluto da segunda, com uma votação albanesa. As campanhas destes dois homens foram as últimas com graça: Soares em 85 e 86, Cavaco em 87 e 91. O país mudou, com um atraso de décadas, graças a Cavaco e à Europa. Julgo que o actual Presidente não esperava, muitos anos depois, ver a "sua" Europa neste estado e o país obrigado a cumprir um programa de ajustamento macroeconómico vindo justamente da Europa e do FMI. Um desconsolo, a dias do Verão.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Devia ter tido mais atenção à atribuição de fundos. Devia ter vigiado a proliferação de "cursos de formação" que apenas serviam para o recheio da bolsa de certa gente. Devia ter sido mais moderado quanto ao auto-estradismo betoneiro que hoje pagamos e que Sócrates tão bem aproveitou. Devia ter zelado mais pelos sectores tradicionais de produção - não, a agricultura não é coisa de terceiro mundo e os espanhóis disso se aperceberam -, desde as pescas aos têxteis, vidros, etc. Devia ter protegido a construção naval e incentivado a modernização de uma marinha mercante que hoje não existe. Para ACS, "Europa" significava "serviços", uma Bolsa activa, yuppies hoje quase cadastrados e pouco mais. Teve a Europa que quis e prodigamente criada em torno de Blairs e outros "terceiras-vias" bem conhecidos. Por muitas e boas razões, M. Tatcher considerava-o como "strange person". Pois era.
Estava à espera de um milagre? Isso só acontece em Fátima.