19.6.12

Na morte do último faraó


 


As últimas imagens de Mubarak, no seu "julgamento", eram as de um homem que já não tinha nada a perder. Exibiram-no numa jaula enquanto fora do tribunal a multidão ululante não se satisfazia com a perpétua. Pois Mubarak acabou de entrar na única perpétua que calha a todos e por causas naturais. A mesma multidão acéfala anda agora ocupada em berrar contra os militares que, ironicamente, tomaram conta do poder constitucional contra todas as "previsôes" das "inteligências" ocidentais. Lembram-se da "primavera" e dos amanhãs que iam cantarolar no Egipto, especialmente a partir da "mítica" praça Tahir que se converteu numa espécie de santuário da parvoeira ocidental que vê brotar democracias inverosímeis em países inverosímeis para a democracia? A mania que se pode exportar a dita cuja para todo o lado (os EUA fomentam democracias e ditaduras à vez) releva da mais reles ignorância. Aquela que, aos poucos, vai dando precisamente sepultura a uma certa ideia de "ocidente" à custa da tolice multiculturalista.

2 comentários:

Marão disse...

Ignorância, ou fome negra, impostura e cobardia? "Que grande sede que eu tenho, que grande sede que eu tinha".

Nuno Castelo-Branco disse...

Numa Europa cobarde, além de profunda e estupidamente ingrata - nem valerá a pena tecermos considerações acerca dos cada vez mais ignominiosos EUA -, pouco importará o esgrimir de conveniências políticas, geralmente o mais incorrectas que possamos imaginar.

Morreu um grande amigo do Ocidente. O falecimento ocorre em boa hora, pois apesar das agruras da prisão, Hosni Mubarak partiu de forma aparentemente natural. Um contratempo para a imunda e barbada chusma de trogloditas que pretendia dar-lhe o mesmo fim reservado aos genocidas Saddam Hussein e Kadhafy.