25.6.12

De última em última hipótese

«Les dirigeants européens ont, eux, vraiment, une ultime chance de décider de leurs destins. Ultime chance parce que, s’ils ne font rien, la survie de l’euro dépendra, une fois de plus, l’été prochain, d’une intervention massive des banques centrales. Et chacun de nos pays sera bientôt emporté dans une immense dépression, bouchon flottant dans l’océan des marchés. Ultime chance parce qu’il leur est encore possible de comprendre que séparés, ils courent au déclin ; et qu’ensemble, ils constitueront encore pendant très longtemps la première puissance du monde, avec le niveau de vie le plus élevé de la planète. Chacun doit, pour cela, faire un pas vers l’autre.» 


 


Jacques Atalli


 


 


Parece, de há umas cimeiras europeias para cá, que a última é sempre a decisiva. Alguma, um dia, terá de ser e era bom que a do final desta semana não correspondesse a mais um emplastro paralisante. As margens de manobra são cada vez mais estreitas. Michel Meyer, filósofo belga, definia a retórica como uma negociação das distâncias. A Europa chegou ao ponto de não ter mais espaço para negociar as distâncias, ou seja, para "retorizar" em torno da realidade à medida em que é persistentemente ultrapassada por ela. Os trabalhadores por conta de outros - no activo ou aposentados, do Atlântico quase aos Urais, do Estado à mítica "privada" - estão a fazer o que lhes é exigido mas pouco mais já lhes deve ou pode ser exigido. À política, pelo contrário, tudo tem de ser exigido. Ou então esta nobre criação do espírito humano, e da vida colectiva, nem para lavar escadas, um dia, servirá.

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