
As votações para a escolha do novo parlamento europeu começaram hoje (na Holanda e no Reino Unido) e acabam no domingo. Em plena campanha, a senhora Merkel, a verdadeira "união europeia" em pessoa, fez saber que já estava a "trabalhar" a próxima Comissão independentemente dos resultados destas eleições todas juntas. Por outro lado, Sarkozy saiu do jazigo provisório em que estava enfiado para defender a blindagem política da "Europa" em torno do eixo franco-alemão e a desigualdade institucional entre os Estados Membros, porventura para tentar travar, pela direita, a anunciada vitória do partido de Marine Le Pen. Apesar de o gigantesco pastelão constituído pelo PS Europeu e pelo PP Europeu assegurar uma vastíssima maioria em Bruxelas e Estrasburgo, tudo indica que os chamados "eurocépticos" crescerão significativamente. Tal como tudo indica que a "Europa" não aprenderá nada com isso. Os sucessos previsíveis desta gente na Holanda, na Inglaterra, em França e do sr. Tsipras na Grécia - o simétrico destes pela esquerda radical grega e um dos mais recentes "amigos" do dr. Soares que entretanto "amuou" com o PS, e vice-versa, talvez por causa disto - são muito mais interessantes para o que se vai passar em Portugal do que o resultado propriamente dito do domingo doméstico. A tão provincianamente celebrada "saída limpa" pode começar a "sujar-se" já na próxima semana se os famigerados "mercados" (que já estão a dar sinais disso) reagirem mal aos resultados naqueles países. E, famosamente, ao resultado grego onde devem andar pelo terceiro ou quarto "programa de ajustamento". De resto, a abstenção anuncia-se merecidamente bíblica porque, por todo o lado, os respectivos "sistemas" e regimes fizeram o possível por "consensualizar" uma campanha imbecil, sem substância, inculta e apolítica a que os "povos" foram alheios. A nossa, na sua rudimentar periferia alimentada a "casinhos" e a dichotes estúpidos, basta como exemplo. Não chegava a bovinidade geral, a alienação pela bola ou a pura indiferença. Os concorrentes, em geral muito medíocres mesmo sob formas de vida inteligente, limitaram-se a acrescentar mais pasto ao pasto. Votarei, todavia. Em homenagem a Medeiros Ferreira que já não foi a tempo de nos ajudar a livrar desta mesmice alucinada e nula com a sua inteligência luminosa e irónica. As pobres tricoteuses das campanhas não devem ter tido tempo para ler o seu último livro. Mas podem começar na segunda-feira. Está lá quase tudo do que aí vem e que não conseguem entender.
2 comentários:
Poi eu vou votar na abstenção em homenagem a todos os enganados pela dupla Paulo Coelho/Pedro Portas. E continuarei por muitos anos até me passar o trauma.
Pois eu vou votar em homenagem a Vasco Graça Moura. Por pior que seja quem está ao leme, a esquerda não deixa de ser, para mim, sinistra. E sobretudo, o execrável Sócrates nunca mais! Quem o acompanha não pode ser melhor do que péssimo.
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