2.5.14

DEO ex machina


 


O senhor vice PM não apareceu quando se informou o país do "mais pequeno aumento possível" de impostos e da TSU. O dr. Lima, campeão por parte do CDS da descida virtual de impostos, acha que é tudo, afinal, "equilibrado", "marginal" e "decimal" nas proposições do DEO*. Todavia, como se trata da última avaliação do programa de ajustamento - Portugal "passou" em todas e custou a "fechar" uma, há precisamente um ano, por causa do dr. Portas - , o senhor vice PM não resistiu a surgir "aliado" à vulgaridade do momento com aquela gravitas farsista que é, afinal, o seu único imperativo ético. A fase governativa que começou a ser preparada entre Abril e Julho de 2013, e que está em curso, configura uma falácia política destinada exclusivamente a concorrer a eleições. Comprovam-no as declarações dos principais protagonistas da coligação e da maioria que, quais aprendizes superficiais de Séneca, optaram por uma deriva discursiva de "sempre querer e não querer o mesmo" sem o menor pudor ou, até, respeito pelo programa original do governo, de Julho de 2011. Por este caminho de pedras, o governo ameaça a coesão nacional e social quando sugere, através de termos capciosos como "contribuição de sustentabilidade", em vez de "solidariedade", que "andam uns a trabalhar e a descontar para outros". O que, num país com um lastro histórico de inveja, de ressentimento e de imbecilidade, também acaba por fazer o seu "caminho". Quando já quase tudo se reduz à banalidade do "dividir" para "reinar", sob o enorme embuste da inconsequente e nula "reforma do Estado", é porque algo se quebrou sem regresso. E sem perdão.


 


*O "aumento marginal" ou "decimal" do IVA, segundo os principais corifeus da maioria, não se destina à consolidação orçamental mas a fazer "o bem" e a caridade piedosa, "solidária e sustentável". Mesmo os que não são de direito, deviam saber que, em relação aos impostos, vigora o princípio da não consignação das receitas fiscais. Ou seja, afirmar-se que o aumento da taxa nomal do IVA serve concretamente para isto ou para aquilo, é uma treta.

1 comentário:

npcmarques disse...

Nesta concordo consigo em T-O-D-A a linha! Imperdoável mesmo porque este era o ponto mais importante onde deviam fazer diferente face aos antecessores! Não era o único, mas era o mais importante. Com ou sem TC. No entanto, não adianta querer separar a classe política do resto da sociedade: os políticos somos nós. Faz tempo que se tornou banal escutar a queixa - legítima é certo, mas inconsequente - de que o país não merece os governantes que tem tido (e terá num futuro próximo, acrescento eu). Mas isso não colhe porque gerações inteiras andaram a orientar a vidinha, individual ou corporativamente, para acordar agora no pesadelo. Estes, posto a saída (temporária) da troika, deviam ser pressurosos a entregar as rédeas da coisa pública. Os outros, tão ou ainda melhores profissionais da desfaçatez, deviam ser persistentes no estudo e trabalho de preparação. No entanto, quero crer que o principal problema seja esse mesmo: trabalho! Tem poucos fãs como se sabe. O esforço para o recobro do país tem assim que incluir a todos, fiscal ou politicamente falando. Votar de quatro em quatro anos apenas possibilita a alternância das moscas.