4.5.14

Um "evento"


 


Passos Coelho anuncia hoje a sua "expo 98", ou o "1640" do dr. Portas, consoante as preferências intelectuais de cada um. Não se trata nem de um ponto de chegado nem de um ponto de partida. Apenas à "Europa", mergulhada em eleições e empenhada no "reforço" da sua imparável inércia institucional e política, aborrece pensar, por um segundo sequer, nos problemas da periferia. Assim como assim, Portugal sai de um programa de ajustamento para se enfiar no tratado orçamental que é a forma "limpa" de poder prosseguir a austeridade sem a qual a dita "Europa" nos abandonaria sem dó ou piedade. Basta aguardar pelos relatórios da derradeira avaliação da troika - o comunicado final já deu um "cheirinho" à coisa -, daqui a umas semanas, para se perceber. De resto, o "segredo" que o primeiro-ministro vai revelar não requer dotes taumatúrgicos especiais até porque já foi amplamente revelado e, sobretudo, sentido. Na sua essência, reside nisto:«De 2011 a 2013, o imposto sobre o rendimento das pessoas singulares deu ao Estado 31.224 milhões de euros de receita (mais de um terço conseguidos em 2013, o ano do “enorme aumento de impostos” protagonizado por Vítor Gaspar, então ministro das Finanças). As mudanças começaram ainda antes da chegada da troika, mas foi durante o resgate – sobretudo no ano passado – que mais se fez sentir este choque fiscal. As diferenças de rendimento são abissais quando se comparam os impostos pagos em 2010 (o ano anterior às primeiras grandes alterações no IRS) e em 2014 (o segundo ano em que a carga fiscal se mantém num nível histórico).Simulações feitas pela consultora PwC para o PÚBLICO mostram que as alterações no IRS penalizam todos os rendimentos. E que são as famílias com menos recursos quem mais sente o agravamento.» Um "evento" sem dúvida.

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