
Sem que se tenha dado por isso, começou este fim de semana a campanha para as "europeias" de 25 de Maio. Aconteça o que acontecer por essa Europa fora, ela já está "amarrada" à "Europa" do tratado orçamental. Vença o Partido Socialista europeu ou vença o Partido Popular europeu, o "destino" da coisa não sofrerá grandes oscilações. É bem mais excitante o que se vai passar na Ucrânia, à conta desse genial criador de eventos e de impérios que é o sr. Putin, do que esperar por "novidades" da sra. Merkel e dos seus pobres epígonos. Resta a frente doméstica. Sem um partido como o de Marine Le Pen, em França, ou o de Nigel Farage em Inglaterra - que a nossa "cultura do compromisso" pudesse diabolizar para se unir e onde os cidadãos pudessem lavar o fígado contra um regime exangue que fez tábua rasa da social-democracia -, o 25 de Maio apenas interessa enquanto "medida" da irritação ou do "amor" do "povo" para com o poder. O governo faz-se representar pelo ex-independente de espírito Paulo Rangel e pelo senhorito "popular" Nuno Melo que está para Diogo Feio como um moço de forcados para um cavaleiro tauromáquico. O PS avança com Assis, em nome da "unidade", e tem o secretário-geral como inevitável cabeça de lista "sombra" por causa do voto "útil" contra a "situação" e, sobretudo, por causa dele. Fora o PC, a prolixidade de agremiações que decidiram concorrer às esquerdas é reveladora do folclorismo de protesto inconsequente que ajuda, afinal, a manter o regime no seu formato original. Num ambiente político de tamanha falta de imaginação, é natural que o país (que também não se distingue especialmente pelo "rasgo") ignore, em geral, o exercício e acabe por se abster significativamente. Vistas bem as coisas, temos sempre o que merecemos.
Foto: Le Monde (AFP Lionel Bonaventure)
1 comentário:
olhe que Marinho e Pinto interpreta bem, cá em casa, o personagem e o campo político que lá fora atribui a Le Pen e Farage.
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