9.5.14

Demasiado pequenino

Naquele quente, porventura o mais quente, fim de semana da Julho de 2013 em que o governo mudou de "natureza" no Hotel Tivoli - em virtude das demissões (uma real, a de Gaspar, e outra pantomimeira, de Portas) dos ministros de Estado do dr. Passos -, percebi que se preparava uma dolorosa ficção política, avalizada por um Doutor Cavaco timorato e desistente, que garantisse a prevalência das abstracções "ideológicas" que justificavam a teimosia austeritária sobre as pessoas e a produção, a pouca que existe. Ontem, na Ajuda, o governo engendrado naquela altura fez a sua catarse sob a forma de farsa vicentina (sem ofensa para o nosso genial dramaturgo) misturada com uma epopeia de meia-tijela à qual nem sequer faltou o kitsch de um Passos/Gama montado numa barcarola a brincar. A "reforma" do dr. Portas, um chorrilho comicieiro de propaganda eleitoral sem a menos substância ou estudo, foi o "guião" a que ele se agarrou como gato a bofe para se "justificar" (e o "justificarem") no segundo governo do dr. Passos Coelho. As palavras, na boca e nos papéis do senhor vice PM, valem consabidamente o que valem. Todavia, é um "estilo" que contamina. Em poucas horas, o governo "esclareceu" que, afinal, não há mais pontos de partida porque, na verdade, a Ajuda (ou o "17 de Maio") foi um ponto de chegada a partir do qual só se pode continuar a fazer mais do mesmo porque não se sabe fazer, ou dizer, mais nada. O lastro austeritário é para continuar, não obstante a "libertação" mentirosa, e o ódio ao Tribunal Constitucional (e, por consequência, ao Estado de direito na forma que o regime entendeu dar-lhe) e a ameaça sobre o mundo do trabalho, também. É tudo demasiado pequenino para tanta empáfia e "gravidez" palonça de Estado. Mas é o que há.

1 comentário:

Jorge Diniz disse...