
Uma entrevista inteligente de Miguel Sousa Tavares na qual, felizmente, não se fala de literatice. Uma bela homenagem aos Pais, em especial a Francisco Sousa Tavares que conheci, com 18 anos, nos "reformadores" e que me tinha habituado a seguir nos editoriais de A Capital. Foi ele o "autor material" do "manifesto de apoio aos candidatos reformadores e independentes" nas listas da AD de 1979 (de que guardo uma cópia do "original" escrito à máquina). Gente que já não se fabrica mais.
«Porque decidiu organizar em livro os textos políticos de Francisco Sousa Tavares?
Primeiro, fui convidado a fazer isto pelo editor. Pensei que gostava muito de fazer um tributo póstumo ao meu pai mas depois sobretudo porque, ao ler os textos, percebi como estavam actuais, o que chega a ser perturbante. Os problemas não se resolveram em 30 e tal anos. Depois, porque o meu pai foi uma testemunha privilegiada dos acontecimentos a seguir ao 25 de Abril, e acho que temos de deixar às gerações seguintes algum testemunho - não apenas dívidas para pagar.
Que escreveria de novo Francisco Sousa Tavares sobre o país de hoje?
Não sei prever, mas uma coisa sei de certeza. Ele arrasaria este Presidente da República. Provavelmente estaria contra o governo, mas não pelas mesmas razões que o Partido Socialista está. Acho que entenderia que Portugal tem um problema próprio para resolver e que o governo não o está a resolver da maneira adequada. É o que eu penso também.»
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