Passam 40 anos sobre a criação do PPD, depois PSD. A criatura de hoje nada tem a ver com a que foi apresentada ao País por Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota a 6 de Maio de 1974. Nem tão pouco com o partido do malogrado Mota Pinto, quando para lá entrei em Maio de 1983, ou com o período "cavaquista" independentemente do seu deprimente crepúsculo. Nogueira foi imolado num altar que estava preparado para Durão Barroso, em 1995, quando Cavaco saiu. Marcelo desceu então à Terra para, no esplendor do "guterrismo", ganhar dois referendos e tentar carregar às cavalitas o já "histórico" escorpião do "pequeno partido à sua direita" (expressões usadas por Barroso num congresso em Tavira). Uma entrevista televisiva bastou para Paulo Portas dar início à sua brilhante carreira de "irrevogável". O mesmo Barroso levou-o para o seu governo de 2002 que abandonou às mãos de Sampaio e de um Santana Lopes erradamente escolhido na secretaria do partido. Mendes e Menezes contam pouco. Ferreira Leite poderia ter contado. Com a chegada de Passos Coelho ao poder, no partido e num país exaurido de tudo e de Sócrates, as coisas pareceram desanuviar-se. Agora é que sim, pensava-se no Verão de 2011 de um telhado da Gomes Teixeira com vista soberba sobre o Tejo. Agora é que não, concluí ao arrumar os papéis no andar imediatamente por baixo desse telhado nos derradeiros dias de 2012. Passos Coelho pastoreia em 2014 um partido incaracterístico e acéfalo onde convivem, negoceiam e conspiram "novos" e "velhos" caciques em nome de uma "nova normalidade" imposta por um misto de "liberais estrangeirados" e reaccionários e de homens de affairs, por natureza de quem lhes "paga" melhor. Não há nada para comemorar.
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