
A escolha do antigo bispo de Buenos Aires não me entusiasmou particularmente. Porque começou muito cedo a "entusiasmar" gente a mais. Nunca, como católico, entendi a Igreja como qualquer coisa fashion. Ainda cardeal em Munique, Ratzinger já advertia a Igreja para se habituar a viver em minoria. Nas viagens apostólicas, rodeado de multidões, Bento XVI jamais cedeu nesta premissa. A Igreja - e com ela o Cristianismo católico - não seria a instituição milenar que sobreviveu às maiores contrariedades e perseguições se tivesse claudicado perante as contingências e o populismo. Ela acolhe os pecadores - os fiéis são fundamentalmente pecadores porque são pessoas com os defeitos e as qualidades de todo o ser humano - no perdão, na caridade e na fé. Francisco tem feito os possíveis para "agradar" mas, quando chegar ao fim, estará no ponto de partida fora uma ou outra alteração na intendência do Vaticano. O sucessor de Pedro não faz proselitismo como explicou Bento XVI repetidamente. «Em princípio, Francisco, como, antes dele, João Paulo II e Bento XVI, pode escolher um de dois caminhos. Pode escolher o caminho do compromisso, na esperança de reconduzir à Igreja alguns dos milhões que se afastaram ou estão à sua margem. Mas, fatalmente, a cada concessão, irá crescendo a ideia de uma mudança radical na Igreja, que a deixaria irreconhecível como, por exemplo, sucedeu ao Anglicanismo. O segundo caminho para o Papa Francisco é ficar em público pela retórica e, na substância, defender o que está. Esta estratégia, além de lhe ser pessoalmente nociva, aumentaria a desconfiança geral dos fiéis pela Igreja como hipócrita e fraudulenta. Apesar da sua imensa popularidade, e mesmo por causa dela, Francisco acabou numa velha armadilha, em que esbraceja em vão.» (Vasco Pulido Valente, Público).
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